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terça-feira, 16 de julho de 2019

Não foi por acaso

Para ti miúda, que nunca baixas os braços. Que vais da lágrima à gargalhada em três segundos. Que fazes de adulta mesmo que não te peça e exageras nesse papel porque nem sempre te permito que sejas sempre criança. Desculpa que te faça crescer tão depressa, não era suposto. As voltas da nossa vida oprimiram o meu querer, sei que não te importas, melhor, sei que quase nunca te importas mas um dia, se não cresceres demais até lá, vou ignorar as birras e as queixinhas e poderás de novo ser a menina pequenina que não tem de se portar que nem gente grande. E olha que conheço gente grande que não te chega aos calcanhares.
Parabéns minha pequenina, pelos teus nove anos e por me encheres de orgulho a cada dia que passa. E obrigada, por me fazeres rir com as tuas calinadas dignas de uma miúda de nove anos e de não te importares com isso. De quereres sempre o meu abraço antes de adormecer. De ser o meu colo aquele que preferes para enxugar lágrimas.


sábado, 29 de junho de 2019

O que vale é que se ri de si própria

Enquanto comiam um lanche na praia e eu, chata, chamava a atenção para não porem as mãos na areia.
-Macaquita, lembras-te quando a avó te obrigou a comer o pão com areia na praia? - dizia macaquito entre gargalhadas.
-Obrigou a comer pão com areia??? - pergunto meio estupefacta.
-Sim! - responde ela a rir-se. -Mas não foi na praia, foi no furo do pneu.
-Onde? - pergunto já a rir.
-Oh mãe, tu sabes, aquele sitio onde fomos com a prima e a avó que tem a água mesmo gelada.
-Penedo Furado, macaquita, Penedo Furado!
E de seguida cantou "o carro do meu chefe tem um furo no pneu..." 

terça-feira, 9 de abril de 2019

Minueto

Os teus abraços nunca são sussurrados, apertas-me com força pela cintura ou pelo pescoço e apertas-me por muito tempo, sempre que te deixo nem que seja para dormir. Os teus abraços nunca são sussurrados, nem os teus protestos, sempre que te sentes preterida na atenção. Compreendes todos os porquês mas decerto te dou razão para que te sintas assim.
Quero então que saibas, que o meu orgulho em ti também não é sussurrado, o teu caminho não é mais pequeno, nem tem menos pedras e os teus pés bem assentes na terra sustentam a tua cabeça sempre na lua. Se eu fosse o que se diz de todas as mães, tu nunca duvidarias, por isso, terei de te dizer mais vezes o quanto me orgulho também de ti!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Défice de atenção

-Hoje é terça feira, hoje é terça feira.... -canta macaquita assim que acorda.
-Pois é mas qual é a razão dessa felicidade toda?
-Hoje tenho natação, expressão plástica e ginástica e não vou estar quase tempo nenhum com a professora R. É o meu dia preferido.
Não me faz qualquer sentido pôr as competências académicas à frente de nada que os faça felizes, macaquita adora pintar e tocar violino e é particularmente boa nessas actividades, portanto, que se lixe a negativa a matemática (shiuuu, não a vou deixar ler este post) porque sei que é feliz a fazer um monte de outras coisas. Não consigo deixar de sentir orgulho quando me conta que brincou com aquela colega que ninguém gosta ou que teve vontade de chorar porque ninguém quis dar a mão à menina que tem Síndrome de Down.
-Se eu estivesse lá tinha-lhe dado a mão! - contava-me indignada, depois de toda a turma ter levado um ralhete da professora por causa da situação numa actividade que macaquita não frequenta.
Tem nas artes e nas competências sociais uma habilidade imensa, inversa à sua capacidade de concentração em sala de aula e eu sabendo de antemão que todo o esforço que faz para se sair bem nem sempre é compensado, sublinharei sempre que o coração dela é muito maior que zero que teve no último teste.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

De todos os sorrisos do mundo o teu é o que mais nos importa

-Mãe, hoje sou eu que te vou contar uma história, pode ser? - pediu macaquita.
-Ok, conta lá mas tem de ser uma história pequenina que já passa muito da hora de dormir. 
-É uma história muito bonita sobre uma arca do tesouro. Quer dizer, é uma história sobre o inverno. No inverno as pessoas andam sempre de mau humor, chateadas com tudo, chateadas com a vida, mal dispostas, só dizem coisas más porque estão sempre mal dispostas e zangadas e de mau humor, nunca se riem e só fazem sorrisos à pressa... - contava a sua história de forma atabalhoada, repetindo sinónimos pois é repetindo sinónimos que dá ênfase ao que quer enfatizar. Sorri com a expressão "sorrisos à pressa" indaguei-me onde a teria lido ou ouvido. 
-A Maria um dia estava em casa à espera do pai e correu para o seu colo quando o ouviu chegar, o pai enxotou-a como se enxota um gato e disse-lhe que ela já não tinha idade para andar ao colo e a Maria ficou muito triste... - continuou a história até ao fim e rematou com um " É bonita, não é mãe? "
-É mesmo,  gostei muito mas agora tens de dormir.
-Achas que o pai anda sempre mal disposto por ser inverno?
-Sim, deve ser isso. - respondi-lhe a rir.
-É que ele já não dá gargalhadas e eu tenho saudades de ver o pai rir.
-O pai ri-se, só anda cansado e sem paciência, tens de ter tu paciência.
-Ele ri-se mas é só com a cara, é como os palhaços. Sabes, os palhaços são pessoas, às vezes estão tristes mas fazem rir os outros, riem-se com a cara, não é com o coração. As pessoas têm de se rir com o coração, só assim é que sabemos que estão felizes.
Abracei-a e dei-lhe um beijo de boa noite, sorri com o coração e mais uma vez fiquei com a certeza que alguma coisa estamos a fazer muito bem. Menos, talvez... sorrir!

domingo, 13 de janeiro de 2019

Até que idade se vendem dentes a fadas???

-Mamã, acho que o avô Manel perdeu um dente. - o avô Manel na verdade é bisavô, tem 92 anos e nem estranhei que pudesse ter perdido um dente, só não estava a perceber o porquê da conversa.
-O avô Manel? Então?
-No Natal ele deu-me uma nota e de certeza que ele recebeu a nota da fada dos dentes.
-Da fada dos dentes? Não estou a perceber.
-Lembras-te quando perdi o dente na casa dos avós e estava uma nota debaixo da almofada? A nota que o avô me deu no Natal também estava assinada pela fada Moragui. Por isso de certeza que ele perdeu um dente e recebeu uma nota da fada. 

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Baseado no conto "O rato do campo e o rato da cidade"

Já nem sei o que levou à conversa, estávamos no carro a caminho da escola.
-Eu gostava mesmo de viver numa vivenda.-diz macaquita.
-Tens bom remédio, pegas no pai e vão os dois para a "aldeia", eu fico com o mano aqui e vemo-nos ao fim de semana.
-Tu não percebes, é como a história que o pai inventou no outro dia, os gatos da cidade comem do lixo e os gatos do campo caçam ratos para comer. Eu não quero ser um gato da cidade e comer do lixo. Quero ir para o campo caçar ratos....
... (pausa muito prolongada)

(continua) ...ah! Pois, os gatos do campo são como os humanos que caçam porcos para comer!
-Ah pois é! A malta do campo quando vai ao supermercado anda toda de caçadeira em punho para trazer porcos para casa. - respondo eu sem conseguir evitar uma barrigada de riso.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Alguém?

Macaquita contava-me impressionada o acidente de mota a que assistiu do recreio da escola, contava com os pormenores todos, veio um carro, acertou no senhor da mota que gritou e depois levantou-se e depois veio uma senhora ajudar e o senhor do carro também saiu mas o senhor da mota não se magoou...Quando percebi que não tinha sido nada de grave, comecei na brincadeira.
-Ainda bem que não fui eu, teria sido bem pior.
-Oh mãe! Isso não se diz. Gostavas de cair de mota?
-Claro que não, por isso é que estou a dizer que ainda bem que não fui eu.
-Coitado do senhor...
-Coitado do senhor do carro, ficou com uma amolgadela.
-Pára de gozar. O senhor podia ter-se magoado.
-Era novo ou velho?
-Sei lá, era da idade dos senhores dos correios.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Uma trabalheira...

Depois de os mandar deitar vezes demais, mudei o canal de televisão e lá foram. Resulta sempre. Deitei-me um pouco na cama de macaquito e de seguida fui aí quarto da pequena que, como sempre, começou a fazer todas as perguntas que ficam pendente durante o dia.
-Vá, chega de perguntas, demoraram 20 minutos a vir para a cama por isso hoje não há mais conversa. - digo-lhe.
-20 minutos? Isso são quantos segundos?
-Quantos segundos tem um minuto?
-60!
-Faz a conta, 60 vezes 20...
-Sim mas e um dia, quantos segundos tem?
-Se um dia tem 24 horas e cada hora são 60 minutos tens de multiplicar 24 vezes 60 para achares os minutos e depois multiplicas esses resultado outra vez por 60 para achares os segundos.
-Essa conta é muito difícil, ajudas-me?
-Então 24x60=1440x60=86400 segundos
-Ehhhhh,  então o ponteiro pequeno tem de dar essas voltas todas?
-Sim. - respondi-lhe a rir. - O ponteiro dos segundos dá 86400 voltas todos os dias.
-Coitado, isso é muito trabalho. Um ponteiro tão pequeno...

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Oito e uns binóculos

Nem preciso de a consolar, porta-se que nem gente grande quando lhe explico que neste aniversário não poderei satisfazer-lhe os pedidos, aliás tem um coração e a maturidade que falta a muita gente grande. São oito, só faz oito e tudo o que lhe desejo é que seja sempre feliz, suponho que será pois nem nos momentos mais difíceis perde o sorriso. E que bonito é o seu sorriso!



quinta-feira, 31 de maio de 2018

As prioridades mudam

Por volta dos três anos macaquita, de mão na cintura, pediu-me um telemóvel, um computador e uma máquina fotográfica.
-Cor de rosa, com brilhantes! - rematou.
Esta semana pediu-me, caso eu pudesse, umas chuteiras, um equipamento completo de futebol e uns binóculos.
-Pode ser para os meus anos ou quando puderes.
Mudou muito, é estranho dizer que já sinto saudades das coisas que mais me irritavam quando era uma bebé pespineta. Continuo sem perceber para que quer os binóculos mas um amigo meu diz que é para ver o Mundial de Futebol, afinal a Rússia é longe.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

"Eu não te quero perturbar." Hã?!

Hoje fiz panados de peru (sem glúten) para o jantar porque precisava de qualquer coisa que macaquito pudesse comer frio amanhã, coisa que raramente faço por não gostar do cheiro em casa e especialmente porque não gosto de os alimentar com fritos, como tal, a festa à mesa foi tão grande que pareciam estar a degustar lagosta. Macaquita larga o garfo e começa por dizer.
-Mãe, mãe, na festa do Martim... - o entusiasmo inicial desvaneceu-se de repente. 
-Então?
-Olha mãe, eu não sei se devo dizer isto. Eu não te quero perturbar. - faz uma pausa, põe uma mão no meu peito e outra nas minhas costas. 
-Fala! Agora estou curiosa.
- A mãe do Martim fez uns panados na festa de anos dele, estavam tão bons, comi tantos, uns 5 ou 6, ou mais, acho que comi 8. Eram mesmo bons... estes também estão bons.... mas os da mãe do Martim...




domingo, 27 de maio de 2018

A necessidade aguça o engenho (ou a parvoíce...)

Depois do sarau e como macaquito não ia dormir em casa.
-Mamã, posso dormir na cama do mano?
-Claro, vai buscar a tua almofada e vai para a cama que eu vou já ao pé de ti.- fui ao quarto e acendi a luz de presença como faço habitualmente para macaquito.
-Não gosto nada de dormir com luz.
-Oh, desculpa. É o hábito, eu apago já.
-Não, deixa, não faz mal... 
-Então eu deixo até adormeceres e quando me for deitar, venho aqui apagar.
Por volta da uma da manhã, passei no quarto para apagar a luz e estive a rir-me sozinha até conseguir adormecer.  Querem saber porquê?! Estava ferrada a dormir nestes preparos. 




quinta-feira, 26 de abril de 2018

O amor é gourmet

Desde que me lembro e quase invariavelmente o meu pequeno almoço são torradas e leite. Quando preparo torradas para mim e para macaquita escolho as mais branquinhas para ela e tiro a côdea, é assim que ela gosta. 
Na manhã de ontem, acordei e encontrei macaquito na sala a ver televisão, o resto da macacada dormia ainda, arranjei o pequeno-almoço só para ele, deixei-o comer na sala e fiquei com ele no sofá. Passado um bom bocado, macaquita acordou e veio dar-me um beijinho, desaparecendo de seguida. Algum tempo depois, aparece de novo na sala.
-Mamã, preparei-te o pequeno almoço.
-O pequeno almoço? Que bom, vamos lá ver isso. - segui-a até à cozinha. Em cima da mesa, uma caneca com leite achocolatado e um prato com duas torradas quase carbonizadas.
-Gostas mamã? As torradas estão pretas como tu gostas.
-Pois é, mesmo como eu gosto. - sentei-me e comi sem reclamar, estavam mesmo boas. 
O amor torrado sabe sempre bem.

segunda-feira, 12 de março de 2018

"Usa a manga do meu pijama"

Naquela metade do coração onde estás, filha... Hoje do lado maior sendo que não há dia certo para o lado de cada um, há sempre variáveis, o que se portou melhor, o que me deu o abraço maior, o que está doente e precisa de um pouco de mais amor ou apenas porque sim. Dizia eu, antes de me perder em variáveis imensuráveis. Naquela metade do coração onde estás hoje, filha, alojou-se uma certa paz, uma certeza de que estou a fazer tudo bem e que posso um dia morrer descansada com a premissa de que criei uma grande mulher. A simplicidade infantil das tuas palavras mescladas com a perspicácia e o discernimento que falta a uma boa dúzia e meia de adultos, atraiçoa-me o bom senso e acabo contigo a limpar-me as lágrimas. És tão grande miúda, vou-me lembrar disso na próxima vez que fizeres disparate.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Que aflição, macaquita.

-Mãe, amanhã tenho de levar fato de treino. Vamos ter educação física.
-À quinta? -  perguntei estranhando o dia.
-Sim, a professora disse que íamos treinar para a prova de aflição.
-Prova de quê? 
-Aflição. Deve ser porque como temos de correr, ficamos muito aflitas.
-Prova de aferição. A-fe-ri-ção, não é aflição.
-Ah! Já percebi. Pois... como temos de correr, podemos cair e ficar feridas. 
Depois de me rir um bocadinho lá expliquei o que quer dizer aferir.



domingo, 28 de janeiro de 2018

Quem me dera

Percorrer as calçadas do castelo que já conhecemos de cor, roubar limões e alfazema que nos perfumam os bolsos, seguir pela mata contigo agarrada ao meu vestido nas subidas e pela mão em cada socalco lamacento. Ao fim de duas horas, perguntas se é sábado ou domingo. Domingo, digo-te sem hesitar e tu respondes "faz com que não acabe" como se  me fosse possível descartar o calendário. O máximo que posso fazer é guardar todos os minutos dentro da máquina fotográfica, se pudesse parava o relógio e guardava-te também, assim pequenina.



segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Ser crescida

- Mamã, a escola ao lado da nossa é para os meninos do 5º ano, não é?
- Sim, pertence ao mesmo agrupamento.
- E o mano vai para lá para o ano?
- Se tudo correr bem vai, se estiver preparado.
- Eu acho que ele não está preparado, é melhor ele não ir.
- Logo se vê, ainda falta muito para acabar o ano.
- Pois mas eu tenho medo que ele vá, ele até pode estar preparado para as aulas mas tenho medo que lhe batam ou que gozem com ele.
Partilhamos exactamente as mesmas preocupações, inquieta-me perceber que o fardo, que lhe passo involuntariamente, seja talvez demasiado pesado.  Queria agora que ela vivesse a plenitude dos seus 7 anos, que fosse só criança ao invés de ter de gerir medos e emoções que não lhe estão destinados. A dada altura da sua pequena vida, achei que lhe devia explicar por que raio é que tolerava certos comportamentos do irmão e não a ela, expliquei-lhe também que ela deveria ser mais tolerante com ele mesmo que recortasse tudo mal ou não soubesse desenhar uma casa, ela teria uns 4 anos e respondeu-me que tinha entendido tudo, que o irmão "tinha uma doença, na cabeça", não foi nada do que lhe disse mas foi assim que ela entendeu. Nesse dia sorri, achei graça à sua percepção, longe de mim imaginar que nesse dia lhe vesti um colete de areia, daqueles que tanto se fala agora, que são bons para os meninos como o irmão e que pesam 7 quilos, só que o colete não lhe deu apenas informação proprioceptiva, criou-lhe um vínculo, uma imposição de maturidade, uma obrigação que eu nunca quis que tivesse, ou pelo menos, não tão cedo. 

domingo, 14 de janeiro de 2018

2 Rodas 0 Cérebro

Os meus filhos não sabem andar de bicicleta sem rodinhas, a macaquito  até desculpamos por todas as questões relacionadas com desenvolvimento, motricidade, etc. Já ela não tem desculpa, houve uma altura, bem mais pequena que até arriscava e esteve quase lá, depois assustou-se ou magoou-se ou preguiçou, o que é certo é que ainda não sabe mas tem vontade.
-Tens de treinar o equilíbrio, muitas e muitas vezes até conseguires. - dizia-lhe o pai ao almoço. - Quando deres por ela estás a andar.
-Quando der por ela? - perguntou confusa, nunca entende este tipo de expressões porque interpreta tudo à letra.
-É maneira de falar, quando menos esperares, consegues andar sozinha.
A seguir ao almoço, lá foi ela para o quintal, treinar na bicicleta sem rodinhas. Os avós chegaram e enquanto macaquito foi dar um passeio com o avô, eu e a avó conversávamos junto à lareira.
-Mãe, mãe, tu não vais acreditar. - entra de rompante na cozinha, completamente histérica. - "Eu dei por ela" e consegui andar sozinha.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Na minha casa são sempre moedas

A dois dias do Natal o segundo incisivo de macaquita estava prestes a cair, ao contrário de macaquito, todo o processo se tem desenrolado naturalmente, nada de quedas, nada cabeçadas. Cada dente, um milhão de perguntas sobre fadas. De que tamanho será a fada? Não pode ser demasiado pequena ou não aguentará o peso do dente. Será que a fada vem se por acaso dente cair na noite de natal? 
Essa nem eu sei responder e a pergunta dá azo a mais um rol de histórias, invenções e questões pertinentes. Será que o mundo do pai natal se mistura com o mundo das fadas? Ou seja, imaginando que a fada vem ao mesmo tempo que o pai natal será que ambos vão deixar presentes? Afinal é tudo magia, no entanto, não sabemos se eles se conhecem e acima de tudo se se misturam. Cá por casa é uma experiência nova para todos, portanto ninguém arrisca a atar o fio para soltar aquele nico que ainda prende o dente à gengiva. Optamos por esperar pelo dia 25.
Logo pela manhã, a madrinha de macaquito faz as honras e a petiza delira, sorriso de orelha a orelha, ao olhar para ela só me lembro da Fossa das Marianas de tão enorme que está falha. No meio de todo o bulício natalício, quando chega a hora de ir dormir esqueço-me completamente do dente, ela não! Aparece-me de manhã desconsolada com o dente na mão. Lá invento que a fada não fez a troca visto que a tia Maria se foi deitar ao pé dela e as fadas não trocam dentes com adultos presentes. Concordamos que o melhor é levar o dente para casa dos avós e experimentar a colocar de novo debaixo da almofada.
Ligo à noite para falar com os dois, quando chega a vez dela:
-Olha mamã, já sei o nome da fada. - diz-me entusiasmada.
-Fada? Qual fada? - pergunto eu sem me lembrar de toda a confusão anterior.
-A fada dos dentes. Chama-se Moragui. - pronuncia a palavra como sendo aguda, acentuando o "gui".
-Moragui? Como é que sabes?
-A fada escreveu o nome dela.
-Escreveu onde? - pergunto cada vez mais confusa e a pensar que parvoíce teria o meu pai inventado desta vez, visto que ele consegue ser pior que eu no que toca a inventar histórias.
-Na nota que me deixou. Ela levou o dente e deixou uma nota de 5€ mas assinou o nome dela!