quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Outra vez...

Enquanto isto passava na televisão, macaquita pergunta:


-Mãe, podemos ver isto no cinema?
-Isto o quê? - pergunto eu que não estava a prestar atenção à televisão.
-Este filme, dos "sem dentes".
-Dos quê?! Ahahahahahhahahahhahahahha




(Antes que me acusem, eu já a levei ao otorrino porque ouve uma altura em que achava que a miúda era surda e ela ouve perfeitamente bem, o problema está mesmo no "cébro".)

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Ufa!

Quando vamos ao parque, um dos passatempos preferidos de macaquito é espantar os pombos que por ali andam, e quando digo andam é no sentido mais literal porque ele não dá hipótese que nenhum pombo pouse enquanto ele estiver por ali. Cansada de esperar por ele, que não parava de correr para trás para enxotar cada um dos bichos, fui andando devagar até à ponta da relva. A dada altura e como ele se recusava em acompanhar-me, digo-lhe de longe:
-Se eu fosse pombo mordia-te. - nesse momento, uma senhora que caminhava na minha direcção e se encontrava exactamente a meia distância de cada um de nós, olha para mim com um olhar espantado e um sorriso amarelo. Eu, ao perceber a confusão na cabeça dela, chamo macaquito pelo nome. Ela olha para trás, vê o petiz, o nó desfaz-se no cérebro dela, faz um sorriso alargado e um ar de alívio.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

No seguimento do post anterior

Deixei-os a tomar o pequeno-almoço e fui arrumar os quartos, eles conversavam animados na cozinha e eu ria-me dos disparates que saíam à velocidade da luz da boca de macaquito, macaquita gargalhava até que...
-Eu amo a E. mas ela já tem o R.
-Eu não acredito que tu disseste isso! 
Nem eu, nem eu, pensei cá com os meus botões.

Máquina do tempo

Talvez já vos tenha contado que macaquito gosta muito de loiras, ele tem particular bom gosto com mulheres mas as loiras são e serão sempre as suas preferidas. Esta semana pediu-me para voltar para casa pois tinha muitas saudades da sua cama e quando chegou pediu-me para ir ao café que frequentamos habitualmente pois queria ir ver os amigos que trabalham no café e a E., loira claro e muito muito bonita (e adulta, devo ressalvar).
Contou-me depois uma amiga que macaquito, fixando a E. de longe, lhe disse:
-Sabes B. gostava de ter uma máquina do tempo.
-Para seres mais crescido? - perguntou ela adivinhando-lhe a intenção.
-Para concretizar o meu objectivo!

segunda-feira, 31 de julho de 2017

domingo, 30 de julho de 2017

Algodão doce e palavras

Nunca saio de coração a abanar, os mimos do fim de semana preenchem-me as faltas da semana, as saudades que me consomem os dias, desvanecem-se ao primeiro abraço. Ouço-lhes as gargalhadas e colecciono sorrisos, não descuro mazelas irrelevantes, opto por sará-las com beijos na testa ao invés de Betadine. Volto a casa de barriga cheia, importa saber que por mil motivos que tenha para me sentir infeliz, o cheiro doce dos seus cabelos, os olhos grandes cheios de sorrisos e o aperto dos braços são razões de sobra para descurar  as faltas da vida. Adormeço ao domingo como se tivesse 5 anos e tivesse acabado de receber uma caixa de caramelos, amanhã começam os amargos de boca.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Macaquita é um cromo... dos difíceis!

Enquanto lia a capa de um livro.
-Porto Editora... o que é porto Editora mamã?
-É a loja que faz os livros.
-É uma fábrica de livros?
-Não é bem,. É onde decidem o que vai ser feito, os desenhos, os textos, as capas, depois os livros vão para a fábrica para serem impressos.
-Pensava que era um senhor que fazia os bonecos à mão e depois colava as páginas. Eu já vi fazer isso.
-Sim, antigamente os livros eram feitos à mão, hoje em dia são feitos em fábricas que se chamam tipografias.
-E no Inverno?


Hâ?!

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Fim de semana de festa, literalmente

Ou quando uma festa de aniversário se converte num acampamento.
Numa casa de 4 quartos, 3 camas de casal e uma de solteiro, ou seja, 7 lugares deitados, consegui  pôr 9 crianças e 3 adultos a dormir confortavelmente. Com planos para 5 a logística foi complicada mas nada que colchões no chão e muita boa vontade não resolvam em 5 minutos. Adormeceram já passava da uma da manhã, após uma tarde de piscina, terra nos pés, bicicletas e muita brincadeira.. 7 e pouco, os primeiros começaram a dar sinal de vida, pelas 9 da manhã reinava a confusão, entre torradas e pães de leite, sumos e leite com chocolate. Roupa por todo o lado, fatos de banho e chinelos, toalhas, protector solar e pelas 10 da manhã a piscina estava lotada. Antes do almoço, chegam os reforços do babysitting, os avós oficiais dos meus que se converteram nos avós emprestados de todos os outros, panela de sopa, tacho de arroz e muita carne grelhada. Os adultos começam finalmente a comer e metade da canalha já está de molho de novo. O fim do domingo chegou com uma piscina preta, um bando de putos sujos, torrados e felizes e ainda a certeza de algo que já sabia, os rapazes só falam connosco quando querem comer, as miúdas são umas chatas, amuam umas com as outras por coisas sem jeito nenhum e fazem muitas queixinhas. Pela primeira vez em anos, não tive de congelar sobras. Começámos a festa de aniversário na sexta, terminámos no domingo, fica o aviso:
Quando se começarem a casar, nem os ciganos nos batem!



segunda-feira, 17 de julho de 2017

Com um dia de atraso, o amor de uma vida

Venho aqui uma vez por ano para te dizer por palavras o quanto te amo, nos outros trezentos e tal digo-te com beijos, abraços e ralhetes. Passaram já sete anos e continuo a amar a tua pirosice, os teus cor-de-rosa com brilhantes, os laivos de diva e até o mau feitio ao acordar. Nada podia ser mais generoso e honesto que o nosso amor pois apesar de todos os arrufos entre nós, ainda o fervedor está quente e já me enrolaste os braços à cintura e eu devolvo-te o consolo no mesmo instante. Aproveitas todas as oportunidades para me fazeres perceber que a atenção que vos dou, nem sempre está bem distribuída e apesar de entenderes que dificilmente ganharás, fazes questão de mostrar que nunca baixarás os braços na tua luta quixoteana pela supremacia do meu tempo.
Sei tudo do teu sorriso, percebo a lágrima que ainda não te assomou o olho ou o disparate escondido debaixo de um tapete, conheço-te cada gesto e cansa-me a tua ingenuidade disparada em mil perguntas seguidas mas tenho a certeza que me estavas destinada porque mesmo quando estás a dez segundos de mim, sinto saudades apenas porque sim.


terça-feira, 11 de julho de 2017

Ele é tão literal

Enquanto matávamos saudades ao telefone, macaquito começa a ralhar comigo.
-Sabes mãe, não sei o que andas a fazer, estou sempre a ligar do telefone do avô e tu tens SEMPRE o telefone desligado.
-Não pode ser, deves ter-te enganado a marcar o número, eu tenho SEMPRE o telemóvel ligado.
-Na na na na na, eu marquei bem o número, aparece aquela senhora e diz "o número que ligou não está atribuído" e desliga-se.
-Vês? Se aparece essa senhora é porque marcaste o número mal. Diz lá o número que marcaste.
-9XX XZD XXX
-Pronto, está explicado, não é ZD, é DZ. Isso nem parece teu.
-Ah, pois é mamã. Desculpa... - diz-me com uma voz muito triste.
-Sabes o que me apetece fazer-te agora? Roer-te as duas  orelhas ao mesmo tempo. - digo em tom de brincadeira.
-Oh mãe, não dá. Tu não vês que tenho uma ocupada com o telefone? Se não como é que podia estar a falar contigo?!

domingo, 9 de julho de 2017

Como os programas de televisão condicionam o nosso dia-a-dia

Brainstorm ao pequeno-almoço.
-Macaquito, o que queres comer?
-Não sei, decide tu.
-Torrada, tosta, papa…
-Vou trancar a resposta papa.

….

….

….

-Papa é a resposta correcta

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Armários, portas, cacifos...

Já lá vão uns meses desde a história do "magnifique" depois da adaptação a essa rotina que foi a de se fechar no armário em casa e falar uma espécie de francês, todos os dias antes de se deitar, outras daí advieram, entre as quais a de se fechar nos cacifos da piscina sempre que vamos às aulas de natação. Aproveita sempre o momento em que arrumo a tralha na mochila para se fechar num cacifo sem fechadura e fazer um pequeno teatro comigo em que ele assume o papel de Monsieur Magnifique, génio malvado que me rapta macaquito e o leva para o deserto ou para o espaço,  apenas depois de eu fazer um monólogo zangado com a porta do armário, lá aparece um macaquito feliz por estar de volta. 
Ora numa das aulas de macaquita, em que tive de o levar também, enquanto eu ajudava a irmã a vestir o fato de banho ele ficou sentado num banco a aguardar. No meio da confusão de um balneário infantil cheio de meninas começo a discernir um tum tum tum pouco habitual, levo dez segundos a processar até que resolvo procurar no lado oposto ao que nos encontramos e para espanto de todas as mães que ali se encontram, sai um rapaz muito esbaforido e atrapalhado de um cacifo que tinha uma fechadura funcional. Desta vez não lhe saiu nada em francês tal foi a aflição que passou quando percebeu que estava trancado.
Passado uns tempos, noutro dia de piscina, no curto caminho que separa o estacionamento da porta principal, deixei de o ver. Corri para dentro do complexo e nada, perguntei a todas as pessoas que ali se encontravam e nada, agarrei no cartão dele, passei nos torniquetes na esperança de que estivesse no balneário à minha espera, entrei e nem sinal dele, paniquei. Voltei atrás e nada, volto ao balneário e chamo por ele e nada, até que de dentro do cacifo (o tal sem fechadura) sai um macaquito todo nu, a falar francês. 
-Conseguiste  despir-te sozinho?! Muito bem, para a próxima vamos tentar isso fora do armário, ok? - foi a única coisa que consegui dizer, sem me rir não vá este disparate tornar-se rotina também.


domingo, 2 de julho de 2017

Não era Tony mas teria sido igual

Vou buscá-los a casa dos avós, antes de seguirmos lembro-me de ir ao centro da cidade resolver um assunto. Na praça central grande burburinho com o check sound de uma banda que vai tocar nessa noite, grupo habitual e querido na cidade, uma coisa a roçar "Tony Carreira e os seus muchachos" mas com menos azeite. Macaquito atravessa a praça sem ligar ao que se passa e estranhei, até perceber que seguia concentrado na sua demanda de me ajudar a chegar a horas. De volta ao carro passamos de novo perto do palco onde a banda continuava a ensaiar, desta vez não lhe passou ao lado, arrancou para a frente do palco e chama pelo vocalista.
-Tony Carreira, posso cumprimentar-te? 
-Claro que sim mas dá a volta, sobe ao palco ali nas escadas e anda até aqui. - macaquito assim fez, subiu ao palco deram um grande aperto de mão, trocaram meia dúzia de palavras que não percebi e o pequeno voltou pelas mesmas escadas que tinha subido. Ali ao lado, estava o resto da banda, os seguranças e roadies e macaquito assim que pisa o chão, vira-se para eles e diz seguro de si.
-Sabem, o Tony Carreira é o meu fã nº 1!

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Ciúmes

Toca o telemóvel, do outro lado uma voz cheia de mimo.
-Estou mãe, estou sozinho em casa!
-Sozinho? Onde estão os avós? - pergunto preocupada.
-O avô foi levar a mana ali à rua para ela ir andar com a avó.
-Ah! Ok, então não demora nada. Precisas de alguma coisa?
-Não, estava com saudades e aproveitei para ligar, estás sozinha?
-Sim e com muitas saudades também.
-Olha, não precisas de ligar à hora de jantar.
-Então porquê? - não consegui evitar a gargalhada porque já estava a adivinhar o que me ia dizer.
-Já falámos agora e assim tens mais tempo para descansar.
-Eu não estou cansada e não falei com a mana, talvez seja melhor ligar para lhe dar um beijinho de boa noite.
-Não, não precisas ligar, eu dou-lhe os teus cumprimentos e ligas amanhã pela fresquinha. Vá, adeus, gosto muito de ti. Vou desligar....
E desligou!

Outros voos

Pedes que te observe no teu local preferido, a voar. E voas cada vez mais alto. Alguém me disse que vieste ao  mundo com um propósito, descrente que sou das coisas esotéricas, acredito apenas que vieste ao mundo para que eu aprendesse a amar. Cresceste tanto este ano e eu também, os infortúnios também nos trouxeram coisas boas, foi como sair na paragem errada e aproveitar o passeio para ver coisas novas. Crescemos juntos, aprendemos juntos e juntos faremos um novo caminho e que tudo aquilo que agora nos perturba seja o mote para voarmos ainda mais alto.


quinta-feira, 22 de junho de 2017


Os dias em que não queres dizer nada ou que nada tens para dizer, em que se acabam as palavras e se contam os minutos, dias tristes, apáticos que por palavras ditas perdes a vontade de falar. É desistires, é perderes a capacidade de ressuscitar de todas as desilusões, é deambulares sentidos e perceberes que não podes ser salvo porque não te queres salvar, apenas queres ser consertado.
Os dias em que perdes o dom da palavra, em que não proferes nada nem que seja da boca para fora, contra ti ou contra os outros sem pensar em consequências apenas para te sentires dono da verdade. É a abstinência do ser, é o medo de perder, é ficar no meio do nada sem nada para fazer, é segurares as palavras como se de uma bomba se tratasse e esperares que rebentem dentro de ti porque és senhor da tua razão e assim conténs a emoção, assim seguras a lágrima que teima em querer saltar e só por isso, é melhor não falar.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Ser indiferente

Há pessoas que sonham, vivem na utopia de que o mundo pode ser igual para todos, porque seria bonito não teres de falar de inclusão ou teres de lutar todos os dias por direitos iguais. Não interessa nada para quem está de pé que todos os interruptores estejam à altura de uma cadeira de rodas, seria de somenos importante uns pontos em relevo numa embalagem de champô se puderes ler que é adequado ao teu tipo de cabelo, também nada se perderia se além de inglês e francês as crianças pudessem aprender língua gestual na escola. Mas não, há pessoas que fazem questão de te recordar sempre que possível de que tamanho é a tua deficiência, que o facto de teres menos um braço ou apresentares qualquer tipo de distúrbio neurológico é condição preliminar para te apresentar ao lado menos simpático da diversidade.
As boas intenções podem ser perversas se levarem à marginalização do atípico, impor normas que não permitem a convivência em condições de existência já por si desiguais é simplesmente vergonhoso.
Se não queres fazer a diferença, pelo menos mantêm-te indiferente.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Recados

Na caderneta de ambos, o recado, dias 19 e 21 macaquitos não podem ir à escola porque os alunos do 2º ano vão fazer provas de aferição. Pergunta de macaquita:
-Mamã, o que são provas de aflição?

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Não me chamem menino

Faltavam dez minutos para a aula de música, sentei-me com eles na esplanada a beber um café. Na mesa do lado um labrador manso e brincalhão, apesar disso, grande o suficiente para deixar macaquito em pânico e mantê-lo sossegado na cadeira. Pediu-me o telefone para jogar e ali ficou imóvel e concentrado. Do outro lado surgiu um bebé, cerca de dois anos, engraçou com macaquito e meteu-se com ele, macaquito sorriu sem desviar os olhos do telefone e o pequeno insistiu, fez-lhe uma festa no cabelo e correu para a mãe, macaquito continuava imóvel. Passado um minuto, o petiz volta à carga e repete a festa no cabelo, mais uma vez nem um piscar de olhos. Ao fim de três ou quatro tentativas, a mãe do pequeno sorri e resolve intervir.
-Lourenço, larga o menino, estás a chatear. 
Sem desviar a atenção do telefone e praticamente estático, macaquito diz pausadamente.
-Bem... na verdade... o meu nome é Macaquito. 

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Utopia

Queria poder sentar-me numa roda todos os dias, como hoje, rodeada de miúdos. Felizes, orgulhosos de si mesmos, excitados e contentes com aquilo que fizeram, ansiosos por uma avaliação que nunca lhes darei independentemente do resultado final. O sorriso aberto e o tu consentido será a única nota que receberão. 
Queria um aceno de mais ou menos acompanhado daquele sorriso malandro, quando lhe pergunto como se portou hoje sabendo de antemão a resposta, ele, um dos terríveis "um horror" que tem sempre um olá para mim e que se senta no meu colo, ansiando o abraço sempre que tem a oportunidade.
Queria ter sido outra coisa qualquer que me permitisse enredá-los no meu colo, explicar-lhes que pertencer ao quadro de mérito não é assim tão importante se não soubermos que um lápis castanho também pode ser cor de pele. 
Queria poder dar a todos a oportunidade do papel principal mesmo que tenham dificuldade em decorar e ou de pintarem um quadro mesmo que não saibam a cor do sol.
Queria poder ser para sempre a mãe ET que alguns pais olham com condescendência e outros com inveja porque como diz alguém muito especial "até tenho um filho deficiente e gosto dele!".
Queria ser aquilo que sou e não me sentir tão sozinha.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Quando percebes que já não fazes parte do testamento


É muito bom podermos contar com os avós para ficar com os miúdos quando estão doentes e não podem ir à escola. Sabemos que estão bem entregues, que os avós vão cuidar deles da mesma forma que cuidaram de nós ou mesmo melhor. Sabemos que os vão mimar, que nada lhes vai faltar e que os dias de doença, dores e febres acabam sendo dias de brincadeira, jogos e que provavelmente lhes vão contar os disparates que nós fazíamos quando tínhamos a mesma idade. 

E quando voltam para casa, saudáveis e felizes, acabamos por estar mais tempo na cama deles que o suposto, apenas para matar saudades e para ouvirmos tudo o que têm para contar. 
-Vá Macaquita, já chega, agora tens de dormir.
-Olha, só mais uma coisa...
-Ok, diz lá.
-A avó disse que tu és palerma!

domingo, 4 de junho de 2017

Não tem nada a ver mas tenho de partilhar #7

Comentário de uma tia de pai macaco que nem me lembrava de já ter conhecido.
-Ai querida, estás tão magrinha.
-Eu sempre fui magra.
-Da última vez que te vi não estavas assim. - olho para ela sem conseguir disfarçar que não fazia a mais pequena ideia do que falava, ela percebe e adianta.
-No casamento do primo X.
-Ah, sim... isso foi há quase dez anos, estava grávida de 7 meses!

sábado, 3 de junho de 2017

Love will save us

Tudo preparado para sair, desligo a televisão após ser ignorada 10 ou 20 vezes, pego nos sacos, descemos no elevador e assim que coloco tudo no porta bagagens lembro-me que falta o violino e macaquita tem mesmo de estudar Peço que coloquem os cintos e volto a casa. Três minutos e entro de novo na garagem, ouço-a chorar convulsivamente, imagino que se tenha magoado e arrependo-me de os ter deixado sozinhos no carro. Tendo acalmá-la e perceber o que aconteceu, afnal esqueceu-se do estojo com lápis e marcadores no quarto, volto a casa sozinha e de novo ao carro, dou-lhe em mão o estojo e um mimo.
-Obrigado mãe! Por teres trazido as canetas da mana.
-De nada, macaquito.  Mas era ela quem devia agradecer.
-Eu ia dizer, estava à espera que abrisses o portão.
-Não se agradece com o portão fechado, está visto... - respondo com ironia.
Não percebeu. Tenho fé que se torne mais gentil.

-Fiz para ti mamã! Com folhas do chão. Gostas?
-Está lindo, muito original.
Oferece-me todas as suas obras, é mais gentil do que parece.


quinta-feira, 1 de junho de 2017

Selinho blog em bom

Fui nomeada (escolhida, agraciada...) pela NM para este difícil desafio começado aqui que é o de escolher o tal. Como tal, percebo que seria tremendamente injusta com uma catrefada de "blogs em bom" ao escolher apenas um, no entanto, acho que uma das regras é escolher apenas um. Tendo em conta todas estas constatações óbvias, obviamente escolho a Flor. Não apenas porque é muito bom, porque é dos tais, aquele que vou e me sinto muito eu.

Para prosseguir com esta fantástica corrente, escolho e espero que me perdoem a ousadia:

http://tambmqueroumblog.blogspot.pt/

https://a-uva-passa.blogspot.pt/

http://agaffeeasavenidas.blogs.sapo.pt/

https://factosdetreino.wordpress.com/

https://memyshitandi.blogspot.pt/

Tenho quase a certeza que falhei nalguma regra, sou daquelas que nunca lê o livro de instruções até ao fim...






terça-feira, 30 de maio de 2017

Três dias...

Por força de uma valente amigdalite, macaquita ficou uns dias nos avós e macaquito tem estado como prefere, sozinho comigo. Quando chegámos da escola, ele pegou no velho telefone avariado que encontrou no sótão e no qual tem conversas intermináveis com as pessoas de quem sente saudades.
-Estou avô, é só para dizer que a mana fica aí mais três dias... Sim, sim, por causa da febre... Vá, adeus, um beijinho.
-Acho que estás com azar, macaquito, já falei com o avô e a mana está melhor. A avó vem trazê-la hoje. - digo-lhe eu enquanto preparava o lanche.
-A sério, mãeeeeeee? Mas eu não quero que ela venha.
-Pois, eu sei mas a mana não pode faltar mais à escola e eu também tenho saudades dela. Além disso, estiveste dois dias sozinho comigo, com o mimo tooooooodo para ti. 
-Ok, não há problema, ela pode vir. Quando a avó chegar, vou-me embora com ela, vou eu três dias para casa dos avós.


segunda-feira, 29 de maio de 2017

Talvez esteja a ser injusta

Se um dia alguém me dissesse que há um medicamento com cem anos de utilização e efeitos comprovados de cura, que eu pudesse dar ao meu filho para curar qualquer uma das doenças que tem, obviamente não hesitaria em administrá-lo. E depois existem pessoa que deixam morrer os filhos por conta de uma otite. Não faço por norma este tipo de julgamento mas ter de lutar diariamente para que o meu filho possa um dia mais tarde ser autónomo e feliz e de essa luta ser extraordinariamente cansativa (embora recompensadora), tornou-me menos tolerante com este fenómeno que é a estupidez natural.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Pelo menos tem consciência

O alarme do telemóvel toca, passo os dedos para desligar, deixo sempre o telemóvel estrategicamente colocado na mesa de cabeceira para que o possa desligar ao primeiro som. No mesmo momento ouço:
-Bom dia mamã, dormiste bem?
-Estás aqui?! Nem dei por ti mas sim dormi bem. 
Saio da cama e despacho-me no banho, enquanto me vestia, ele diz preocupado.
-Mamã, o teu telemóvel fez aquele som de acordar. - e reproduz o som tal e qual - eu desliguei, duas vezes mamã.
-Fizeste bem, devo ter-me enganado a desligar. Obrigada.
-Desculpa se mexi no telefone sem autorização.
-Não faz mal, fizeste bem em desligar.
-Mas desculpa mamã, eu sei que não devo mexer sem pedir...
-Já disse que não faz mal, não vais ficar a manhã toda a bater na mesma tecla, pois não?
Cala-se e fica pensativo, olha em redor durante alguns segundos e de repente:
-Qual tecla mamã, não vejo aqui nada.
-Ahahaah, desculpa é só maneira de falar, "bater na mesma tecla" é estar sempre a dizer a mesma coisa.
-Ah! Já percebi mas não vejo qual é o mal, isso é o que eu faço sempre.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Absurdos

Dou-vos macaquito exactamente como ele é, privilegiando obviamente as histórias divertidas que nos preenchem a maior fatia do nosso dia a dia. Seria redutor falar apenas na sua condição rara ou no seu autismo porque isso é apenas uma pequena parte da criança fantástica que é mas serão com certeza motivos para amá-lo ainda mais. Quão estranho foi sentir que no momento em que saiu de mim e que o olhei pela primeira vez apenas me deleitei com os pormenores, a boca perfeita, o nariz arrebitado e a penugem que lhe cobria a cabeça, não me apaixonei naquele momento, amava o todo há tanto tempo que nem saberia dizer em que ocasião fui tomada por aquele amor e nem os defeitos todos do mundo poderiam quebrar a validade do selo branco que o autentica.
Por tudo isto talvez, em dias como os de hoje, em que faz muitos disparates e recebo queixas poucos habituais à porta da escola, inunda-me uma tristeza e apetece-me castigá-lo e até dar uma palmada mas depois lembro-me que afinal o meu filho não é uma criança como as outras e que precisa de ouvir vinte vezes, ou vinte mil, que não precisa de ser o palhaço da escola para ter atenção das outras crianças. E ao deitar, confesso-lhe mais uma vez o meu amor incondicional, explico-lhe que não precisa de regatear atenção porque a tem de quem importa e formato-o para fazer um pedido de desculpas sincero à professora que tem por ele um amor parecido com o meu.
E depois fico mais uma vez a pensar nas incongruências de ter de formatar uma criança para que ela distinga o certo do errado.  





quarta-feira, 10 de maio de 2017

Gosto de cumprir com as minhas promessas

Como de costume as perguntas difíceis surgem sempre quando a vou deitar, deito-me junto dela e ela enrola-me com pedidos de histórias e perguntas. quando todos os argumentos pareciam esgotados, ela sai-se com esta:
-Mamã, o que é um canguru na mama?
-Um quê?
-Um canguru na mama.  A M. disse que uma senhora tinha um canguru na mama e depois ficou sem cabelo.
Depois de me rir 10 segundos imaginando a confusão naquela cabecinha, optei por lhe explicar de modo ligeiro sobre o cancro em geral, com a promessa final de que nenhum de nós teria de usar uma peruca. Apesar da tranquilidade e ligeireza na explicação, optei por omitir o desfecho menos optimista mas tenho a certeza que esta noite a cama terá mais um inquilino. 

segunda-feira, 8 de maio de 2017

segunda-feira, 1 de maio de 2017

A Senhora dos Papagaios


                                                50 tentativas depois, ainda ficou um olho.

"A melhor corrente blogosférica de sempre" começou aqui. E continua aqui e depois é continuarem a procurar que a Palmier tem os links todos.

domingo, 30 de abril de 2017

Falta-me poder de argumentação

Numa das nossas intermináveis conversas apenas com o intuito de protelar a hora de dormir, macaquita começa a falar da avó e do quanto gostaria que ela morasse mais perto de nós.
-Ainda por cima ela é nossa amiga. - dizia.
-Pois é, a avó gosta muito de nós. - respondo-lhe.
-Mas ela tem um problema, tem medo de cobras.
-É normal, as pessoas têm medos, por vezes nem se consegue explicar bem porquê.
-Sim mãe mas ela tem medo da minha cobra de peluche.
-Ok e tu tens medo do escuro, também me parece pateta ter medo do escuro.
-Daaaahhhh, a sério mãe? Eu não tenho medo do escuro de peluche!  

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Suponho que correu mal

Liguei-lhe à noite, atendeu feliz e com o discurso do costume.
-Boa noite mamã, em que posso ajudar?
-Olá macaquito, como estás?
-Estou bem, estou aqui a brincar com os avós aos professores.
-E o que andaste a fazer hoje?
-Olha, estive a trabalhar. - o que quer dizer que esteve a fazer TPC's.
-Então e correu bem? - perguntei sabendo que no dia anterior a coisa não tinha sido muito pacífica.
-Espera! Tenho de ir para trás do cortinado.
-Do cortinado? Não me digas que é para ninguém te ouvir?

...

...
 
-É só para te dar um beijinho e desejar uma noite descansada. - e desligou sem passar o telefone à avó como habitualmente.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

terça-feira, 11 de abril de 2017

Fomos ao espaço

Aproveitando o domingo soalheiro, cumpri a promessa e lá fomos ao Planetário, a sessão não foi das melhores para crianças mas macaquito está convencido que foi ao espaço numa nave e só não gostou de não podermos sair da nave e pisar um qualquer planeta, erro meu que assenti quando me perguntou se poderíamos aterrar em Saturno mesmo antes de entrarmos na sala. Antes do regresso a casa, passeámos um pouco, atravessámos o túnel que nos levou do  Mosteiro dos Jerónimos ao Padrão dos Descobrimentos, tudo tranquilo apesar da multidão que atravessava ao mesmo tempo que nós, um som de acordeão ao fundo mistura-se com a confusão de vozes. Tirámos umas fotografias e sentámo-nos um pouco a descansar enquanto os miúdos exploravam.
-Mãe, o que quer dizer este sinal? - diz-nos macaquito do lado oposto ao nosso assento.
-Quer dizer que é proibido sentar aqui. Arrrrrr...  - levantámos num ápice e a rir. Todos... os adultos!
De volta ao túnel, apenas meia dúzia de pessoas e o homem sentado no chão arruma o acordeão. Macaquito repara e claro, vai ter com ele, ainda tento agarrá-lo mas sem hipótese, toda a gente debanda e eu fico ali, a olhar para macaquito.
-Olá senhor, o senhor toca muito bem, pode tocar para mim? - eu faço sinal que não, que não é necessário mas macaquito insiste e o senhor nem me dá hipótese e apronta-se em segundos. Macaquito dança sozinho e bate palmas e eu, lentamente abro a carteira e entrego dinheiro a macaquito que feliz lá vai dar ao senhor que lhe agradece também com um sorriso. Separado de nós por uma genuína ingenuidade, entrega uma moeda como se de uma fortuna se tratasse, talvez o seja, lá para o fim do dia, se todos os que por ali passassem o olhassem com os olhos do meu homenzito, abertos a todas as notas até aquelas fora de tom e ignorando as razões, mais ou menos válidas, que confinam o dia daquele homem a um metro de chão.
Não tivesse sido ele, também eu teria passado indiferente.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Padeço de saudadite

Larguei duas malas, duas mochilas e eles, os dois, ainda lhes oiço as gargalhadas. Tão pouco o tempo que passou, a angústia já me consome. Estou por dentro como a roupa que lhes enviei nas malas, t-shirts e malhas, calções e collants, sol e frio. Sinto no silêncio uma paz difícil de encontrar habitualmente, imploro ao silêncio que me tortura que se faça ouvir. Acordo sem corpo, sem me lembrar que o tenho e que me dói, acordo com um sorriso porque sonhei com anjos, estar só torna os sonhos mais fáceis mas o dia vai entrando em mim e a saudade corrói o sorriso, o tempo não passa e a noite chega devagar. Afundo-me no sofá na pressa de adormecer, à espera que os sonhos me sacudam a saudade.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Mesmo sem saber, ele disse MESMO que queria

Macaquito chegou da escola, feliz por ser o último dia e também porque trazia um pato, em cartão amarelo, recheado de ovinhos de chocolate. Como ele não gosta de doces, costumo ser presenteada com este tipo de tesouros e já contava com o ovo no... vocês conhecem o provérbio.
-Que lindo pato.
-Foi a Luisa que me ajudou a fazer, tem ovos de chocolate, não os partas.
-Claro que não, os ovos de chocolate não se partem. São para mim ou para a mana?
-Para o pai, claro!
-Como claro? O pai nem gosta de doces.
-Vá não te importes, o pai disse mesmo que queria mesmo aqueles doces. E eu quero dar ao pai porque eu gosto mesmo dele... também gosto de ti....gosto dos dois mas o pato é para ele. 

...

-E é melhor não falarmos mais disto.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Eu bem digo que ela ouve mal

 Na pressa de sair, enquanto pego em casacos e lancheiras, reparo que macaquita ainda está descalça.
-Macaquita, vai-te calçar, temos de ir embora.
-Mamã, calço o quê?
-As Allstar. - responde macaquito.
-Eu não tenho.
-Tens sim, as cor de rosa. - afirma ele.
-São Rosastar, as tuas é que são Azulstar.

 

domingo, 2 de abril de 2017

Dia mundial da conscientização do autismo

Hoje vestimo-nos de azul, na esperança de que bastasse, é só uma cor para alguns, para muitos é como uma impressão digital, para mim é amor. Beijo o meu azul logo de manhã com a memória que este dia é um pouco dele e ele nem imagina que este beijo tem um significado acrescido mas atira-me um "adoro-te mamã".
Passeamos o nosso azul sob o olhar indiferente de quem por nós passa, não lhes significa nada. Hoje vestimo-nos de azul, na esperança de que baste.

domingo, 26 de março de 2017

Homógrafas

Dormimos nos avós, depois de uma noite de borga com os amigos de infância, sabe bem ficar na cama até o corpo deixar de ter posição e as dores de costas ganharem à preguiça e ao frio. Ouvi os pequenos desde muito cedo mas a tranquilidade de saber que o meu pai não os deixa irromper quarto adentro cedo demais, permite-me definhar na cama ouvindo as conversas como se as paredes fossem de papel.
-Avô, avô? - chama macaquito da sala. Como resposta um silêncio anormal.
-Avôôô, anda cá.
Do avô nem sinal, a avó, galinha que é apressa-se até à sala.
-Precisas de alguma coisa, macaquito? - diz-lhe carinhosamente.
-Olha, eu não te chamei, o teu "O" não tem chapéu, tem só um acento, portanto volta lá para as tuas coisas e diz ao avô para vir aqui.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Orgulho a dobrar

Ontem chegou da escola radiante, recebeu o teste de inglês, 92%.
-É Muito Bom mamã, sabias?
-Não é muito bom filho, é Excelente!
-Sabes? O F. desta vez conseguiu, 73%.
Valeu a hora e meia de estudo com os dois, ele e o amigo do gato. Nunca me passou pela cabeça que em apenas um final de dia de estudo, com duas crianças autistas, conseguisse tão bons resultados. Ofereci-me para estudar com o amigo porque no primeiro teste, ele não tinha conseguido fazer nada, teve zero, o pai lamentou-se que não o conseguia ajudar. Foi com algum receio que o trouxe pois praticamente só o conhecia em contexto escolar e as reacções destas crianças à mudança de rotinas podem ser desastrosas. Fizemos desenhos sobre o tempo, pintámos as cores, brincámos com vestuário e soletrámos todo o vocabulário em inglês, hora e meia de brincadeira aliada ao estudo, dois resultados brilhantes. 
É isto que me faz feliz, nem imaginam o quanto.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Tenho muitos livros por ler

Fomos buscar macaquita à escola e como chegamos 10 minutos antes da hora, saquei do livro que trago sempre na mala e perguntei-lhe se podia ler ou se queria conversar.
-Podes ler mamã, eu fico a ouvir a música.
20 segundos depois.
-Mãe, podes ler!
-Estou a ler, macaquito.
-Mas não estás a mexer os lábios.
Pela primeira vez percebi que ele ainda não tinha entendido que se pode ler em silêncio, na verdade sempre que leio com eles fazêmo-lo em voz alta, eu leio para eles, eles lêem para mim. 


E pensando bem nisto, constato que em 9 anos poucas foram as vezes que consegui ler os meus livros quando estão comigo em casa, a menos que estejam a dormir...

Demasiado

Acordam cedo, demasiado cedo, quando a solo, enfiam-se invariavelmente na minha cama demasiado pequena para três, talvez sejam eles que estão demasiado grandes. Quando a dois, vão para a sala, falam demasiado alto, o volume da televisão no máximo e por muito que lhes esconda o comando estão demasiado espertos e conseguem aceder aos recursos do monitor. Estou demasiado cansada, não me falta a paciência mas por vezes faltam-me as forças e a coragem para me levantar da cama tão cedo quanto eles e fingir que que não vejo demasiadas birras e outras tantas guerras. Tenho demasiada roupa para lavar, faço demasiadas refeições e perdemos demasiado tempo com trabalhos de casa. Falta-me tempo para os cansar, para correr com eles no parque após as aulas, têm demasiada energia quando chegam a casa. Sinto-me demasiado sozinha, demasiado mãe, pouco companheira. Valem-me as gargalhadas, os sorrisos, as parvoíces e os abraços, nunca em demasia. Quando a noite nos aconchega, deito-me demasiado tempo nas suas camas demasiado pequenas para dois e às vezes por lá adormeço. Mesmo assim, há sempre um pequeno nada naquele pedaço de mimo que faz demasiado feliz.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Uma coisa nova por dia

Tínhamos planeado uma ida ao planetário, por azar, a consulta calhou no dia da semana em que está encerrado. Prometi que o levaria a um sítio novo, escolhi Alvalade. Comprámos os bilhetes da visita guiada e foi uma paródia. Tenho a certeza que será recordado pelos presentes e pelo guia durante algum tempo. Falou tanto ou mais que o guia, a dada altura apercebo-me que o guia traduzia o que ele dizia aos dois ingleses presentes, apesar de eles se rirem mesmo sem tradução. Já ouviram falar na mítica porta n°10? Todos os presentes foram "coagidos" por macaquito a esfregar o leão antes de passarem por ela, todos os presentes anuíram e foi vê-los a passar a mãozinha no leão dourado. Acho que se criou uma tradição! 

Amor incondicional

Macaquita teve a sua primeira audição de violino, foi a primeira, apresentou-se, apresentou a obra e tocou.... sem desafinar. Ao deitar, elogiei a sua prestação e perguntei-lhe porque não toca assim, quando estuda em casa.
-Porque ali eu tenho de tocar mesmo bem, para as pessoas baterem palmas, não quero que me façam "buuuuuu". Em casa não é preciso, tu gostas sempre de mim!

quinta-feira, 9 de março de 2017

Inversão de papéis

Recebo uma mensagem de uma amiga para irmos beber café, são nove da noite e tinha acabado de deixar em casa um amigo de macaquito que tinha ficado para estudar  connosco. Resolvo ligar porque estava a conduzir e ponho o telemóvel em alta voz. Macaquito ouve a conversa e vai refilando alto porque não quer que eu vá. Depois de combinar tudo com ela passo-lhe o telefone.
-M. não tens nada de convidar a minha mãe para sair, ela já foi contigo na segunda-feira.
-Olha lá Macaquito, a tua mãe é minha às segundas e quartas.
-Não porque às vezes às quartas ela fica em casa.
-Sim, às vezes ela fica contigo mas eu fico sozinha e fico muito triste.
-Mas tu não tens nada de a convidar, eu não quero que ela vá.
-Nem te faz diferença, tu vais dormir agora, nem dás pela falta dela.
-Ok, ela hoje vai. - diz resignado ao perceber que não tem hipótese. - Mas para a próxima quarta não penses que vai ser tão fácil!

sexta-feira, 3 de março de 2017

O Bruno não sai cá de casa

Temos feito muitas recriações a dois (ou três, dependendo da disposição de macaquita) mas hoje sai um solo.

Se quiserem podem deixar as vossas comentações abaixo.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Eu fico muito baralhada e ela também

-Mãe, mãaeee?
-Sim...
-Hoje tens teatro?
-Não.
-Ah! Eu sabia.
-Se sabias porque é que perguntaste?
-Porque pensava que ias dizer sim.
....

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Inspiração Kandinsky

Macaquito perguntou-me quantos dias tinha de férias e desertou para casa dos avós. "Volto quarta-feira!" disse-me entusiasmado, jurando que ia ter saudades minhas. A irmã desenhou-me um gato, certa de que me serviria de consolo. 


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Guess who?


Depois da aventura carnavalesca do ano passado, este ano foi "peanuts"! E este foi o coelho mais feliz que eu alguma vez vi na minha vida.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Conselho

Não deixem os vossos filhos aproximarem-se dos vídeos do Bruno Aleixo, correm o risco de eles adorarem aquilo, acordarem um dia de manhã e fazerem a seguinte constatação:
-Mãe, se não conseguir ir para os CTT, quero ser proxeneta!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Pertinente

Já nem sei como começou a conversa mas no caminho para casa macaquito só falava em frangos. A dada altura a irmã pergunta:
-Os frangos são patos?
-A sério, macaquita? Os  frangos são galinhas, nunca viste lá no avô? São os filhos das galinhas, os que nunca chegam a galinha nem galo. Podes chamar-lhes galinhas adolescentes.
-Os filhos das galinhas são os pintainhos.
-Sim, são pintos antes de chegarem a frango.
-Ah, já percebi. Outra coisa, quando os ovos partem a casca, saem de lá os pintainhos, não é?
-Sim.
-Então por que é que dos ovos que temos ali na caixa só saem ovos estrelados?

Senti alguma vergonha

Aconteceu quando ao passar no local onde no dia anterior, por azelhice distração, dei uma trolitada no passeio e rebentei um pneu, macaquito me grita lá de trás:
-Mamã, ATENÇÃO AO PASSEIO, não rebentes o pneu! 

A ilustração serve apenas para justificar o que não tem justificação!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Hã?

Desde que começou a escrever que macaquita, muitas vezes, escreve em espelho. A educadora dizia que era normal aos 4, 5 anos. Foi também por volta dessa idade que achámos que não ouvia bem devidos aos constantes "quê" e "hã" e de nem sempre compreender o que lhe diziamos, assumia (e assume) palavras parecidas, no entanto, já foi despistado qualquer problema de audição. Está no primeiro ano, é uma aluna excelente em todas as matérias mas os erros que dá, com alguma frequência, são por escrever em espelho e por confundir letras parecidas, a professora diz que é "cabeça no ar" mas eu acho que é mais do que isso. Há uns meses, falei com a neurologista do irmão que me diz que era normal nesta idade mas que se continuasse deveria pedir despiste com terapeuta da fala, o que fiz.
-Macaquita, para a semana vais fazer terapia com a terapeuta do mano.
-Porquê?
-Para percebermos se andas só distraída ou se tens alguma coisa errada nesse cérebro.
-Eu não tenho "cébro"!- tive de me a rir da inocência e honestidade com que me diz aquilo.
-Não é para rir, é a sério. Tu estás sempre a dizer que não tenho nada na cabeça. Isso quer dizer que não tenho "cébro", não é?

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Carta de São Macaquim

-Mamã, arranjas-me o lanche?
-Estou a tratar disso.
-Vou só ao teu quarto fazer uma coisa e venho já comer.
-Ok.
-Tens uma coisa na tua mesa do quarto. Podes ir ver.

Ela é mais bolos...

-Mamã, como é que se fazem os bonecos que nós vemos na televisão? - pergunta macaquita.
-Chamam-se desenhos animados, são feitos por pessoas que se chamam designers. Eles desenham os bonecos em várias posições e depois as imagens são gravadas num computador e como passam muito rápido dá a sensação que se estão a mexer. Vou mostrar-te. - peguei num bloco, desenhei um bonequinho em várias folhas e passei as folhas muito rápido para que visse o boneco em movimento.
-Percebeste? A mãe fez no bloco mas hoje em dia é quase tudo feito em computador.
-Eu acho que sou capaz de fazer. Isso é uma profissão, não é?
-Sim.Tu gostas tanto de desenhar, quando fores mais velha, podes escolher um curso para poderes trabalhar como designer de animação.
-Sim, eu gosto mas não posso. Eu já te disse que vou ser pasteleira. 
Concluo que os meus filhos têm os objectivos de vida muito bem definidos, um será carteiro e a outra pasteleira. 

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Emprestas-me a manteiga que eu preciso de falar com ela?


E depois dou comigo a pensar que os publicitários afinal não estavam sob efeito de estupefacientes quando imaginaram os seus anúncios muito estúpidos mas são apenas autistas.


Post que devia ser em parceria com uma marca de manteiga mas que ninguém me paga para publicitar

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Não é o que dizes, é como dizes

Quase, quase em directo:
-Mamã, vou ficar no sofá até de manhã.
-Vais mas é para a cama não tarda nada.
-Mamã, vou ficar no sofá até de manhã.
-Mais cinco minutos e cama.
-Não. Vou ficar no sofá até de manhã.
-Dizes isso outra vez e nem te dou 30 segundos.

...

...

...

-Mamã, ficar no sofá é a minha coisa preferida.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Sonhos cor de rosa

-Mamã, deitas-te aqui ao pé de mim?
-Sim mas só um bocadinho e nada de treta, tens de dormir.
-Eu não consigo dormir, o meu coração está partido.
-Partido? Então porquê, macaquito?
-Por causa desta tosse. 
-Da tosse? O teu coração está óptimo, agora toca a dormir.
-Gostava de ver o meu coração do lado de fora.
-Que parvoíce, o teu coração está muito bem guardado dentro do teu peito, para teu bem.
-Mas eu gostava de ver. De que cor é o meu coração?
-Vermelho, claro. Como o de toda a gente.
-Não, o teu de certeza que é cor de rosa e perfeito, como tu. 

Macaquita a perspicaz

Macaquito não pedincha, raras são as vezes que me pede alguma coisa nas compras e quando pede se lhe disser que não, fica por ali sem insistir. Já macaquita, apesar de aceitar o não, fica muito chateada se eu comprar qualquer coisa ao irmão e não lhe comprar a ela. Um dia destes após uma consulta, macaquito pediu-me um conjunto de miniaturas de animais. Estava doido com o urso polar e o panda, muito por conta de uns cartoons que vê na televisão.
-Falta o pardo, mamã. Depois dás-me o pardo?
-Sim, quando encontrar o pardo e se te portares bem, eu penso nisso. Mas olha não digas à mana que fui eu que comprei os animais.
-Então digo o quê?- perguntou intrigado.
-Não digas nada e se ela perguntar diz que foi a doutora que te deu na consulta. Sabes? A mana vai fazer uma birra e eu estou tão contente que não me apetece zangar com ela.
-Ok, eu digo isso. Mas porque é que não posso dizer?.
Arrependi-me naquele momento por lhe estar a pedir algo que lhes estou sempre a dizer que é errado mas já tinha dito e não lhe dei saída. De seguida fomos buscar a miúda à escola e depois tínhamos de ir buscar o filho de uma amiga. Assim que a irmã entrou no carro e sem ela perguntar, macaquito diz-lhe que se tinha portado tão bem que a Doutora lhe deu os ursos, ela nem desconfia. A história muda quando o J. entra no carro.
-Mamã, podemos dizer ao J. que fomos ao supermercado? - diz num tom ansioso, desertinho para contar tudo.
-Macaquito, o J. não precisa de saber isso. - pisco o olho ao miúdo que conhece bem macaquito e os seus devaneios e percebe imediatamente que ali há coisa. Tento disfarçar a conversa com conversa de circunstância até deixarmos o J. em casa. Seguimos para casa, um silêncio anormal no carro, estaciono na garagem e quando estamos a entrar no elevador, macaquita diz quase a chorar:
-Sabes mãe, eu sei que foste tu que compraste os bonecos ao mano. E disseram que foi a doutora para me enganar e agora estou a ficar "inervada". Isso é mentir!


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Comercial aluga-se

Sentámo-nos os dois a lanchar macaquito ligou a televisão, estava no intervalo publicitário. No espaço de 5 minutos vendeu-me mangostão porque "tem selénio e vai fazer-te bem aos nervos", um colete (que quase parece de forças) porque "tu tens dores e ficas logo boa" e ainda qualquer coisa para a memória "para não te esqueceres de comprar o meu queijo". No final das televendas e depois de mais umas análises a outros conteúdos publicitários decidiu que:
-Temos de ligar para a RTP porque a RTP faz anos e eu quero desejar um feliz aniversário!


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Remas tu!

Ao deitar.
-Mamã, na Austrália já é de dia?
-Sim.
-E em Macau, já é de dia?
-Não sei exactamente a diferença horária mas julgo que deve estar a amanhecer.
-Podemos ir a Macau de carro?
-Poder, podemos mas é muito longe. É uma península no sul da China, a China é muito longe.
-E de comboio? Podemos ir de comboio.
-Deve ser possível mas..
-Espera, ainda não acabei. Podemos ir de avião, podemos ir de helicóptero.
-De avião é a melhor maneira e mais rápido.
-Não! Vamos num barquinho a remos que eu sei que Macau é no mar.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Lista de compras

-Mamã, escrevi ali duas coisas que tens de comprar quando fores ao supermercado. - assim que pude, dei uma espreitadela.
-Queijo com bolor? É para ti, certo?!
-Não, o queijo com bolor tem glúten por isso fica para tu e o pai comerem.
-Obrigadinha, sempre a pensar nos outros.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Inconveniente

À saída da piscina duas senhoras conversam animadamente perto da porta. Macaquito corre à minha frente e eu em passo acelerado tento acompanhar. Abre a porta, espera por mim, olha para as senhoras.
-Ah, muito bem, estão aqui a partilhar o vosso amoooorrrrrr!
As senhoras olham meio confusas e depois começam a rir. E eu, o do costume, um sorriso, um "desculpe, não ligue, está a brincar" e sair dali bem depressa  para me poder rir também.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Alerta

Ainda estou enjoada, passaram uns quantos dias e ainda me custa falar nisto, faço por deixar aqui apenas os registos divertidos mas há coisas difíceis de guardar e espero apenas que sirva de alerta.
Passei com macaquito no supermercado, estávamos na zona de congelados e enquanto eu tirava umas coisas da arca, macaquito aguardava ao meu lado com o cesto. Por trás de mim, passa um senhor de idade com um carro e coloca-o do lado onde o miúdo estava, para o fazer dá uma espécie de abraço ao miúdo e roça-se todo nele. Levei cerca de 10 segundos a processar o que estava ali a acontecer, larguei os congelados para dentro do cesto e digo directamente àquela besta que não estou a entender o que está a acontecer. O fulano mete os olhos no chão e sem me responder continua imóvel, nesse momento fico com a certeza de que foi intencional, repito que não percebi bem o que aconteceu e que não torna a tocar no miúdo. Vou para a caixa toda a tremer e alerto a empregada de que aquele senhor não é de confiança e que teve um comportamento inapropriado com o meu filho.
Passou-me tudo pela cabeça, chamar a polícia ou a gerência mas na situação que foi ele podia alegar que nada aconteceu. Tenho a certeza que o conheço mas não sei de onde, o que me assusta ainda mais. Sinto que devia ter feito qualquer coisa, tenho agora consciência que nunca saberei lidar com situações destas.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Sonos

Fomos a uma festa em casa de uns amigos, daquelas festas que metem jantarada e rambóia noite dentro, sabia de antemão que ao levar macaquitos não poderia ficar até tarde pois macaquito não é daqueles miúdos de dormir em qualquer lado. Ele só dorme na cama, não obrigatoriamente a sua mas uma cama. Não dorme no carro, no sofá ou ao colo, consegue ludibriar o " João Pestana" duma maneira que nem eu consigo e habituado que está a deitar-se cedo, quando a coisa passa das 10\11 da noite faz-nos marcação cerrada para voltarmos para casa e claro, eu acabo sempre por ceder.
No dia da festa estava particularmente enérgico e muito social com as outras crianças presentes, o que foi óptimo até ao momento em que todos os putos, incluindo macaquita, caíram redondos pelos sofás. Tentei que fizesse o mesmo mas ele não deu tréguas e brincou sozinho até perto da 1 e meia da manhã. Nessa altura, disse para pai macaco que tínhamos mesmo de ir embora pois ele não ia quebrar e o dia seguinte seria um inferno se estivesse demasiado cansado, o que também se verificou.
A viagem para casa dura cerca de 25 minutos, ao fim de uns quilómetros deixou de falar, o pai estranhando o silêncio, achou que ele tinha adormecido e arriscou baixinho.
-Peewee, estás a dormir?
-Não estou a dormir, estou só de olhos fechados para descansar o cérebro.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Preguiça mental ou criatividade?

A propósito disto

Lembrei-me disto

 E de pensar naquela altura que era uma justificação bastante válida.


quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Empreendedorismo

Saímos da escola apressados pois tinha de passar no supermercado para comprar umas coisitas e tento sempre que ele faça os trabalhos antes de ir buscar macaquita para que o ambiente seja mais calmo e com o mínimo de motivos de distracção.
Compro tudo em dois minutos e dirigimo-nos para a caixa, na nossa frente apenas duas pessoas, macaquito vai para perto da funcionária e começa a desbobinar,
-Ooooh, minha senhora, adoro o som da sua caixa, onde a comprou? Posso ajudar esta senhora?- enquanto fala retira o talão da máquina e entrega à cliente em causa.- Aqui tem minha senhora, obrigado pelas suas compras.
A funcionária alinha na brincadeira e vai-lhe respondendo a tudo, sem nunca interromper o trabalho, no entanto, a fila aumenta consideravelmente atrás de mim e vem outro funcionário para a caixa do lado.
-Vai abrir a sua caixa? É a caixa número 2, não é? Fique descansado que eu vou ajudar.- nesse momento dirige-se para o meio do corredor num ponto bem visível.
-SENHORAS E SENHORES MUITA ATENÇÃO, A CAIXA N°2 VAI ABRIR. PODEM DIRIGIR-SE À CAIXA N°2, POR FAVOR.
A gargalhada foi geral e o funcionário que não conseguia parar de rir pergunta-lhe se ele não quer ir trabalhar com eles.
-Aaaah não, muito obrigado mas eu não posso, tenho de ir trabalhar para os correios dos CTT. Eles precisam lá de mim para conduzir a carrinha vermelha do spiderman.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Difícil é sair sem me rir

Vamos beber um café na esplanada perto de casa porque é fim de semana, o pai ainda dorme e o sol que nunca nos chega a casa, bate de frente nas cadeiras e mesas alinhadas na varanda do café. Ali quase ninguém se conhece além do bom dia ou a conversa de circunstância, no entanto cada um senta-se onde estiver um lugar vago mesmo que isso implique estar na mesa de um desconhecido. Calhou-me ficar entre um senhor de idade que nunca vira antes e de uma vizinha do prédio do lado, que trocam umas palavras às quais não presto atenção. Aqueço as mãos na chávena e o calor do sol aquece-me os pés, dou uma espreitadela no jornal e os miúdos correm por ali, voltando apenas para irem largando os gorros e casacos. A meio das brincadeiras, macaquito tira dois segundos para cumprimentar todas as pessoas presentes. E de repente, sem apelo, nem agravo:
-Cavalheiro, porque é que está a olhar para a minha mãe?- atira sem perceber que o senhor está a conversar com a senhora duas cadeiras à frente e que só olha na minha direcção porque calha eu estar no "caminho", o senhor fica tão constrangido que só consegue balbuciar qualquer coisa imperceptível. Já eu, aproveito a deixa para me raspar de mansinho.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Sejamos cegos.

Deparo-me, pela milionésima vez, no feed do FB com uma publicação sobre crianças que não são convidadas para festas de aniversário e que são postas de parte nas mais diversas circunstâncias por serem diferentes. Estes posts acabam, invariavelmente com um "não partilhar, copie e cole no seu mural". E eu pergunto-me, para quê?
De que serve colar um rol de palavras se não lhes atribuirmos qualquer significado? Tenho a certeza absoluta que muitas das pessoas que tão bem sabem usar os comandos CTRL, sentem pouca ou nenhuma empatia quando o seu próprio bem-estar é posto em causa. 
Vamos ser determinantes, vamos ter coragem, a coragem de permitir que os nossos filhos cresçam indiferentes à diferença, que não a vejam, que a entranhem de tal forma que consigam alhear-se dela.
É um bocado utópico pensar que é possível mudar o mundo mas podemos ser um pouco egoístas e mudar o nosso mundo, aquele espaço pequenino que nos rodeia e onde temos acesso privilegiado.
Vamos dizer às nossas crianças que o lápis cor de pele pode ser de muitas cores, que a miúda a quem não deram a mão na aula de ginástica e que tem um olhar esquisito, é igualzinha a todas as outras e só queria uma mão e que o miúdo que se comporta de forma estranha, está apenas a ser criança e não sabe ser criança doutra maneira. 
Não presumo que estas minhas palavras cheguem muito longe, espero apenas criar algum desassossego nas consciências, assumamos que ninguém é perfeito, que todos temos inseguranças medos e defeitos e que isso não tem mal nenhum. 
E se o defeito for visível a olho nu... sejamos cegos.





Volte-face

Graças às actividades extra curriculares que os miúdos não frequentam mas que são no meio do horário lectivo, há uns quantos dias por semana que macaquito sai primeiro que a irmã. O que para mim se revelou uma grande chatice, para ele é a oitava maravilha do mundo porque assim tem a mãe só para ele e eu faço questão de o deixar escolher o que fazer nesse tempo, sempre que possível.
-Mamã, podemos ir passear?
-Tens trabalhos?
-Não!
-Onde queres ir?
-Ao castelo!
-Ok, vamos mas tem de ser um passeio rápido.
Fizemos o passeio habitual, que costuma demorar mais de uma hora, em apenas quinze minutos, tendo em conta que todos os caminhos a descer e as escadas são feitos com ele ao colo, quando cheguei ao fim estava pronta para ser amortalhada. Rimos a bandeiras despregadas com todos os disparates que dizíamos e fazíamos, as pessoas que desfrutavam da paisagem por ali, riam-se de nós e das nossas macacadas e no final fomos tirar fotos, a pedido dele, no banco em azulejo onde sempre que lá vamos tiramos fotos a pedido dele.
A caminho do carro diz-me que não quer ir buscar a irmã, que ela fica na escola, discurso habitual sempre que está sozinho comigo. Digo-lhe que temos de ir e começa a chorar e a gritar. Entramos no carro e ele fica cada vez mais nervoso, percebo que se não puser travão naquele momento, vou ter uma "birra" até à hora de deitar.
-Macaquito, a ver se nos entendemos. Pediste-me para vir passear e eu vim contigo sem sequer verificar a mochila porque tenho a certeza que tens trabalhos de casa, demos a volta ao castelo como me pediste apesar de te ter dito que não tínhamos tempo, dói-me a barriga de rir com todas as parvoíces que fizemos e tenho a certeza que a tua também, por isso não acredito que estejas a fazer uma birra por causa da mana. Tenho a certeza que estás super feliz e não sei porque estás a chorar. Estás a ser injusto e vou ficar triste contigo. Como é? Vamos buscar a mana com um sorriso? Ou sim ou sopas!
-Sim Sopas, vamos buscar a mana.
-Tu acabaste de me chamar Sopas?
Novo ataque de riso e um dia perfeito até à hora de deitar.


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Sorriso amarelo

Ontem fui ao talho, até aqui tudo normal, não fosse ter decidido ir depois de ir buscar macaquitos à escola, sabendo de antemão que macaquito sempre que entra no talho do Jaquim, (nome fictício) faz questão de mencionar bem alto que "bom, bom é o talho do Manel", apenas três portas acima e no qual nunca entrei. 
-Macaquito, temos de ir ao talho, só te peço uma coisa: não comeces a falar no outro talho que não é uma coisa muito simpática de se dizer. 
-Sim, mamã, prometo. Não vou dizer nada.
Páro no estacionamento, ponho moedas no parquímetro e quando chego ao talho, estava fechado.
-Estás cheio de sorte, finalmente vais poder ir ao talho do Manel. O Jaquim está fechado, por isso vamos já ali.
Entramos no talho, macaquito faz a apresentação habitual, pergunta o nome ao talhante e fica muito surpreendido quando percebe que Manel é só o nome do talho e não de todas as pessoas que ali trabalham. Fala, fala, fala e pergunta tudo e mais alguma coisa sobre a carne, a decoração, as portas, os outros clientes, deixando o funcionário vermelho de rir com tanto disparate. Quando estamos quase , quase a vir embora, dá a estocada final.
-Sabe, a minha mãe não gosta de vir aqui, vai sempre ao talho do Jaquim mas hoje estava fechado!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Macaquito o filósofo... profissional

Senta-se ao meu lado no sofá e pergunta-me:
-Mamã, qual é o sentido da vida?- associei com qualquer coisa que estava a ver na TV mas respondi na mesma.
-Então isso depende de pessoa para pessoa, tem a ver com aquilo que é realmente importante para cada um. Para mim o sentido da vida é ver-te a ti e à mana felizes.

-Ah!Ok.
Foi para a cozinha e perguntou o mesmo ao pai, não consegui ouvir o que o pai disse mas pela velocidade com que voltou à sala suponho que a resposta não tivesse sido satisfatória. Pegou no ukelele, voltou para a cozinha e enquanto tocava, pergunta de novo ao pai.

-Pai, o sentido da vida pode ser tocar guitarra?
-Ó Macaquito, o sentido da vida é fazer o que tu gostas.- diz macaquita intrometida.
-Cala-te! Isto é uma conversa para profissionais.