terça-feira, 16 de maio de 2017

Absurdos

Dou-vos macaquito exactamente como ele é, privilegiando obviamente as histórias divertidas que nos preenchem a maior fatia do nosso dia a dia. Seria redutor falar apenas na sua condição rara ou no seu autismo porque isso é apenas uma pequena parte da criança fantástica que é mas serão com certeza motivos para amá-lo ainda mais. Quão estranho foi sentir que no momento em que saiu de mim e que o olhei pela primeira vez apenas me deleitei com os pormenores, a boca perfeita, o nariz arrebitado e a penugem que lhe cobria a cabeça, não me apaixonei naquele momento, amava o todo há tanto tempo que nem saberia dizer em que ocasião fui tomada por aquele amor e nem os defeitos todos do mundo poderiam quebrar a validade do selo branco que o autentica.
Por tudo isto talvez, em dias como os de hoje, em que faz muitos disparates e recebo queixas poucos habituais à porta da escola, inunda-me uma tristeza e apetece-me castigá-lo e até dar uma palmada mas depois lembro-me que afinal o meu filho não é uma criança como as outras e que precisa de ouvir vinte vezes, ou vinte mil, que não precisa de ser o palhaço da escola para ter atenção das outras crianças. E ao deitar, confesso-lhe mais uma vez o meu amor incondicional, explico-lhe que não precisa de regatear atenção porque a tem de quem importa e formato-o para fazer um pedido de desculpas sincero à professora que tem por ele um amor parecido com o meu.
E depois fico mais uma vez a pensar nas incongruências de ter de formatar uma criança para que ela distinga o certo do errado.  





quarta-feira, 10 de maio de 2017

Gosto de cumprir com as minhas promessas

Como de costume as perguntas difíceis surgem sempre quando a vou deitar, deito-me junto dela e ela enrola-me com pedidos de histórias e perguntas. quando todos os argumentos pareciam esgotados, ela sai-se com esta:
-Mamã, o que é um canguru na mama?
-Um quê?
-Um canguru na mama.  A M. disse que uma senhora tinha um canguru na mama e depois ficou sem cabelo.
Depois de me rir 10 segundos imaginando a confusão naquela cabecinha, optei por lhe explicar de modo ligeiro sobre o cancro em geral, com a promessa final de que nenhum de nós teria de usar uma peruca. Apesar da tranquilidade e ligeireza na explicação, optei por omitir o desfecho menos optimista mas tenho a certeza que esta noite a cama terá mais um inquilino. 

segunda-feira, 8 de maio de 2017

segunda-feira, 1 de maio de 2017

A Senhora dos Papagaios


                                                50 tentativas depois, ainda ficou um olho.

"A melhor corrente blogosférica de sempre" começou aqui. E continua aqui e depois é continuarem a procurar que a Palmier tem os links todos.

domingo, 30 de abril de 2017

Falta-me poder de argumentação

Numa das nossas intermináveis conversas apenas com o intuito de protelar a hora de dormir, macaquita começa a falar da avó e do quanto gostaria que ela morasse mais perto de nós.
-Ainda por cima ela é nossa amiga. - dizia.
-Pois é, a avó gosta muito de nós. - respondo-lhe.
-Mas ela tem um problema, tem medo de cobras.
-É normal, as pessoas têm medos, por vezes nem se consegue explicar bem porquê.
-Sim mãe mas ela tem medo da minha cobra de peluche.
-Ok e tu tens medo do escuro, também me parece pateta ter medo do escuro.
-Daaaahhhh, a sério mãe? Eu não tenho medo do escuro de peluche!  

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Suponho que correu mal

Liguei-lhe à noite, atendeu feliz e com o discurso do costume.
-Boa noite mamã, em que posso ajudar?
-Olá macaquito, como estás?
-Estou bem, estou aqui a brincar com os avós aos professores.
-E o que andaste a fazer hoje?
-Olha, estive a trabalhar. - o que quer dizer que esteve a fazer TPC's.
-Então e correu bem? - perguntei sabendo que no dia anterior a coisa não tinha sido muito pacífica.
-Espera! Tenho de ir para trás do cortinado.
-Do cortinado? Não me digas que é para ninguém te ouvir?

...

...
 
-É só para te dar um beijinho e desejar uma noite descansada. - e desligou sem passar o telefone à avó como habitualmente.