Já o devo ter dito aqui mas uma das formas que tenho para desvalorizar os adjetivos que muitas vezes as pessoas usam para ofender ou gozar é utilizando-os em casa em contextos divertidos. Já usei muitos diferentes, nos últimos tempos a preferida é palerma. Outro dia ao chegar a um local com ele, a mãe dum amiguito do infantário que não o via há imenso tempo, comenta:
- Estás tão crescido, macaquito.
- Pois estou, crescido e palerma!
quinta-feira, 21 de janeiro de 2021
Chamem-me nomes
quinta-feira, 31 de dezembro de 2020
Feliz ano novo
Sempre que macaquito traz um amigo cá a casa para jogar PlayStation, entrega-lhe o comando e fica o tempo todo a ver o outro jogar, o mesmo acontece quando vai a casa deles. Muitas vezes, quando o chamam para andar de bicicleta, fazem-no apenas para gozar com ele e estragam-lhe deliberadamente a bicicleta e ele no dia seguinte, torna a sair de casa para brincar com esses miúdos como se nada tivesse acontecido. Por muito que lhe digamos que se deve defender ou não ser amigo deles, ele não desiste, tem o coração maior que qualquer um de nós.
Empatia, é o meu desejo para 2021!
sexta-feira, 11 de dezembro de 2020
Até os olhos brilharam
segunda-feira, 7 de dezembro de 2020
Treze anos depois ainda sinto as mesmas dores, não falo delas aos meus filhos. Por muito optimista que sejamos, por muita sola que se ganhe ao caminhar descalço, há cicatrizes que perduram no tempo e percebo que as carrego no olhar quando ela, tão pequenina me diz:
-Eu sei que não é a mesma coisa porque o mano não morreu mas tu já sentiste o que eles estão a sentir, não foi? - limpou-me a lágrima que teimou em soltar-se e voltou para as suas brincadeiras.
Não sei que dor é essa, a de perder um filho, admiro profundamente quem a consegue superar.
domingo, 6 de dezembro de 2020
Parece-me que a ceia de natal vai ser cozido à portuguesa
-Já sei o que vou dar ao pai, eu sei que ele quer uma prenda. - diz macaquita.
-Então?
-Vou dar-lhe um chouriço e uma farinheira! -não consegui disfarçar o riso.
-Que é? É uma coisa que ele gosta, chouriço e farinheira... e aquela coisa que eu não gosto por causa do sangue.
-Morcela?!
-Isso, morcela. Tens de ir comigo para pagar mas eu é que escolho. Embrulha-se, ponho um lacinho e já está.
Cá está, num natal que tem tudo para ser esquisito, um cozidinho não me parece nada mal e se sobrarem couves ainda dá para fazer roupa velha.
quinta-feira, 26 de novembro de 2020
Os que não se ajustam vão para onde?
Ter dois filhos com necessidades educativas especiais, obrigou-me a arregaçar as mangas, obrigou-me a aprender coisas que nunca me passaram pela cabeça, sou mãe, educadora, terapeuta e professora dos meus filhos e tem dias que toda a logística que isso envolve me deixa completamente de rastos. É para mim inconcebível que os meus filhos tenham vedações só porque não nasceram iguais à maioria e porque os pais não têm condições financeiras para lhes proporcionar equidade. Por isso vou à luta, tento de todas as formas que a escola, pelo menos a escola, seja inclusiva e confesso que não está fácil. Ao longo dos anos tenho conhecido os melhores profissionais, alguns professores, técnicos, terapeutas, e auxiliares que mais que profissionais são pessoas com um coração enorme e que travam lutas iguais à minha pela igualdade mas há sempre o outro lado, aqueles que se estão pura e simplesmente a cagar ou aqueles que estão tão cientes de si próprios e daquilo que (não) sabem que se esquecem que os miúdos, mesmo os "normais" são todos diferentes e que por isso necessitam de abordagens diferentes.
sábado, 14 de novembro de 2020
O pimba que não há em mim...
Devia levar uma marretada na cabeça por cada vez que me queixei das viagens a Lisboa com macaquito a debitar episódios inteiros dos seus programas ou desenhos animados preferidos. Afinal o que é isso comparado com fazer a mesma viagem com macaquita a cantar músicas da Ariana Grande em loop?!