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domingo, 13 de janeiro de 2019

Até que idade se vendem dentes a fadas???

-Mamã, acho que o avô Manel perdeu um dente. - o avô Manel na verdade é bisavô, tem 92 anos e nem estranhei que pudesse ter perdido um dente, só não estava a perceber o porquê da conversa.
-O avô Manel? Então?
-No Natal ele deu-me uma nota e de certeza que ele recebeu a nota da fada dos dentes.
-Da fada dos dentes? Não estou a perceber.
-Lembras-te quando perdi o dente na casa dos avós e estava uma nota debaixo da almofada? A nota que o avô me deu no Natal também estava assinada pela fada Moragui. Por isso de certeza que ele perdeu um dente e recebeu uma nota da fada. 

domingo, 6 de maio de 2018

Ninguém se riu... ou disfarçaram muito bem

Sala de espera de uma consulta menos habitual, várias pessoas a aguardar, macaquito brinca no chão enquanto conversa comigo. De repente levanta-se, chega-se perto de mim e diz.
-Mamã, posso perguntar uma coisa?
-Claro! - respondo-lhe.
-Eu vou ter pêlos na pilinha?
-Sim, claro que sim. Faz parte do crescimento, os meninos ficam com pêlos na pilinha e as meninas no pipi. - reparo que todas as orelhas estão no ar mas continuo a conversa tranquilamente tentando mantê-la entre nós dois.
-Mas eu não quero.
-Pois mas vais ter, é normal. Não te preocupes, depois habituas-te.
Sai do pé de mim, volta para a sua brincadeira na outra ponta da sala e grita de lá para mim.
-EU NÃO QUERO TER PÊLOS NA PILINHA!

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Tão crédulo

Após uma noite de 4 horas e meia, mal dormidas, seguimos viagem até Lisboa para mais uma consulta, não se cala um minuto e não há sono que resista a tanta tagarelice. Nevoeiro cerrado até Vila Franca, ao chegarmos à zona do aeroporto, o trânsito em pára-arranca, por coincidência começam a dar as notícias do trânsito na rádio. 
-Olha mãe a Inês Lopes Gonçalves deve estar a ver-nos nas câmeras do trânsito.- ainda lhe admiro a capacidade de reconhecer todas as vozes da rádio  mas respondo em tom de gozo.
-Sim, sim, provavelmente está!
Estranho a ausência de resposta, espreito  pelo espelho e vejo macaquito a acenar vigorosamente para a janela.

domingo, 5 de novembro de 2017

E vão 3

Entrei na cama de mansinho, sempre que estamos sozinhas muda-se de armas e bagagens para o meu aconchego e na sua bagagem levava o seu terceiro dente e uma pequena fada em papel que desenhou e arrumou meticulosamente debaixo da almofada. No silêncio apenas ouço a sua respiração pesada que me dá a confiança para fazer a troca e perpetuar o ritual de magia que ainda lhe preenche os sonhos.
De manhã sou bombardeada com as perguntas de sempre.
"Viste a fada?"
"Ela levou o desenho, achas que gostou?"
"As fadas levam os dentes para comer ou transformam-nos em estrelas?"
"Os teus dentes ainda estão no céu como os meus ou já desapareceram?"
"As estrelas que são dentes, são como o sol?"
Não tenho a lição bem estudada, invento respostas à medida que as perguntas surgem, por isso nunca dou duas vezes a mesma resposta, não obstante, ela acredita piamente em todas elas, mesmo as mais atabalhoadas  e eu comovo-me com essa ingenuidade.
Vou continuar a povoar os sonhos deles de magia e histórias da carochinha, mesmo que mal contadas e com pormenores dúbios, por aqui vão existir fadas, pais natal e duendes, renas coxas que mudam de nome a cada ano, coelhos falantes e dedos que adivinham os seus disparates até que tenham 20 anos, ou talvez menos... E eu vou continuar a acreditar que eles serão sempre meus até quando me dizem em resposta a um mimo " ahhhhhh, eu já não sou bebé!"


quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Ele não come doces

Nem bolos, por causa das intolerâncias alimentares mas cumprindo a tradição lá foi com a irmã pedir os bolinhos pela manhã. A aldeia é grande mas eles vão sozinhos pois não saem da rua onde temos a casa, vizinho sim, vizinho não, um ou outro familiar até que chegaram à casa de uma prima com cerca de 90 anos.
"Bolinhos, bolinhos, à porta dos santinhos"
-Oh, que pena, não tenho bolinhos mas tomem lá um dinheiro.
-Dinheiro? Não é para dar dinheiro, hoje é dia de bolinhos.
E voltaram para casa de bolsos vazios mas com "umas bolachas tontas" na saca como a tia fez questão de nos vir contar.