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quinta-feira, 5 de outubro de 2017
Aquele momento...
Em que não sabes se hás de rir ou chorar porque a tua filha te pergunta "Ó mãe, por que é que não és pirosa?" e percebes que não é, de todo, um elogio.
domingo, 24 de setembro de 2017
Nunca passarei da cepa torta
Enquanto eu passava a ferro, ele brincava no chão com carrinhos, do nada diz-me isto.
-Sabes mãe, alguém me disse que tu és linda. - pousei imediatamente o ferro, senti o meu ego crescer e não me contive.
-Aí sim? E quem é que te disse isso?
-Olha, um abacate!
quarta-feira, 9 de agosto de 2017
Outra vez...
Enquanto isto passava na televisão, macaquita pergunta:
-Mãe, podemos ver isto no cinema?
-Isto o quê? - pergunto eu que não estava a prestar atenção à televisão.
-Este filme, dos "sem dentes".
-Dos quê?! Ahahahahahhahahahhahahahha
(Antes que me acusem, eu já a levei ao otorrino porque ouve uma altura em que achava que a miúda era surda e ela ouve perfeitamente bem, o problema está mesmo no "cébro".)
sexta-feira, 4 de agosto de 2017
Máquina do tempo
Talvez já vos tenha contado que macaquito gosta muito de loiras, ele tem particular bom gosto com mulheres mas as loiras são e serão sempre as suas preferidas. Esta semana pediu-me para voltar para casa pois tinha muitas saudades da sua cama e quando chegou pediu-me para ir ao café que frequentamos habitualmente pois queria ir ver os amigos que trabalham no café e a E., loira claro e muito muito bonita (e adulta, devo ressalvar).
Contou-me depois uma amiga que macaquito, fixando a E. de longe, lhe disse:
-Sabes B. gostava de ter uma máquina do tempo.
-Para seres mais crescido? - perguntou ela adivinhando-lhe a intenção.
-Para concretizar o meu objectivo!
domingo, 2 de julho de 2017
Não era Tony mas teria sido igual
Vou buscá-los a casa dos avós, antes de seguirmos lembro-me de ir ao centro da cidade resolver um assunto. Na praça central grande burburinho com o check sound de uma banda que vai tocar nessa noite, grupo habitual e querido na cidade, uma coisa a roçar "Tony Carreira e os seus muchachos" mas com menos azeite. Macaquito atravessa a praça sem ligar ao que se passa e estranhei, até perceber que seguia concentrado na sua demanda de me ajudar a chegar a horas. De volta ao carro passamos de novo perto do palco onde a banda continuava a ensaiar, desta vez não lhe passou ao lado, arrancou para a frente do palco e chama pelo vocalista.
-Tony Carreira, posso cumprimentar-te?
-Claro que sim mas dá a volta, sobe ao palco ali nas escadas e anda até aqui. - macaquito assim fez, subiu ao palco deram um grande aperto de mão, trocaram meia dúzia de palavras que não percebi e o pequeno voltou pelas mesmas escadas que tinha subido. Ali ao lado, estava o resto da banda, os seguranças e roadies e macaquito assim que pisa o chão, vira-se para eles e diz seguro de si.
-Sabem, o Tony Carreira é o meu fã nº 1!
sexta-feira, 9 de junho de 2017
Não me chamem menino
Faltavam dez minutos para a aula de música, sentei-me com eles na esplanada a beber um café. Na mesa do lado um labrador manso e brincalhão, apesar disso, grande o suficiente para deixar macaquito em pânico e mantê-lo sossegado na cadeira. Pediu-me o telefone para jogar e ali ficou imóvel e concentrado. Do outro lado surgiu um bebé, cerca de dois anos, engraçou com macaquito e meteu-se com ele, macaquito sorriu sem desviar os olhos do telefone e o pequeno insistiu, fez-lhe uma festa no cabelo e correu para a mãe, macaquito continuava imóvel. Passado um minuto, o petiz volta à carga e repete a festa no cabelo, mais uma vez nem um piscar de olhos. Ao fim de três ou quatro tentativas, a mãe do pequeno sorri e resolve intervir.
-Lourenço, larga o menino, estás a chatear.
Sem desviar a atenção do telefone e praticamente estático, macaquito diz pausadamente.
-Bem... na verdade... o meu nome é Macaquito.
quinta-feira, 13 de abril de 2017
Suponho que correu mal
Liguei-lhe à noite, atendeu feliz e com o discurso do costume.
-Boa noite mamã, em que posso ajudar?
-Olá macaquito, como estás?
-Estou bem, estou aqui a brincar com os avós aos professores.
-E o que andaste a fazer hoje?
-Olha, estive a trabalhar. - o que quer dizer que esteve a fazer TPC's.
-Então e correu bem? - perguntei sabendo que no dia anterior a coisa não tinha sido muito pacífica.
-Espera! Tenho de ir para trás do cortinado.
-Do cortinado? Não me digas que é para ninguém te ouvir?
...
...
-É só para te dar um beijinho e desejar uma noite descansada. - e desligou sem passar o telefone à avó como habitualmente.
domingo, 26 de março de 2017
Homógrafas
Dormimos nos avós, depois de uma noite de borga com os amigos de infância, sabe bem ficar na cama até o corpo deixar de ter posição e as dores de costas ganharem à preguiça e ao frio. Ouvi os pequenos desde muito cedo mas a tranquilidade de saber que o meu pai não os deixa irromper quarto adentro cedo demais, permite-me definhar na cama ouvindo as conversas como se as paredes fossem de papel.
-Avô, avô? - chama macaquito da sala. Como resposta um silêncio anormal.
-Avôôô, anda cá.
Do avô nem sinal, a avó, galinha que é apressa-se até à sala.
-Precisas de alguma coisa, macaquito? - diz-lhe carinhosamente.
-Olha, eu não te chamei, o teu "O" não tem chapéu, tem só um acento, portanto volta lá para as tuas coisas e diz ao avô para vir aqui.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017
Conselho
Não deixem os vossos filhos aproximarem-se dos vídeos do Bruno Aleixo, correm o risco de eles adorarem aquilo, acordarem um dia de manhã e fazerem a seguinte constatação:
-Mãe, se não conseguir ir para os CTT, quero ser proxeneta!
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
Difícil é sair sem me rir
Vamos beber um café na esplanada perto de casa porque é fim de semana, o pai ainda dorme e o sol que nunca nos chega a casa, bate de frente nas cadeiras e mesas alinhadas na varanda do café. Ali quase ninguém se conhece além do bom dia ou a conversa de circunstância, no entanto cada um senta-se onde estiver um lugar vago mesmo que isso implique estar na mesa de um desconhecido. Calhou-me ficar entre um senhor de idade que nunca vira antes e de uma vizinha do prédio do lado, que trocam umas palavras às quais não presto atenção. Aqueço as mãos na chávena e o calor do sol aquece-me os pés, dou uma espreitadela no jornal e os miúdos correm por ali, voltando apenas para irem largando os gorros e casacos. A meio das brincadeiras, macaquito tira dois segundos para cumprimentar todas as pessoas presentes. E de repente, sem apelo, nem agravo:
-Cavalheiro, porque é que está a olhar para a minha mãe?- atira sem perceber que o senhor está a conversar com a senhora duas cadeiras à frente e que só olha na minha direcção porque calha eu estar no "caminho", o senhor fica tão constrangido que só consegue balbuciar qualquer coisa imperceptível. Já eu, aproveito a deixa para me raspar de mansinho.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2017
Macaquito o filósofo... profissional
Senta-se ao meu lado no sofá e pergunta-me:
-Mamã, qual é o sentido da vida?- associei com qualquer coisa que estava a ver na TV mas respondi na mesma.
-Então isso depende de pessoa para pessoa, tem a ver com aquilo que é realmente importante para cada um. Para mim o sentido da vida é ver-te a ti e à mana felizes.
-Ah!Ok.
Foi para a cozinha e perguntou o mesmo ao pai, não consegui ouvir o que o pai disse mas pela velocidade com que voltou à sala suponho que a resposta não tivesse sido satisfatória. Pegou no ukelele, voltou para a cozinha e enquanto tocava, pergunta de novo ao pai.
-Pai, o sentido da vida pode ser tocar guitarra?
-Ó Macaquito, o sentido da vida é fazer o que tu gostas.- diz macaquita intrometida.
-Cala-te! Isto é uma conversa para profissionais.
domingo, 18 de dezembro de 2016
Treinador de bancada
Fomos em família assistir à primeira audição musical de macaquita. Plateia cheia de progenitores e familiares, tudo expectante em relação à prestação musical dos petizes. Para aqueles miúdos o facto de ser a primeira vez torna as coisas mais difíceis mas no fundo ninguém espera nada mais que os dois ou três minutos daquele que lhe pertence e sair dali a dizer-lhe "foste o melhor". Primeiro as audições de grupo, de seguida as audições individuais. O primeiro petiz entra em palco e toca uma pequena peça, hesitante mas sem falhas de maior, quando acaba ouvem-se muitas palmas e macaquito mostra todo o seu entusiasmo em pé, gritando "Boa, boa!". Quando o silêncio se sobrepõe às palmas, macaquito fala alto demais:
-Para a próxima tens de treinar mais!
sábado, 10 de dezembro de 2016
Pontos de vista
Tenho andado doente, como tal e apesar da insistência de macaquito, ontem não me apeteceu sair para beber café. Acabou por convencer o pai a ir dar uma volta e a pequena ficou a fazer-me companhia no sofá. Chegaram tarde e a primeira coisa que fez foi ir buscar o termómetro.
-Mamã, deixa-me ver a temperatura.
-Eu não tenho febre agora.
-Vá, deixa-me ver se estás bem.- acedi, pedindo-lhe que entretanto fosse vestir o pijama. Voltou e deitou-se ao meu lado no sofá.
-Podes ir deitar-te na minha cama um bocadinho?
-Hoje não, o pai vai contigo para a mãe não te pegar nada.
-Então posso dormir com vocês?
-Sabes, aquela cama é de dois lugares, não é de três.
-Mas pode ser de quatro, dá para mim e para a mana também, cabemos todos.
-Qual é a regra? Cada um na sua cama!- diz-lhe o pai.
-Pai, hoje é o teu dia de sorte. Podes dormir na minha cama que eu durmo com a mamã.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
Chato, chato, chato
A caminho de casa, a tentar levar a dele avante.
-Mamã, mamã quando estacionares na garagem posso marcar o código do carro.
-Claro que não macaquito, sabes bem que não.
-Mas mamã, eu sei o código, vá lá.
-Não podes, isso nem sequer faz sentido, o código é para ligar o carro.
-Ó mãe, é só uma vez, eu prometo.
-O carro não é um brinquedo, não insistas, não podes.
-Mamã, vá lá, eu prometo que não te vais arrepender, confia em mim. - usa este discurso sempre que vê que a coisa não está de feição.
-Não insistas, não vale a pena.
-Mas mamã...
Optei por não lhe responder mais, pensando que entretanto se calasse e esquecesse o assunto mas o rapaz é persistente e a ladainha continuava até que macaquita, que ainda não tinha dito uma palavra em todo o caminho, resolveu intervir.
-Pára macaquito, já tenho os ouvidos enjoados.
-Vão vomitar?
-Mamã, mamã quando estacionares na garagem posso marcar o código do carro.
-Claro que não macaquito, sabes bem que não.
-Mas mamã, eu sei o código, vá lá.
-Não podes, isso nem sequer faz sentido, o código é para ligar o carro.
-Ó mãe, é só uma vez, eu prometo.
-O carro não é um brinquedo, não insistas, não podes.
-Mamã, vá lá, eu prometo que não te vais arrepender, confia em mim. - usa este discurso sempre que vê que a coisa não está de feição.
-Não insistas, não vale a pena.
-Mas mamã...
Optei por não lhe responder mais, pensando que entretanto se calasse e esquecesse o assunto mas o rapaz é persistente e a ladainha continuava até que macaquita, que ainda não tinha dito uma palavra em todo o caminho, resolveu intervir.
-Pára macaquito, já tenho os ouvidos enjoados.
-Vão vomitar?
quarta-feira, 23 de novembro de 2016
A selva dos TPC
Uma folha A4 cheinha de contas de dividir, muito simples por sinal mas assim que vi a quantidade, vi a minha vida a andar para trás. Ele assim que olhou para a folha começou a chorar e a bater com os punhos na mesa.
-Eu não sei fazer isto.... são muitas...
-Não há problema, a chorar não consegues mas se parares com isso, eu ajudo e fazemos isto num instante. Nem te obrigo a fazer todas, podes fazer só metade assim que conseguires fazer uma conta sem ajuda.
Tenho sempre de arranjar uma estratégia para perceber se sabe fazer determinados cálculos, isto porque se não o fizer, ele finge que não sabe para ter mais ajuda do que a que realmente necessita. Ao fim de umas quantas consegui perceber que estava a entender, com mais uns "high five" lá fez uma sozinho e, como prometido, deixámos as restantes.
Como habitualmente, aproveitei a hora de deitar e naqueles minutos em que me deito na cama dele e que o encontro mais receptivo para conversar, preparei terreno para o dia seguinte.
-Hoje foste fantástico nas contas de dividir, se continuares assim, tenho a certeza que vais conseguir fazer tudo só com companhia e sem nenhuma ajuda. Amanhã vais fazer todinhas sozinho, eu sei que és capaz de me surpreender.
-Foi como nos problemas da página 65, até sabia quantos quadrados tinha a manta da Ana. - referia uns exercícios com umas quantas semanas. Falou-me de todos, lembrando-se de todos os valores e eu assentia e dizia que sim porque na verdade, os pormenores já se escaparam.
A dada altura pergunta-me a resposta de um dos problemas, visto que percebeu que eu estava ali a apanhar bonés e já não me lembrava daquilo, como não sabia, respondi com uma pergunta.
-E este problema? Vê lá se sabes, dou-te uma beijoca no nariz e canto a canção do Bonga se acertares (uma piadola tonta que só nós dois percebemos). Estavam 20 miúdos na selva, veio um leão e comeu 2, quantos meninos ficaram?
-Imensos!
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
Conhecem a expressão?
Macaquito devia ter cerca de 4 anos e meio e estava numa fase muito chata de perguntar a mesma coisa 20 vezes seguidas. Uma manhã, antes de irmos para a escola perguntava incessantemente onde íamos.
-Vamos beber café e depois vamos para a escola.
-Mamã, onde vamos?
-Beber café e depois para a escola.
Isto continuou até que eu já aborrecida lhe respondo.
-Vamos à fava!
Calou-se e não disse mais nada durante a pequena viagem. Paro o carro à porta do café, ele corre até lá dentro sem me esperar e diz para a moça no balcão.
-Bom dia FAVA!
E durante muito tempo foi esse o nome que lhe chamou.
quarta-feira, 9 de novembro de 2016
Gaba-te cesta
Reunião de pais, após todos os assuntos habituais, as conversas começam a divagar. A propósito de uma dúvida com alimentação de uma mãe, a professora dá o exemplo de Macaquito que apesar das suas intolerâncias e da sua condição de desenvolvimento, aceita por educação sempre que qualquer criança partilha com todos mas sabe que não pode comer, por isso guarda e leva para casa.
-A propósito de Macaquito, vou de partilhar uma história convosco, eu sei que a mãe não se vai importar. - disse a professora já sorrindo para mim.
Logo pela manhã Macaquito entra na sala e vai ter com a professora para dar um recado enviado pela professora de apoio. A professora ouve mas entretida com papéis e a organização da aula que estava quase a começar, não lhe dá grande atenção.
-Obrigada, Macaquito. Podes ir sentar-te. - e continua o que estava a fazer. Ele pega na mochila, olha para ela e diz já em andamento.
-Sabe professora... eu sou um autêntico cavalheiro!
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
Olhos que não vêm...
No final da aula de violino a professora veio ter comigo a rir porque macaquita se queixou que o violino a magoava na clavícula, a professora disse-lhe que pedisse à mamã um pano do pó para colocar por baixo ao que ela prontamente respondeu:
-Não sei se a minha mãe tem disso.
-Claro que tem, então como é que a mãe limpa o pó?
-A minha mãe não limpa o pó.
-Mas deve ter panos do pó para limpar os móveis.
-Não, ela não limpa, os móveis nunca têm pó.
terça-feira, 11 de outubro de 2016
E o meu descanso?
Cerca das 4 da manhã oiço-lhe os passos, tem sido uma constante na última semana. Permito-lhe porque achei que se sentir aconchegado no sono, os dias lhe correm melhor e têm corrido, não quero no entanto que se torne um hábito. Daí, assim que o senti deslizar para o meio da cama, disse-lhe baixinho:
-Macaquito, não pode ser, não podes vir para a minha cama todas as noites.
-Shiiuuuu! Não faças barulho. Não queres incomodar o pai, pois não?
terça-feira, 27 de setembro de 2016
Sonhos a pedido
A caminho da escola passamos ao lado da escola de uma amiguita de macaquito, ele prontamente se lamenta.
-Tenho tantas saudades da Leonor, até sonhei com ela esta noite.
-E eu? Também estive no teu sonho?-pergunta a irmã.
-Não, só a Leonor.
-Sabes? Eu sonhei que fui ao Mac com a mãe.- diz ela meio amuada.
-E eu? Também fui?-pergunta ele.
-Não, tu ficaste em casa com o pai.
-Não fiquei nada, o pai entrou no meu sonho e a mãe também, por isso, não foi contigo a lado nenhum.
-Tenho tantas saudades da Leonor, até sonhei com ela esta noite.
-E eu? Também estive no teu sonho?-pergunta a irmã.
-Não, só a Leonor.
-Sabes? Eu sonhei que fui ao Mac com a mãe.- diz ela meio amuada.
-E eu? Também fui?-pergunta ele.
-Não, tu ficaste em casa com o pai.
-Não fiquei nada, o pai entrou no meu sonho e a mãe também, por isso, não foi contigo a lado nenhum.
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