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segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Não sei se desabei ou se desabafei

Estava ligeiramente irada, ligeiramente é como quem diz, a espumar. Pela primeira vez berrei com macaquito, nem sei se berrar é o termo, acho que foi mais um rugir. 
Foi meio incrédula que, ainda na escola de música, ouvi o relato de como se passou com os colegas, interroguei-o sobre o porquê de tudo aquilo com alguma calma, segurei-me para não me rir na parte em que me dizem que conseguiu ofender todos os colegas mais anafados com tantos adjectivos diferentes que a professora não conseguiu repeti-los todos, já não achei tanta piada ao chorrilho de asneiras que destilou sem olhar a quem. Há que valorizar a riqueza do vocabulário mas não posso permitir que perca as estribeiras, a vergonha e a educação, tudo ao mesmo tempo. Para colmatar a coisa em grande, chegados a casa, abro a mochila para pôr a lavar pois tinha rebentado um pacote de sumo lá dentro e percebo pelo estado em que se encontram os livros, dossier e algum material escolar, que o rebentamento só poderia ter acontecido devido a um embate a não menos de 150 km/h. 
Saltou-me a tampa! Chamei-o ao quarto e dei-lhe o raspanete de uma vida, castiguei-o por duas décadas e ele, sem me responder, logo ele que tem sempre resposta para tudo, esperou uma pausa e um virar de rosto, para fugir de fininho, pé ante pé antes que eu concretizasse alguma das ameaças que me fugiram à boca naquele curto espaço de tempo. 

domingo, 18 de novembro de 2018

Sol de São Martinho

Foi capricho meu pensar que subiria a escadaria rumo ao espaço e encontraria no seu topo as respostas a alguns dos teus enigmas. Sei que é em Saturno que te encontras, que em Marte tens a tua segunda cor preferida e em Neptuno a primeira. Depressa percebi que não há respostas nas estrelas, que passear pé ante pé na Via Láctea não me faria encontrar-te, não és de outro planeta, não és satélite nem cometa, és azul do espaço e é ao espaço que tornas para te encontrar mas não é lá que moras.
Revolvo galáxias repletas de outros planetas e constelações e não encontro absolutamente nada que me permita compreender os teus mistérios, volto à Terra sem respostas mas cheia de certezas, é no meu colo que encontras consolo, nos meus abraços apaziguas incertezas e saudades e nas minhas palavras procuras conselhos até para as tuas inconveniências. E isto é o que me basta, a certeza do amor que temos.




segunda-feira, 14 de maio de 2018

Nunca deixarei de me rir

Domingo passado foi a primeira comunhão ou "comunião", segundo macaquito (o que faz algum sentido...) da minha sobrinha. Eu não pude estar presente mas o relato dos acontecimentos chegou rápido, especialmente o do final da cerimónia, quando macaquito roubou o microfone da mão do padre e aconselhou todos os "comuniados".
-Desejo a todos um resto de bom dia, espero que tenham gostado e não se esqueçam de portar bem, fazer os trabalhos de casa e ajudar o senhor padre na igreja!
E depois o senhor padre tentou dar-lhe um abraço mas já não conseguiu porque ele raspou-se assim que percebeu que a avó estava a levantar-se para ir embora. 
Ela diz que não mas eu penso que estava a fingir que não o conhecia.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

O nosso universo

Quis o calendário escolar que hoje recomeçasse a escola após um período de quinze dias de maus hábitos de sono, zero reclusão, zero regras, enfim, quase zero rotinas ao contrário do habitual durante o tempo de aulas. 
Quis o ministério da educação que as crianças voltassem à escola para gaúdio de  alguns pais e verdadeira tortura para outros como eu que desfrutam de uma tranquilidade familiar quase absoluta quando os rebentos estão de férias pois se não há obrigatoriedade de ir dormir cedo, há dias de mimo em casa dos avós, há passeios infindáveis pelo campo, então não há crises existenciais (a não ser na hora de tomar banho, coisa que os meus filhos fariam de bom grado apenas de quinze em quinze dias caso eu o permitisse).
Quis a sociedade que as férias acabassem mas não quis macaquito, portanto hoje, o meu dia e o dele, especialmente o dele, foi um tormento, choro para acordar, choro para o pequeno-almoço, choro para vestir, lavar dentes, calçar, pentear, sair de casa, entrar na escola, choro na hora (e meia) de almoço, choro para entrar de novo na escola e um sorriso de orelha a orelha, assim que me viu à saída das aulas.  
-Têm TPCs? - pergunto ainda o carro.
-Não! - responde macaquita.
-Eu tenho de estudar e acabar um trabalho. - responde ele e eu começo logo a imaginar a próxima sessão de choro.
Ainda durante o lanche vai à mochila, tira o caderno e mostra o que tem para fazer. Estudar o sistema solar e preparar uma apresentação oral. No mesmo momento tive a certeza que conseguia fazer aquilo sem recorrer a psiquiatras.
Ele era o sol e macaquita a terra, movimentos de rotação e translação no meio do quarto, os planetas distribuídos pelo universo que contempla bananas e outras frutas alien, uma barrigada de risota e a matéria sabida na ponta da língua.
É por dias destes que nunca desisto.


sábado, 17 de fevereiro de 2018

Formalidade e seriedade que ele não brinca em serviço

Um dos professores da escola de música de macaquitos foi ao ATL da escola de macaquitos com umas alunas para tocarem para os miúdos. O professor meteu-se com macaquito que não o reconheceu fora do habitat natural. 
-Como é que sabe que me chamo macaquito?
-Então, conheço-te da escola de música.
-Pode dizer-me o seu nome completo? 
-Claro, sou ...... .......!
-Ah, já sei! Temos uma amiga em comum.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Felizmente não vivemos em Bragança, é que já diziam os Xutos, são 9 horas de distância!

Os 5 minutos que levamos todos os dias a chegar à escola, são sempre repletos de parvoíce. Na pior das hipóteses porque macaquitos decidem embirrar um com o outro, habitualmente porque macaquito me pede para fazer par com ele na imitação de personagens da rádio ou dos desenhos animados. Como são 5 minutos, acaba por ser um bom exercício de relaxamento. O problema põe-se quando as viagens são maiores, ele não se cala um minuto e não aceita nãos como resposta.

Sinopse da última viagem a Lisboa:

-Mãe, agora eu sou o Bruno Aleixo e tu fazes de Busto.
-Mas eu não sei as falas...
-Eu ajudo, não te preocupes!

15 minutos depois:

-Agora és o revisor do Comboio dos Dinossauros, eu sou o Dudu.
-Ok. - digo eu. - Vou começar. "Túnel do tempo, vamos entrar no túnel do tempo. Próxima paragem: Cretáceo Inferior!"
-Não, ainda não é agora, só quando passamos debaixo das pontes....

10 minutos depois:

-Eu sou o Ryder e tu és o Rocky da Patrulha Pata.
-Ehhhhh, eu não quero ser um cão.
-É só a brincar, vá, tu consegues mãe.
-Ok mas é a última, a partir das portagens há trânsito e eu tenho de me concentrar na estrada. - digo na esperança de me safar mas ele não desiste.

Outros 10 ou 15 minutos:

-Vamos jogar ao Carteiro Paulo, o episódio da lavagem dos carros
-Eu sei lá qual é esse episódio!
-Eu ajudo, as falas que não souberes eu digo baixinho. - de notar que ele sabe as falas de cada personagem, de cada episódio, de cada desenho animado, de cada canal infantil...
-Olha, eu sou o gato. - penso para mim que sendo o gato só tenho de miar, nem tenho de prestar muita atenção às falas.
-Ok, eu sou o Paulo: "Carteiro Paulo, os rolos da lavagem do não-sei-quantos" Tuuu, tuuuuu (som de telefone a chamar). Ah, olá Bento, queres que vá buscar uma encomenda onde?

 (Silêncio da minha parte, afinal sou o gato).

-Bento, Bento, estás a ouvir?

 (Continuo em silêncio)

- Bento? .... .... .....  MÃE, IMPORTAS-TE DE FAZER DE BENTO?
-Mas, mas... eu sou o gato...
-O Kiko só mia, não me digas que não consegues fazer outra fala??!

Eu podia dizer "desisto" mas ele nunca consentiria. Também vos podia contar quase tudo da hora e meia de viagem (excepto as falas) mas não vos quero roubar muito tempo.


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Telecomandar a vida

Não sou muito preocupada em ter a casa toda arrumada, aliás, isso só acontece de muito em muito tempo mas se há alguma coisa que detesto são sapatos fora do sítio. Macaquita é useira e vezeira em deixá-los bem no meio da sala, já ele assim que se descalça vai arrumá-los no sítio certo. As férias foram madrastas em muitas rotinas e alguns (dos bons) hábitos já incutidos ficaram algures perdidos na casa dos avós. Hoje, quando chegámos a casa, eles foram para a sala brincar e quando dou por ela tenho uns ténis e uns chinelos de praia, ambos de macaquito, espalhados pela sala. Percebi pela reacção dele, assim que lhe pedi que fosse arrumar, que iria dar direito a uma birra enorme de tão feliz que estava com o carro telecomandado. Então resolvi improvisar:



Fosse eu tão capaz a gerir as minhas próprias frustrações como sou com as dele e tenho a certeza que seria bem mais feliz!

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Armários, portas, cacifos...

Já lá vão uns meses desde a história do "magnifique" depois da adaptação a essa rotina que foi a de se fechar no armário em casa e falar uma espécie de francês, todos os dias antes de se deitar, outras daí advieram, entre as quais a de se fechar nos cacifos da piscina sempre que vamos às aulas de natação. Aproveita sempre o momento em que arrumo a tralha na mochila para se fechar num cacifo sem fechadura e fazer um pequeno teatro comigo em que ele assume o papel de Monsieur Magnifique, génio malvado que me rapta macaquito e o leva para o deserto ou para o espaço,  apenas depois de eu fazer um monólogo zangado com a porta do armário, lá aparece um macaquito feliz por estar de volta. 
Ora numa das aulas de macaquita, em que tive de o levar também, enquanto eu ajudava a irmã a vestir o fato de banho ele ficou sentado num banco a aguardar. No meio da confusão de um balneário infantil cheio de meninas começo a discernir um tum tum tum pouco habitual, levo dez segundos a processar até que resolvo procurar no lado oposto ao que nos encontramos e para espanto de todas as mães que ali se encontram, sai um rapaz muito esbaforido e atrapalhado de um cacifo que tinha uma fechadura funcional. Desta vez não lhe saiu nada em francês tal foi a aflição que passou quando percebeu que estava trancado.
Passado uns tempos, noutro dia de piscina, no curto caminho que separa o estacionamento da porta principal, deixei de o ver. Corri para dentro do complexo e nada, perguntei a todas as pessoas que ali se encontravam e nada, agarrei no cartão dele, passei nos torniquetes na esperança de que estivesse no balneário à minha espera, entrei e nem sinal dele, paniquei. Voltei atrás e nada, volto ao balneário e chamo por ele e nada, até que de dentro do cacifo (o tal sem fechadura) sai um macaquito todo nu, a falar francês. 
-Conseguiste  despir-te sozinho?! Muito bem, para a próxima vamos tentar isso fora do armário, ok? - foi a única coisa que consegui dizer, sem me rir não vá este disparate tornar-se rotina também.


sexta-feira, 9 de junho de 2017

Não me chamem menino

Faltavam dez minutos para a aula de música, sentei-me com eles na esplanada a beber um café. Na mesa do lado um labrador manso e brincalhão, apesar disso, grande o suficiente para deixar macaquito em pânico e mantê-lo sossegado na cadeira. Pediu-me o telefone para jogar e ali ficou imóvel e concentrado. Do outro lado surgiu um bebé, cerca de dois anos, engraçou com macaquito e meteu-se com ele, macaquito sorriu sem desviar os olhos do telefone e o pequeno insistiu, fez-lhe uma festa no cabelo e correu para a mãe, macaquito continuava imóvel. Passado um minuto, o petiz volta à carga e repete a festa no cabelo, mais uma vez nem um piscar de olhos. Ao fim de três ou quatro tentativas, a mãe do pequeno sorri e resolve intervir.
-Lourenço, larga o menino, estás a chatear. 
Sem desviar a atenção do telefone e praticamente estático, macaquito diz pausadamente.
-Bem... na verdade... o meu nome é Macaquito. 

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Pelo menos tem consciência

O alarme do telemóvel toca, passo os dedos para desligar, deixo sempre o telemóvel estrategicamente colocado na mesa de cabeceira para que o possa desligar ao primeiro som. No mesmo momento ouço:
-Bom dia mamã, dormiste bem?
-Estás aqui?! Nem dei por ti mas sim dormi bem. 
Saio da cama e despacho-me no banho, enquanto me vestia, ele diz preocupado.
-Mamã, o teu telemóvel fez aquele som de acordar. - e reproduz o som tal e qual - eu desliguei, duas vezes mamã.
-Fizeste bem, devo ter-me enganado a desligar. Obrigada.
-Desculpa se mexi no telefone sem autorização.
-Não faz mal, fizeste bem em desligar.
-Mas desculpa mamã, eu sei que não devo mexer sem pedir...
-Já disse que não faz mal, não vais ficar a manhã toda a bater na mesma tecla, pois não?
Cala-se e fica pensativo, olha em redor durante alguns segundos e de repente:
-Qual tecla mamã, não vejo aqui nada.
-Ahahaah, desculpa é só maneira de falar, "bater na mesma tecla" é estar sempre a dizer a mesma coisa.
-Ah! Já percebi mas não vejo qual é o mal, isso é o que eu faço sempre.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Sonos

Fomos a uma festa em casa de uns amigos, daquelas festas que metem jantarada e rambóia noite dentro, sabia de antemão que ao levar macaquitos não poderia ficar até tarde pois macaquito não é daqueles miúdos de dormir em qualquer lado. Ele só dorme na cama, não obrigatoriamente a sua mas uma cama. Não dorme no carro, no sofá ou ao colo, consegue ludibriar o " João Pestana" duma maneira que nem eu consigo e habituado que está a deitar-se cedo, quando a coisa passa das 10\11 da noite faz-nos marcação cerrada para voltarmos para casa e claro, eu acabo sempre por ceder.
No dia da festa estava particularmente enérgico e muito social com as outras crianças presentes, o que foi óptimo até ao momento em que todos os putos, incluindo macaquita, caíram redondos pelos sofás. Tentei que fizesse o mesmo mas ele não deu tréguas e brincou sozinho até perto da 1 e meia da manhã. Nessa altura, disse para pai macaco que tínhamos mesmo de ir embora pois ele não ia quebrar e o dia seguinte seria um inferno se estivesse demasiado cansado, o que também se verificou.
A viagem para casa dura cerca de 25 minutos, ao fim de uns quilómetros deixou de falar, o pai estranhando o silêncio, achou que ele tinha adormecido e arriscou baixinho.
-Peewee, estás a dormir?
-Não estou a dormir, estou só de olhos fechados para descansar o cérebro.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Empreendedorismo

Saímos da escola apressados pois tinha de passar no supermercado para comprar umas coisitas e tento sempre que ele faça os trabalhos antes de ir buscar macaquita para que o ambiente seja mais calmo e com o mínimo de motivos de distracção.
Compro tudo em dois minutos e dirigimo-nos para a caixa, na nossa frente apenas duas pessoas, macaquito vai para perto da funcionária e começa a desbobinar,
-Ooooh, minha senhora, adoro o som da sua caixa, onde a comprou? Posso ajudar esta senhora?- enquanto fala retira o talão da máquina e entrega à cliente em causa.- Aqui tem minha senhora, obrigado pelas suas compras.
A funcionária alinha na brincadeira e vai-lhe respondendo a tudo, sem nunca interromper o trabalho, no entanto, a fila aumenta consideravelmente atrás de mim e vem outro funcionário para a caixa do lado.
-Vai abrir a sua caixa? É a caixa número 2, não é? Fique descansado que eu vou ajudar.- nesse momento dirige-se para o meio do corredor num ponto bem visível.
-SENHORAS E SENHORES MUITA ATENÇÃO, A CAIXA N°2 VAI ABRIR. PODEM DIRIGIR-SE À CAIXA N°2, POR FAVOR.
A gargalhada foi geral e o funcionário que não conseguia parar de rir pergunta-lhe se ele não quer ir trabalhar com eles.
-Aaaah não, muito obrigado mas eu não posso, tenho de ir trabalhar para os correios dos CTT. Eles precisam lá de mim para conduzir a carrinha vermelha do spiderman.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Volte-face

Graças às actividades extra curriculares que os miúdos não frequentam mas que são no meio do horário lectivo, há uns quantos dias por semana que macaquito sai primeiro que a irmã. O que para mim se revelou uma grande chatice, para ele é a oitava maravilha do mundo porque assim tem a mãe só para ele e eu faço questão de o deixar escolher o que fazer nesse tempo, sempre que possível.
-Mamã, podemos ir passear?
-Tens trabalhos?
-Não!
-Onde queres ir?
-Ao castelo!
-Ok, vamos mas tem de ser um passeio rápido.
Fizemos o passeio habitual, que costuma demorar mais de uma hora, em apenas quinze minutos, tendo em conta que todos os caminhos a descer e as escadas são feitos com ele ao colo, quando cheguei ao fim estava pronta para ser amortalhada. Rimos a bandeiras despregadas com todos os disparates que dizíamos e fazíamos, as pessoas que desfrutavam da paisagem por ali, riam-se de nós e das nossas macacadas e no final fomos tirar fotos, a pedido dele, no banco em azulejo onde sempre que lá vamos tiramos fotos a pedido dele.
A caminho do carro diz-me que não quer ir buscar a irmã, que ela fica na escola, discurso habitual sempre que está sozinho comigo. Digo-lhe que temos de ir e começa a chorar e a gritar. Entramos no carro e ele fica cada vez mais nervoso, percebo que se não puser travão naquele momento, vou ter uma "birra" até à hora de deitar.
-Macaquito, a ver se nos entendemos. Pediste-me para vir passear e eu vim contigo sem sequer verificar a mochila porque tenho a certeza que tens trabalhos de casa, demos a volta ao castelo como me pediste apesar de te ter dito que não tínhamos tempo, dói-me a barriga de rir com todas as parvoíces que fizemos e tenho a certeza que a tua também, por isso não acredito que estejas a fazer uma birra por causa da mana. Tenho a certeza que estás super feliz e não sei porque estás a chorar. Estás a ser injusto e vou ficar triste contigo. Como é? Vamos buscar a mana com um sorriso? Ou sim ou sopas!
-Sim Sopas, vamos buscar a mana.
-Tu acabaste de me chamar Sopas?
Novo ataque de riso e um dia perfeito até à hora de deitar.


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Sorriso amarelo

Ontem fui ao talho, até aqui tudo normal, não fosse ter decidido ir depois de ir buscar macaquitos à escola, sabendo de antemão que macaquito sempre que entra no talho do Jaquim, (nome fictício) faz questão de mencionar bem alto que "bom, bom é o talho do Manel", apenas três portas acima e no qual nunca entrei. 
-Macaquito, temos de ir ao talho, só te peço uma coisa: não comeces a falar no outro talho que não é uma coisa muito simpática de se dizer. 
-Sim, mamã, prometo. Não vou dizer nada.
Páro no estacionamento, ponho moedas no parquímetro e quando chego ao talho, estava fechado.
-Estás cheio de sorte, finalmente vais poder ir ao talho do Manel. O Jaquim está fechado, por isso vamos já ali.
Entramos no talho, macaquito faz a apresentação habitual, pergunta o nome ao talhante e fica muito surpreendido quando percebe que Manel é só o nome do talho e não de todas as pessoas que ali trabalham. Fala, fala, fala e pergunta tudo e mais alguma coisa sobre a carne, a decoração, as portas, os outros clientes, deixando o funcionário vermelho de rir com tanto disparate. Quando estamos quase , quase a vir embora, dá a estocada final.
-Sabe, a minha mãe não gosta de vir aqui, vai sempre ao talho do Jaquim mas hoje estava fechado!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Macaquito o filósofo... profissional

Senta-se ao meu lado no sofá e pergunta-me:
-Mamã, qual é o sentido da vida?- associei com qualquer coisa que estava a ver na TV mas respondi na mesma.
-Então isso depende de pessoa para pessoa, tem a ver com aquilo que é realmente importante para cada um. Para mim o sentido da vida é ver-te a ti e à mana felizes.

-Ah!Ok.
Foi para a cozinha e perguntou o mesmo ao pai, não consegui ouvir o que o pai disse mas pela velocidade com que voltou à sala suponho que a resposta não tivesse sido satisfatória. Pegou no ukelele, voltou para a cozinha e enquanto tocava, pergunta de novo ao pai.

-Pai, o sentido da vida pode ser tocar guitarra?
-Ó Macaquito, o sentido da vida é fazer o que tu gostas.- diz macaquita intrometida.
-Cala-te! Isto é uma conversa para profissionais.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Houston, we have a problem....

Uma das coisas que sempre enalteci e das quais me orgulho é que macaquito é provavelmente a pessoa mais altruísta que conheço. Preocupa-se verdadeiramente com o bem-estar dos outros e nunca teve problemas em partilhar absolutamente nada com quem quer que fosse.  Cá por casa instituí a regra de castigar os brinquedos sempre que se desentendem por causa de algum, ou seja, o brinquedo vai para o cimo do armário da sala até que resolvam a questão. Posso afirmar que 99,9% das vezes, em menos de 5 minutos, macaquito pede-me que dê o dito à irmã mesmo que tenha sido ele a ir buscá-lo, o que é um facto em 99,9% das vezes.
Hoje, pela primeira vez, fez uma birra a sério por causa de um pijama. A prima veio passar o dia e acabou por ficar cá a dormir. Enquanto eu procurava um pijama maior na gaveta da irmã, ele foi buscar um pijama dos dele sem que lhe tivesse pedido, apareceu-me com um pijama de meia estação e eu disse-lhe que trouxesse um mais quentinho.
-Só lá está o dos planetas e eu não posso dar esse, é o meu preferido.
-Não faz mal, é só esta noite, a prima não vai ficar com ele.
-Mas mãe, eu não quero emprestar o pijama dos planetas porque é o meu preferido. Quero vesti-lo!
-Tu tens o do gato no armário, não vais vestir este hoje por isso podes emprestar.
A prima compreensiva já queria vestir o pijama usado, ele chorava baba e ranho e eu acabei por ir buscar outro à roupa por passar a ferro. Passados uns minutos apareceu no quarto da irmã a chorar mas com o pijama preferido na mão.
-Podes vestir este, eu não me importo. - disse entre soluços.
Sendo que a questão já estava resolvida, mandei-o para o quarto e pouco depois fui ter com ele e tentei explicar-lhe que era só um pijama, que até já estava a ficar pequeno para ele e que não poderia ficar com ele para sempre.
-Vais à loja dos pijamas e compras um igualzinho.
Nunca me tinha passado pela cabeça que um pijama pudesse causar tal celeuma e a verdade é que duvido que chegue ao fim do Inverno, a menos que lhe faça uns acrescentos. O problema é que a loja que vende aquela marca fechou e sendo que o pijama já tem quase dois anos, dificilmente encontrarei igual. Vou passar os outlets a pente fino, entretanto, planetas procuram-se.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Com certeza, Monsieur

Ter um filho no espectro é saber que há coisas muito estúpidas que de um momento para o outro se podem tornar rotina, coisas como cumprimentar cada pessoa de sua maneira mas sempre da mesma maneira, ver televisão de cócoras em cima da mesa da sala, correr despido pela casa antes de entrar no chuveiro. Dou comigo muitas vezes a pedir às pessoas que não o deixem fazer qualquer coisa aparentemente normal, porque sei que a partir do momento que o permitam uma vez, ele vai repetir essa mesma coisa até à exaustão. 
Nos últimos tempos ganhou o hábito de se fechar no roupeiro para descalçar as pantufas e as meias antes de se deitar, fica dois ou três minutos lá dentro a falar sozinho, enquanto eu espero para lhe ler a história. Ontem fechado lá dentro falava francês, ou algo parecido.
-Oh, je suis magnifique, Macaquito magnifique, até te estás a passarrrrrrr.
-Demoras muito, ó magnifíco?- pergunto-lhe cá de fora.
-Oh monsiú, esperra mais um bocadinho que je suis a terrrminarrrr.
Quando finalmente saiu, olhou para mim que aguardava de braços cruzados no meio do quarto.
-Então, eu sou magnífico, ou vais dizer que não?

domingo, 18 de dezembro de 2016

Treinador de bancada

Fomos em família assistir à primeira audição musical de macaquita. Plateia cheia de progenitores e familiares, tudo expectante em relação à prestação musical dos petizes. Para aqueles miúdos o facto de ser a primeira vez torna as coisas mais difíceis mas no fundo ninguém espera nada mais que os dois ou três minutos daquele que lhe pertence e sair dali a dizer-lhe "foste o melhor". Primeiro as audições de grupo, de seguida as audições individuais. O primeiro petiz entra em palco e toca uma pequena peça, hesitante mas sem falhas de maior, quando acaba ouvem-se muitas palmas e macaquito mostra todo o seu entusiasmo em pé, gritando "Boa, boa!". Quando o silêncio se sobrepõe às palmas, macaquito fala alto demais:
-Para a próxima tens de treinar mais! 

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Uma questão de método

Não havendo trabalhos de casa, disse-lhe que tínhamos de estudar um pouco as tabuadas que é o que ele mais detesta e por isso não se esforça minimamente em sabê-las. Quando estamos a fazer problemas matemáticos, deparamo-nos amiúde com essa lacuna e as coisas correm muito mal. O  problema é que nem todo o poderio bélico do mundo o demoveria quando ele mete na cabeça que não faz. Por tudo isso e porque ele insistia, com alguma razão, que se não tinha trabalhos é porque a professora lhe deu folga, resolvi ir buscar o quadro branco para a sala e comecei a escrever 4X1=, sem sequer olhar para ele.
Ele pega numa caneta de outra cor e escreve 4 e eu insisto no 4X2= , ele escreve 8 e diz-me que dali para a frente quem põe o sinal de igual é ele. Faço uma festa tão grande que ele até olha para mim espantado, continuamos a brincadeira e pelo meio vamos desenhando bonecos tolos que ganham olhos, nariz, barba e cabelo à medida de cada resultado correcto. Depressa passamos para a tabuada do 5 sem uma única reclamação e com todos os resultados certos e depois a do 6, 7, 8 e 9. Mais uma vez concluo, parafraseando o Scolari , que o burro sou eu porque ele sabe aquilo de cor e salteado e quando me grita o resultado final de um problema, sem me conseguir explicar qual o raciocínio que fez, não é por acaso, é apenas estar uns quantos passos à minha frente.
Ninguém me tira que se o avaliassem no quadro branco ou oralmente, os resultados iriam muito além do suficiente.


Virar o bico ao prego

Macaquito tem uma séria dificuldade em separar-se de mim em horas em que é suposto estarmos juntos. Dificuldade acrescida se ele estiver em casa e eu precisar de sair. Faço questão de não aparar certos golpes e por muito que me custe, ignoro as birras, os choros, os pedidos e promessas e faço o que tenho de fazer ou simplesmente, o que me apetece fazer de vez em quando. Por norma, saio um dia durante a semana à noite para beber café e nos últimos tempos, tem calhado ser sempre à segunda feira, o que lhe criou uma nova rotina. Ainda estamos na piscina e ele já está a perguntar se vou sair, se tenho reunião, se recebi uma mensagem ou telefonema. Chegados a casa e pergunta tudo de novo, sempre de "orelhas no ar" para o meu telefone.
-Mamã, o teu telefone fez poing. Vais sair com a M.?
-Come, não sejas assim.
-Mas mamã, eu preciso de ti.
-Eu nem te disse que ia, não penses nisso.
-Mas vais?
-Ainda não sei. Se for, ficas com o pai e vão divertir-se os três.
-Eu sei mas não quero que vás. - diz já muito choroso. Decido dizer-lhe que não vou porque neste dia em particular tem estado agitado e teve um "colapso" na piscina.
-Boa mãe, eu sabia que era o melhor para ti...
-Não, tu estás a ser egoísta, é o melhor para ti. É o que tu queres e como tu dizes tantas vezes, é injusto.
-Não percebes mamã? Quando ficas em casa com o pai, vocês têm momentos muito românticos!