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quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

1910

Enquanto almoçava com a mais pequena, faço um comentário qualquer sobre o Trump e ela pergunta-me imediatamente por que razão disse o que disse. Prevendo as 31567 perguntas seguintes, digo-lhe que são coisas da politica dos Estados Unidos e que é difícil de explicar.
-Ai, se fosse no tempo do Salazar, não podias dizer essas coisas. Podias ir presa!
-É verdade, macaquita. Mas uma coisa que o 25 de Abril nos trouxe foi a liberdade de expressão. Que é o que nos permite poder dizer um chorrilho de disparates e ninguém nos poder levar preso.
Entretanto contei-lhe umas quantas histórias sobre a ditadura em resposta a uma quantidade de perguntas que me foi fazendo.
-A professora bem me disse para te perguntar sobre o Salazar e o 25 de Abril, tu ainda te lembras?
-Não sou assim tão velha. - respondi-lhe a rir. -Mas sei o que aprendi na escola, o que li e o que algumas pessoas que viveram o 25 de Abril me contaram.
-E o avô, também meteu cravos na espingarda?
-Não mas esteve no Ultramar na guerra e ainda era militar quando se deu o 25 de Abril.
-E a avó?
-A avó não foi à tropa (risos...) mas lembra-se bem da ditadura.
-Então tu nasceste em 1970, não foi?
-Não, nasci em 77.
-E a avó?
-A avó nasceu em 1951.
-Ah pois é, ela ainda é do tempo dos reis!!!

sábado, 29 de junho de 2019

On Off

Cerca das 22 horas, enquanto dávamos um passeio.
-Mamã, o mar a esta hora ainda está ligado?
E agora sou eu quem pergunta :
-Estás a falar a sério??! 



sexta-feira, 26 de abril de 2019

Um dia deixo de o levar à rua

Fui beber um café e levei macaquito, sentei-me na esplanada e ele entrou para se meter com o dono do estabelecimento. Após uma catrefada de disparates que eu ouvia-a perfeitamente de onde me encontrava, apercebe-se que ainda não meteu conversa com um dos senhores presentes, apesar de não o conhecer.
-Bom dia cavalheiro, então como está o meu caro amigo? - pergunta no seu tom mais formal.
-Bom dia, olha, mais ou menos, estou mais ou menos. - responde-lhe o interpelado.
-Então, o que se passa? A sua esposa não o faz feliz? 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Da perda

Quase sete meses passados sobre a morte do meu pai, macaquito começa agora a compreender a dor da saudade, a maturidade emocional que lhe achámos era, na verdade, incompreensão. Chora a impossibilidade de rever o avô, percebe agora que é irreversível, que não podemos ir buscá-lo lá ao sítio onde o deixámos. Mas o avô não queria morrer, diz-me com a voz embargada e eu explico-lhe da maneira que sei, com as palavras mais doces que sei, que a saudade pode ser boa, que é o bocadinho dele que temos no nosso coração que não nos deixa esquecê-lo e que será sempre parte do que somos. Digo-lhe, sem acreditar, que esteja onde estiver o avô nos acompanha e nos protege e estará feliz se nós também estivermos, minto-lhe deliberadamente porque não tenho outra forma de lhe mitigar a dor.
No fundo não sei nada da dor dele, ele explica-se por analogias a que tento dar expressão e valor mas não sei se consigo com exactidão uma medida para essa dor. E ao mesmo tempo que se confronta com a dor da morte percebe da pior maneira que também se perde pessoas vivas, depois do silêncio confuso a que me votou nos últimos dias, chovem agora chorrilhos de perguntas a que não sei de todo responder. Invento razões que ignoro, digo-lhe que às vezes as pessoas se sentem tão sozinhas que não querem ver ninguém mas não espero que compreenda. Enxugo-lhe as lágrimas e envolvo-o entre os meus braços e espero desta forma apaziguar as suas emoções porque sei que não há palavras que o consigam consolar.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

As três luas

Já há muito tempo (tanto que não me lembro desde quando) que macaquito me pergunta sempre que se lembra o que quer dizer o sinal de trânsito com três luas. Fartinha de puxar pela cabeça e não conseguir perceber, perguntava-lhe se era um sinal de informação, perigo ou obrigatoriedade e ele não me sabia responder. Desde muito pequeno que ele reconhece e sabe o nome da maioria dos objectos, mesmo os menos comuns, no entanto, sempre teve muita dificuldade em distinguir caso lhe sejam apresentados numa forma menos habitual, daí ter percebido desde a primeira vez que seria qualquer outra coisa que não luas mas andava muito curiosa sem conseguir chegar à resposta. 
Finalmente percebi quando passávamos numa ponte na autoestrada e ele me tornou a perguntar, mais uma vez nem tinha reparado mas lembrei-me que naquele sítio existe um sinal destes:
Confirmei com ele e sim, confere, na cabeça dele são três luas e não uma manga de vento e eu fico a pensar que é bem bonito ver luas num sinal de perigo É lá que anda sempre... na lua.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Contrato sem termo

Chego a casa e o pai conta-me que durante a manhã macaquitos se tinham desentendido por causa da consola e na sequência do desentendimento Macaquito" afiambrou" a irmã.  Pouco depois ele chega da rua.
-Mamãaa, chegaste!
-Dá cá um abracinho... hummm, tão bom. E então, como foi o vosso dia? O que fizeram?
-Jogámos consola, andei de bicicleta, a mana jogou à bola no campo....
-Que bom! E correu tudo bem? - de imediato fica com um ar constrangido.
-É melhor perguntares ao pai...
-Não me parece, se alguma coisa correu mal eu quero que tu me contes.
-Sabes, a mana estava a jogar e não fez o jogo que eu queria, eu enervei-me e bati-lhe. Desculpa...
-Não tens de pedir desculpa a mim. Sabes que isso não se faz, que é errado, eu também me zango e não te bato. É normal ficares zangado e enervado mas não resolves os problemas a bater. Se isso tornar a acontecer, eu vou zangar-me a sério contigo.
-Sim mamã, desculpa! Mas... mas... Só há uma coisa que eu não entendo...
-O quê?
-Porque é que contrataste a mana?- fiquei a olhar para ele com cara de "hã?", ele prosseguiu com a questão. - Porque é que a contrataste? Se já me tinhas a mim, o teu filho mais velho e preferido, não a devias ter trazido cá para casa.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Formalidade e seriedade que ele não brinca em serviço

Um dos professores da escola de música de macaquitos foi ao ATL da escola de macaquitos com umas alunas para tocarem para os miúdos. O professor meteu-se com macaquito que não o reconheceu fora do habitat natural. 
-Como é que sabe que me chamo macaquito?
-Então, conheço-te da escola de música.
-Pode dizer-me o seu nome completo? 
-Claro, sou ...... .......!
-Ah, já sei! Temos uma amiga em comum.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Ser loira... #post 52361845253365

Macaquita teve a sua estreia na orquestra de cordas, apesar da tenra idade dos músicos, a coisa até correu muito bem. Tirei um montão de fotos e partilhei duas, uma pessoa muito querida dos dois mas especialmente especial de macaquito, comentou "Falta o acordeonista." Enquanto respondia, ria-me dos comentários e macaquita pergunta porque é que me estava a rir e eu mostro-lhe o comentário.
-Falta o quê?
-O acordeonista. -respondo achando que ela não tinha conseguido ler. 
-O quê?
-A sério, macaquita?! Quem é o acordeonista?
-O que acorda as cordas????

terça-feira, 25 de julho de 2017

Macaquita é um cromo... dos difíceis!

Enquanto lia a capa de um livro.
-Porto Editora... o que é porto Editora mamã?
-É a loja que faz os livros.
-É uma fábrica de livros?
-Não é bem,. É onde decidem o que vai ser feito, os desenhos, os textos, as capas, depois os livros vão para a fábrica para serem impressos.
-Pensava que era um senhor que fazia os bonecos à mão e depois colava as páginas. Eu já vi fazer isso.
-Sim, antigamente os livros eram feitos à mão, hoje em dia são feitos em fábricas que se chamam tipografias.
-E no Inverno?


Hâ?!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Eu fico muito baralhada e ela também

-Mãe, mãaeee?
-Sim...
-Hoje tens teatro?
-Não.
-Ah! Eu sabia.
-Se sabias porque é que perguntaste?
-Porque pensava que ias dizer sim.
....

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Pertinente

Já nem sei como começou a conversa mas no caminho para casa macaquito só falava em frangos. A dada altura a irmã pergunta:
-Os frangos são patos?
-A sério, macaquita? Os  frangos são galinhas, nunca viste lá no avô? São os filhos das galinhas, os que nunca chegam a galinha nem galo. Podes chamar-lhes galinhas adolescentes.
-Os filhos das galinhas são os pintainhos.
-Sim, são pintos antes de chegarem a frango.
-Ah, já percebi. Outra coisa, quando os ovos partem a casca, saem de lá os pintainhos, não é?
-Sim.
-Então por que é que dos ovos que temos ali na caixa só saem ovos estrelados?

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Ela é mais bolos...

-Mamã, como é que se fazem os bonecos que nós vemos na televisão? - pergunta macaquita.
-Chamam-se desenhos animados, são feitos por pessoas que se chamam designers. Eles desenham os bonecos em várias posições e depois as imagens são gravadas num computador e como passam muito rápido dá a sensação que se estão a mexer. Vou mostrar-te. - peguei num bloco, desenhei um bonequinho em várias folhas e passei as folhas muito rápido para que visse o boneco em movimento.
-Percebeste? A mãe fez no bloco mas hoje em dia é quase tudo feito em computador.
-Eu acho que sou capaz de fazer. Isso é uma profissão, não é?
-Sim.Tu gostas tanto de desenhar, quando fores mais velha, podes escolher um curso para poderes trabalhar como designer de animação.
-Sim, eu gosto mas não posso. Eu já te disse que vou ser pasteleira. 
Concluo que os meus filhos têm os objectivos de vida muito bem definidos, um será carteiro e a outra pasteleira. 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Remas tu!

Ao deitar.
-Mamã, na Austrália já é de dia?
-Sim.
-E em Macau, já é de dia?
-Não sei exactamente a diferença horária mas julgo que deve estar a amanhecer.
-Podemos ir a Macau de carro?
-Poder, podemos mas é muito longe. É uma península no sul da China, a China é muito longe.
-E de comboio? Podemos ir de comboio.
-Deve ser possível mas..
-Espera, ainda não acabei. Podemos ir de avião, podemos ir de helicóptero.
-De avião é a melhor maneira e mais rápido.
-Não! Vamos num barquinho a remos que eu sei que Macau é no mar.