terça-feira, 20 de julho de 2021

Pérolas de macaquito

O nível de confiança que macaquito tem em mim está espelhado aqui... 


Fiquei muito emocionada ao abrir a agenda dele. Nem devia estranhar, se bem se lembram, ligou para o 112 quando perdeu a carteira. 

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Se "entram velhas, doidas e turistas" porque não haveriam de entrar pais natais e duendes?

Durante o almoço veio à baila o tema touradas já nem sei bem porquê. Macaquita, que tem sempre opinião para tudo, quis mostrar o seu ponto de vista.
-Eu não acho nada bem as touradas, só gosto daquela parte quando entram os pais natais. - olhámos uns para os outros meio baralhados e a pensar que confusão estaria aquele cérebro a fazer desta vez, visto que muitas vezes não percebe o que dizemos.
-Os pais natais??! - perguntamos quase em uníssono.
-Oh, que estupidez. Os duendes! - de repente fez-se luz e comecei-me a rir à gargalhada. No meio daquela confusão toda, nem consegui dizer o nome, entre gargalhadas e gestos a minha mãe lá conseguiu perceber e atirar com a palavra certa.
-Os forcados!
Afinal todos têm barrete.


Constatações de macaquita

Passados uns dias após me ter ouvido a estudar o sistema respiratório com o irmão, macaquita perguntou:
-Mãe, quando respiramos o que é que deitamos cá para fora?
-Não estou a perceber a pergunta...
-Quando respiramos, metemos oxigénio para os pulmões, não é?
-Ah! Sim e quando expiramos deitamos o dióxido de carbono. Quando inspiramos, fornecemos oxigénio às células e quando expiramos, deitamos fora o dióxido de carbono, ou seja, eliminamos as toxinas do organismo.
-Então quando alguém desmaia ou se afoga e tem de se fazer respiração boca-a-boca, estamos a mandar dióxido de carbono para dentro da pessoa. Isso não tem lógica nenhuma!
Pois não, pois não... É deixá-los morrer!


quinta-feira, 20 de maio de 2021


É nos seus momentos de estudo que me continuo a surpreender com as melhorias ao nível da motricidade fina. Não me venham cá dizer que é só na arte de fazer "piretes"! 

O mar


O seu mundo é o mar, não sendo alice é ali o seu país das maravilhas. Bajuladora, invoca-lhe a beleza, a sabedoria e a cor que descreve de um azul refletido, chama-lhe o seu paraíso . É ali que se sente livre, é ali que se sente maestrina de cada gota, de cada salpico e os dirige na direção do céu, o mais alto que consegue e o mar segue todas as suas orientações porque é o seu melhor amigo. O cheirinho do mar desperta-lhe todos os outros sentidos, sente-se plena e dona de uma amizade correspondida, capaz de o aborrecer com todas as sua observações impertinentes e ao mesmo tempo enaltecer a aptidão para se enrolar e trazer coisas novas até à areia. O mar gosta da sua companhia pois quando está frio, no inverno, ele sopra cá para fora aquelas grandes ondas porque se sente sozinho, desiludido até. Mas ela volta, no verão, quando acaba todos os seus afazeres e só quando o vê é que lhe chega o sorriso à boca e corre para os braços do seu melhor amigo porque é ali, no mar, onde se sente mais feliz.

*Texto escrito a partir de uma composição de macaquita ("roubado" a pedido). 


segunda-feira, 17 de maio de 2021

Do medo

Tem sido muito difícil escrever sobre o meu filho nos últimos tempos, talvez porque instituí que este blog tinha de ser uma coisa feliz e cheia de amor, ou apenas porque não sei bem qual o caminho que trilho com ele neste momento e me sinto a falhar. Ou que, pior do que isso, delego em mim uma culpa de que tudo o que fiz para trás foi tão mal feito que agora estou a colher os dividendos de todos esses erros. e neste momento, a felicidade está tão contida e o amor, sempre tão desmesurado, se perde entre ralhetes, punições e lágrimas.
Sei de antemão que sozinha não consigo  mudar o mundo e muitos menos os pensamentos padronizados de uma sociedade que educa pela vergonha e mais pelo que não se deve fazer do que pelo respeito e aceitação dos que divergem do padrão. Mas podia ter tentado, podia ter falado mais alto, podia não ter condicionado comportamentos com medo de que o julgassem ainda mais por ser ele próprio. Acredito cada vez mais que cada pessoa tem o seu lugar no mundo e não no seu mundo, se esse lugar for o de "esquisitóide", que seja, só que não seja "o esquisitóide que até tenta ser normal".
Partir do pressuposto que alguém que não é neurotípico, não é uma pessoa completa, dirige-nos no sentido de que há um vazio, uma falha que precisa de ser preenchido. O meu filho cresceu com uma mãe que demasiado tarde percebeu, ou percebeu agora, que mais que tentar integrá-lo, deveria ter trabalhado no sentido oposto. Muitas vezes eu tentei que o meu filho fosse "normal" mais do que tentei que os outros empatizassem com ele e os seus comportamentos. São momentos fugazes, na fila do supermercado, ou na loja onde ninguém te conhece, ou porque tens muita pressa e é mais fácil dizer "agora não podes fazer isso, tira as mãos dos ouvidos, não mexas nessa porta, não podes andar nu na praia". E apesar de sentir que sempre tentei educar as pessoas com o preâmbulo da aceitação, fi-lo de uma forma muito dirigida a quem tinha e tem de lidar com ele no dia a dia, deixando para trás todas as outras pessoas que compõem um mundo que não é o nosso.
Sinto que devia ter desafiado mais os outros, mais que desafiar macaquito com conceitos de normalidade, o que se impunha, e se impõe, é desafiar os outros a aceitá-lo da forma que ele é, com todas as suas estereotípias e a sua falta de filtro para os padrões normalizados na nossa sociedade. Todas as coisas que não deixei que fizesse por pensar que o estava a proteger e que não sendo confrontado com a azia alheia, ele não se magoaria, estão a ter um efeito boomerang porque ele está a crescer e está a tentar ser igual aos outros, só que os gestos mecanizados perdem-se quando confrontados com uma nova aprendizagem ou realidade e na adolescência isso é uma constante. E eu não estou sempre lá.
Eu não estarei para sempre cá!