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sábado, 29 de junho de 2019

O que vale é que se ri de si própria

Enquanto comiam um lanche na praia e eu, chata, chamava a atenção para não porem as mãos na areia.
-Macaquita, lembras-te quando a avó te obrigou a comer o pão com areia na praia? - dizia macaquito entre gargalhadas.
-Obrigou a comer pão com areia??? - pergunto meio estupefacta.
-Sim! - responde ela a rir-se. -Mas não foi na praia, foi no furo do pneu.
-Onde? - pergunto já a rir.
-Oh mãe, tu sabes, aquele sitio onde fomos com a prima e a avó que tem a água mesmo gelada.
-Penedo Furado, macaquita, Penedo Furado!
E de seguida cantou "o carro do meu chefe tem um furo no pneu..." 

domingo, 17 de março de 2019

Melhor padrinho de sempre

No meu trabalho tínhamos três coelhos anões que, por serem duas fêmeas e um macho e por se reproduzirem que nem coelhos, já vão em treze. Tenho o hábito de tirar fotos e fazer vídeos dos nossos animais para mostrar aos miúdos e o resultado foi que macaquita se apaixonou por um dos coelhinhos da última ninhada e está farta de me pedir que o traga para casa.
Hoje ao deitar, estava na palhaçada com macaquito e veio à baila a história do coelhinho cinzento que a irmã tanto quer, e perguntei-lhe o que lhe havíamos de chamar:
-Huuummm, já sei! Ventoinha?! Não espera... Hélice!
-Hélice?- pergunto eu.
-Sim, o melhor na amigo da Alice é um coelho!
Portanto se algum dia convencermos o pai a trazer um coelho cá para casa, chamar-se-á Hélice in Wonderland.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

De todos os sorrisos do mundo o teu é o que mais nos importa

-Mãe, hoje sou eu que te vou contar uma história, pode ser? - pediu macaquita.
-Ok, conta lá mas tem de ser uma história pequenina que já passa muito da hora de dormir. 
-É uma história muito bonita sobre uma arca do tesouro. Quer dizer, é uma história sobre o inverno. No inverno as pessoas andam sempre de mau humor, chateadas com tudo, chateadas com a vida, mal dispostas, só dizem coisas más porque estão sempre mal dispostas e zangadas e de mau humor, nunca se riem e só fazem sorrisos à pressa... - contava a sua história de forma atabalhoada, repetindo sinónimos pois é repetindo sinónimos que dá ênfase ao que quer enfatizar. Sorri com a expressão "sorrisos à pressa" indaguei-me onde a teria lido ou ouvido. 
-A Maria um dia estava em casa à espera do pai e correu para o seu colo quando o ouviu chegar, o pai enxotou-a como se enxota um gato e disse-lhe que ela já não tinha idade para andar ao colo e a Maria ficou muito triste... - continuou a história até ao fim e rematou com um " É bonita, não é mãe? "
-É mesmo,  gostei muito mas agora tens de dormir.
-Achas que o pai anda sempre mal disposto por ser inverno?
-Sim, deve ser isso. - respondi-lhe a rir.
-É que ele já não dá gargalhadas e eu tenho saudades de ver o pai rir.
-O pai ri-se, só anda cansado e sem paciência, tens de ter tu paciência.
-Ele ri-se mas é só com a cara, é como os palhaços. Sabes, os palhaços são pessoas, às vezes estão tristes mas fazem rir os outros, riem-se com a cara, não é com o coração. As pessoas têm de se rir com o coração, só assim é que sabemos que estão felizes.
Abracei-a e dei-lhe um beijo de boa noite, sorri com o coração e mais uma vez fiquei com a certeza que alguma coisa estamos a fazer muito bem. Menos, talvez... sorrir!

domingo, 13 de janeiro de 2019

Dava um belo slogan

-Mãe o que é a Via Verde, por que é que tens de passar naquele quadradinho verde? - pergunta macaquito ao ouvir qualquer coisa relacionado com o assunto.
-Passamos na via com o quadradinho verde para não termos de parar. Quem não tem Via Verde tem de parar quando entra na autoestrada e tirar um bilhete nas portagens e à saída pára de novo para pagar. Estás a ver esta caixinha? - perguntei apontando para o vidro. -Quando passamos na via com o quadradinho verde, esta caixa dá uma informação a um computador onde entramos e onde saímos da autoestrada e o dinheiro da portagem é descontado no banco , na conta da mãe. Percebeste?
-Percebi! Na Via Verde é sempre a aviar.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Não é propriamente apropriado

Férias e o do costume, ou seja, a casa da avó. O meu telemóvel toca e vejo o número da minha mãe, prevendo que seria macaquito, atendo com um enorme:
-BOM DIIIIIIIIA!
-NÃO! Não está tudo bem. - diz-me do outro lado como se todos os problemas do mundo fossem culpa minha.
-Pois, estou a ver que não. O que se passa?
-A avó está zangada comigo.
-O que é que fizeste?
-Olha, portei-me mal, pus-me de castigo a mim próprio e agora estou chateado comigo próprio porque estou de castigo e a avó disse que eu podia ficar aqui a amuar o dia todo! 
E que na realidade seria um grande contra-senso desautorizar-se a si próprio e retirar-se do seu próprio castigo. 

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

A difícil arte de mandar

Enroscados na cama dele, conversamos sobre o que nos entreteve durante o dia, ele faz perguntas sobre o meu trabalho e eu sobre a escola e as actividades, até que ele dá a volta à conversa.
-Mãe, a partir de agora sou eu a mandar e tu vais ter de fazer as minhas tarefas.
-Ai é? Então e quais são as tarefas?
-Arrumar os brinquedos e brincar como Audi!
-Parece-me bem mas visto que vamos trocar de papéis, para mandares terás de fazer as minhas tarefas. - digo-lhe expectante.
-Ok e quais são as tuas tarefas?
-Cozinhar, tratar da roupa, limpar a casa, arrumar....
-Cozinhaaaar? Eu não sou gastrónomo! 
-Eu também não mas temos de comer.
-Pronto, está bem. O que é que tenho de fazer amanhã?
-Tens de acordar muito cedo, às 7h e depois tens de preparar o pequeno-almoço para todos, preparar as roupas para ti e para a mana, os lanches e até te deixo conduzir o carro para nos levares à escola.
-O carro? Eu não tenho carta de condução, tontinha. 
-Ok, eu levo o carro e tu tratas do resto.
-Está bem mas não sei se consigo acordar cedo, não tenho despertador.
-Eu ponho o meu despertador aqui quando me for deitar.
-É melhor não, toca muito alto e eu vou-me assustar. - pensei que estivesse arrependido de aceitar as tarefas e que a coisa ficasse por ali. Pensei mal!
De manhã, assim que saio do banho dou com ele a correr para a minha cama e a dizer ao pai que se deixasse estar que ele ia preparar o pequeno-almoço. E assim fez, arranjou leite para todos, bolachas para a irmã, a papa para ele. Acordou a irmã com mimo, tal como eu faço, comeu, arrumou a loiça como conseguiu, perguntou-me o que fazer a seguir e foi-se vestir.
-Mãeeeeeee, dás-me umas calças que eu não chego lá? - vou ao quarto dele e já tinha escolhido e vestido meias e camisolas, enquanto vestia as calças perguntou-me o que fazia a seguir.
-Quando acabares de te vestir podes ir fazer as camas. - olhou para mim com um ar aterrorizado e diz muito chateado.
- Tenho a impressão que sou pau para toda a obra!

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Baseado no conto "O rato do campo e o rato da cidade"

Já nem sei o que levou à conversa, estávamos no carro a caminho da escola.
-Eu gostava mesmo de viver numa vivenda.-diz macaquita.
-Tens bom remédio, pegas no pai e vão os dois para a "aldeia", eu fico com o mano aqui e vemo-nos ao fim de semana.
-Tu não percebes, é como a história que o pai inventou no outro dia, os gatos da cidade comem do lixo e os gatos do campo caçam ratos para comer. Eu não quero ser um gato da cidade e comer do lixo. Quero ir para o campo caçar ratos....
... (pausa muito prolongada)

(continua) ...ah! Pois, os gatos do campo são como os humanos que caçam porcos para comer!
-Ah pois é! A malta do campo quando vai ao supermercado anda toda de caçadeira em punho para trazer porcos para casa. - respondo eu sem conseguir evitar uma barrigada de riso.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Quando é que me tornei tão transparente...

Conversávamos deitados na cama dele, foi um dia grande e cansativo, ficam sempre coisas por dizer e é na hora de sono que melhor consigo chegar a ele.
-Mãe, estás bem?
-Sim filho, estou bem.
-É que estás a rir para mim mas a tristeza está a sair dos teus olhos.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Ao nível do Albarran no dramatismo

-Que é que estás a fazer?
-A coçar-te as costas, não gostas?
-Gosto! - de seguida faz-me uma festa na cara e dá-me um beijinho no nariz. -Eu adoro ser teu filho e adoro quando tu és minha mãe... Ahhhhh, se tu não fosses minha mãe, eu andava por aí sozinho, sem nada, sem pai, nem mãe, nem irmã, nem família... abandonado!

Uma trabalheira...

Depois de os mandar deitar vezes demais, mudei o canal de televisão e lá foram. Resulta sempre. Deitei-me um pouco na cama de macaquito e de seguida fui aí quarto da pequena que, como sempre, começou a fazer todas as perguntas que ficam pendente durante o dia.
-Vá, chega de perguntas, demoraram 20 minutos a vir para a cama por isso hoje não há mais conversa. - digo-lhe.
-20 minutos? Isso são quantos segundos?
-Quantos segundos tem um minuto?
-60!
-Faz a conta, 60 vezes 20...
-Sim mas e um dia, quantos segundos tem?
-Se um dia tem 24 horas e cada hora são 60 minutos tens de multiplicar 24 vezes 60 para achares os minutos e depois multiplicas esses resultado outra vez por 60 para achares os segundos.
-Essa conta é muito difícil, ajudas-me?
-Então 24x60=1440x60=86400 segundos
-Ehhhhh,  então o ponteiro pequeno tem de dar essas voltas todas?
-Sim. - respondi-lhe a rir. - O ponteiro dos segundos dá 86400 voltas todos os dias.
-Coitado, isso é muito trabalho. Um ponteiro tão pequeno...

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Quando crescer não quero ser

-Mãe, acho que já não quero ser carteiro.
-E já pensaste no que queres ser? Se bem que não tem pressa, tens muito tempo para decidir.
-Pois mas eu não quero ser carteiro, nem bombeiro, nem polícia, nem taxista... Acho que preciso da tua ajuda.
-E em que posso ajudar?
-Ajuda-me a decidir, preciso que me digas uma profissão que não dê muito trabalho, uma que não seja preciso fazer nada.



Estive para relembrá-lo disto mas resolvi deixá-lo decidir sozinho.


quarta-feira, 4 de abril de 2018

"What we've got here is failure to communicate"

Acho que tenho um problema de comunicação, ora se repito a mesma coisa vinte vezes, ou cem, ou mesmo mais. Fico sempre na dúvida se não me está a ouvir ou se não compreendeu ou se pura e simplesmente não está para aí virado, começo a acreditar cada vez mais na última hipótese. Gosto que tome banho sozinho quando temos tempo para isso, no entanto, tenho de ficar do lado de fora a explicar como fazer, ordem a ordem para não baralhar muito.
-Macaquito, ainda não molhaste o cabelo todo. Vá atrás também e agora atrás das orelhas... sim, do outro lado... boa. Agora pousa o chuveiro pega nesse frasco em cima e põe champô. Não, na prateleira de cima, nãaaaaaao, a de cima, sim esse. Só um bocadinho, nãaaao... isso é demais. Metade para o chão, não faz mal, agora esfrega, mais para cima, atrás das orelhas... das duas orelhas... direita.... esquerda.... pronto, está bom. Pega no gel de banho... não, esse é o frasco do champô, o do lado com a tampa azul, isso... despeja um bocadinho. Menos, menos, menos, vais entornar... ok, não faz mal. Esfrega bem, pescoço, braços, debaixo dos braços, rabinho, pilinha...
-Rabinho? Quem tem rabo são os cães, eu tenho cu!

Obrigada pai macaco, depois explicas-me como passar tão bem as mensagens....

sexta-feira, 2 de março de 2018

Eu tive dois e custou um "cadito"

-Mamã, quando for crescida vou adoptar uma criança.
-Acho que fazes bem. Só queres adoptar?
-Não queres ser avó?
-Claro que sim. 
-Há muitas crianças que não têm pais, posso adoptar um bebé.
-Sim, claro que podes. É muito bonito pensares assim. - disse-lhe realmente orgulhosa do altruísmo dela.
-Pois, achas que vou deixar que me cortem a barriga ou ter um bebé pelo pipi?! Isso deve doer!

Dramas

Perto das 9 da manhã recebo uma chamada da professora de apoio de macaquito para, que se quisesse e pudesse, acompanhar macaquito e demais colegas à hipoterapia. Era um dois em um, podia vê-lo a montar e podia trazê-lo mais cedo para chegarmos a tempo à terapia ocupacional.
Nem hesitei, meti as rodas ao caminho e fui com eles. Fiquei encantada, nunca tinha visto macaquito a montar e fiquei estupefacta com as coisas que já faz, o desembaraço em cima da égua, a "volta ao mundo" (que consiste em rodar o corpo em cima da sela até ficar de novo sentado para a frente), andar a trote, a postura direita... vim deliciada e de coração cheio.
Assim que desmontou, viemos embora pois ainda tínhamos de ir buscar macaquita. Chegámos à escola bem perto da hora de saída e seguimos para o hospital. Estava tão entusiasmada com tudo o que vi que resolvi partilhar com macaquita.  
-Sabes macaquita, hoje fui ver o mano à hipo. Foi tão giro, ele já não tem medo nenhum.
-Oh! Eu também queria ir, porque não me levaste?
-Então filha, foi na hora das tuas aulas, acabámos de chegar. Era a única forma de chegarmos a tempo à terapia.
-Pois, é sempre assim, nunca posso ir contigo! Fazes coisas com ele e eu nunca posso ir, ele vai para os cavalos e para as terapias e eu tenho de ir para a escola, nunca me levas... - continuou o discurso num tom inflamado sem conseguir disfarçar o que era na realidade, ciúme e birra. Macaquito mantinha-se em silêncio mas claro tinha de intervir e fê-lo, assim que ela fez uma pausa para respirar.
-Pronto, começou o teatro! 

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Doces conversas

Ao deitar:
-Mãe, como é que nasce o pão?
-A sério macaquita? Nem acredito que me estás a perguntar uma coisa dessas. O pão não nasce, faz-se com farinha, água e fermento.
-Siiimmmm, eu sei mas donde é que vem a farinha.
-Dos cereais, o que nós comemos, por exemplo, é de trigo. O mano come de milho, arroz...
-E o trigo vem de onde?
-É uma planta, lembras-te do milho que plantaste? No final apanhaste uma maçaroca com muitos bagos. O trigo não é bem igual mas também dá uns grãos que depois são moídos para fazer farinha.
-Ah, então e o açúcar?
-Vem da cana-do açúcar que também é uma planta. E agora já chega, toca a dormir que o mano também quer um miminho. Amanhã mostro-te as plantas no computador para veres como são os grãos, as canas...
Deito-me ao lado dele e mais um inquérito.
-O que é que estavas a falar com a mana? Nunca mais vinhas.
-Ela estava a perguntar-me como nasce o pão? - rimo-nos os dois.
-Ahhhh tontinha, o pão não nasce.
-Sim, foi o que lhe estive a explicar.
-E o que é que ela perguntou mais? - conhece-a bem e sabe que a conversa nunca fica por ali.
-Tanta coisa. Depois dos cereais perguntou-me donde vinha o açúcar.
-Do açucareiro, claro!

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

No fundo só os gatos importam

-Sabes mãe, ser bombeiro afinal não é assim tão fixe. Acho que já não quero ser bombeiro.
-Então porquê? Andas indeciso outra vez?
-Os bombeiros só salvam gatos... e apagam fogos. Não fazem mais nada fixe. Acho que quero mesmo ser carteiro.
-Humm, carteiro. E o que fazem os carteiros assim tão fixe? - pergunto.
-Ooohhh mãe, entregam o correio. Mas também podem salvar gatos!

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Depois das cenas cómicas na sala de espera e antes da cantoria no corredor de saída

Uma consulta, num consultório enorme com duas valências, de um lado está macaquito a ser visto pelo médico e do lado oposto, um outro menino com os pais a fazer avaliação com as técnicas. Até aqui, tudo normal, o que não acho nada normal mas compreendo tão bem, é o progenitor da outra criança, não ter prestado atenção nenhuma à avaliação do seu próprio filho porque não tirou os olhos de macaquito e ria à gargalhada com todos os disparates que ele foi debitando enquanto o médico tentava fazer da consulta uma coisa séria mas falhando redondamente. 

sábado, 6 de janeiro de 2018

É peixe...

Sempre que me quer dar graxa macaquita elogia as refeições que lhes preparo.
-Este jantar está delicioso, adoro este peixe! É o quê?- pergunta ela referindo-se à espécie.
-É o quê?! Ai macaquita, é bom! - responde o irmão prontamente.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Eu já tinha dito que ele fala muitas línguas mas e sotaques?!

Nos últimos dias, quando vou buscar macaquitos ao ATL, tenho encontrado uma mãe que não conheço, não sei o nome mas com quem sou sempre "obrigada" a trocar umas palavras de cortesia devido à empatia que macaquito sente por todas as pessoas adultas que lhe dêem dois dedos de conversa. Hoje, mais uma vez, já vinhamos a chegar ao carro quando macaquito se aproxima dela.
-Ah, olá mãe do X, como está tudo a correr na vossa casa?
-Oi, tudo bem? Está tudo bem na nossa casa e na sua casa? - responde-lhe a senhora meio espantada, meio divertida. Fala com o sotaque brasileiro que percebo pela primeira vez.
-Está tudo bem. Sabe? A mãe da Y também é brasileira. - diz ele, talvez achando que o Brasil é uma pequena aldeia e que quem de lá vem tem obrigatoriamente de se conhecer.
-Quem? Não tou vendo quem seja. - responde-lhe a senhora delicadamente mas claramente sem perceber o intuito da conversa que no fundo não tem objectivo nenhum, além da conversa da treta. Eu tento explicar e ela afinal até sabe.
-Ah, já sei de quem você tá falando. Aquela mãe da menina moreninha...
-Sim, sim, é essa. -diz macaquito -Vá até amanhã, uma noite descansada.
Já com uma perna dentro do carro, grita para a senhora com um sotaque brasileiro irrepreensível.
-Mãe do X, você é muito especial! - e de seguida olha para mim - Vês mãe, falei brasileiro.
-Pois foi filho, falaste mesmo... 
Não fosse já de noite e até teria conseguido perceber quem ficou mais ruborizada se eu, se a senhora.


domingo, 24 de setembro de 2017

Nunca passarei da cepa torta

Enquanto eu passava a ferro, ele brincava no chão com carrinhos, do nada diz-me isto.
-Sabes mãe, alguém me disse que tu és linda. - pousei imediatamente o ferro, senti o meu ego crescer e não me contive.
-Aí sim? E quem é que te disse isso?
-Olha, um abacate!