segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Não há nada que não lhe aconteça

Macaquito foi com o pai ver o avô ao lar. Passado algum tempo, recebo isto:


Não panicou, falámos tranquilamente por vídeo-chamada até chegar o carpinteiro e a única preocupação dele era eu estar a rir-me da situação. 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Também sinto raiva

Tenho sido muito paciente, meu filho. Aceito de ânimo nada leve, todas as palavras que me contas que te dizem e finjo. Finjo que a maioria delas não tem grande importância, não quero que lhes dês importância, quero que enfatizes apenas as que valem a pena.
Ontem perguntaste se tenho nojo de ti, porque o Salvador assim te disse, que metias nojo e que eu e o pai tínhamos nojo de ti. Não te disse mas tenho nojo desse Salvador que não sei quem é, tenho nojo das palavras que lhe saem da boca, tenho nojo de saber que os pais do Salvador talvez não saibam mas deviam saber que o filho deles, tão pequeno, é uma criança má. Tenho nojo dos que te agridem e dos que te ignoram mas não te posso dizer. Digo-te que continues a fazer esse esforço tantas vezes frustrado de te incluíres num mundo que não é o teu e onde nem sequer te encaixas. Também te digo que não faz mal não seres parte de tudo ou de nada, que podes ser o que quiseres, que só não podes imitar os outros, porque ser igual aos outros é diferente de fazer parte de alguma coisa. Que te podes manifestar na tua individualidade mesmo que isso pareça estranho a tanta gente, que não podes copiar a maldade alheia mesmo que isso te faça sentir melhor. Não deixes que ninguém, nem mesmo eu, desenhe o teu caminho, fá-lo de estranheza, fá-lo de diferença, escreve-o em maiúsculas à máquina que só tu entendes mas nunca escrevas palavras que ouviste, se estas não forem as que te ouço quando me falas ao ouvido de mansinho. Faz o que te digo, não faças o que eu sinto...

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Capacidade de improvisação

Ele só tem autorização para ligar o telemóvel quando sai para almoçar ou em emergências. Normalmente aproveita para me ligar ou mandar mensagens com pequenos nadas a que não posso dar grande resposta ou arrisco-me a meia hora de conversa.
E depois?
Depois sou agraciada com respostas destas... 


domingo, 5 de janeiro de 2020

Até podia fazer sentido

-Ó mãe, quando os bebés nascem a barriga fica logo normal ou continuas gorda? - pergunta Macaquita.
-Demora uns dias a ir ao sítio, claro que fica mais pequena mas não é só o bebé que ocupa a barriga...
-Sim, eu sei. - interrompe ela - Há aquilo do tubo da Nestlé.
-Tubo da Nestlé????
-Sim, o tubo do cacau ou lá como se chama.
-Cordão umbilical! - nesta altura eu já não conseguia parar de rir.
-Pois, cordão umbilical. Sou mesmo parva, eu sei, mas quando falas nisso só me lembro de papas. 

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

1910

Enquanto almoçava com a mais pequena, faço um comentário qualquer sobre o Trump e ela pergunta-me imediatamente por que razão disse o que disse. Prevendo as 31567 perguntas seguintes, digo-lhe que são coisas da politica dos Estados Unidos e que é difícil de explicar.
-Ai, se fosse no tempo do Salazar, não podias dizer essas coisas. Podias ir presa!
-É verdade, macaquita. Mas uma coisa que o 25 de Abril nos trouxe foi a liberdade de expressão. Que é o que nos permite poder dizer um chorrilho de disparates e ninguém nos poder levar preso.
Entretanto contei-lhe umas quantas histórias sobre a ditadura em resposta a uma quantidade de perguntas que me foi fazendo.
-A professora bem me disse para te perguntar sobre o Salazar e o 25 de Abril, tu ainda te lembras?
-Não sou assim tão velha. - respondi-lhe a rir. -Mas sei o que aprendi na escola, o que li e o que algumas pessoas que viveram o 25 de Abril me contaram.
-E o avô, também meteu cravos na espingarda?
-Não mas esteve no Ultramar na guerra e ainda era militar quando se deu o 25 de Abril.
-E a avó?
-A avó não foi à tropa (risos...) mas lembra-se bem da ditadura.
-Então tu nasceste em 1970, não foi?
-Não, nasci em 77.
-E a avó?
-A avó nasceu em 1951.
-Ah pois é, ela ainda é do tempo dos reis!!!

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

A tropa manda desenrascar

Uma das condições inerentes a ser mãe de um miúdo como macaquito, é ter a capacidade de lidar com as situações mais inusitadas, se bem que aqui não tive de fazer nadinha... ainda.
Quando a professora de apoio me ligou logo de manhãzinha a dizer "Está tudo bem mas o Macaquito hoje desorientou-se um pouco, alguém chamou a PSP e uma agente da escola segura veio trazê-lo à escola...", estava longe de alcançar tudo o que se tinha passado na realidade. Perguntei se estava tudo bem com ele, que sim que tinha sido tranquilo mas que ele estava um bocado atrapalhado e preocupado.
Na realidade e depois de uma rigorosa investigação com interrogatório à vítima (ainda não percebi quem é a vítima aqui...) o que aconteceu foi isto:
Macaquitos vão todas as manhãs com uma pessoa amiga que os deixa perto das escolas de ambos, macaquita aguarda com amigos ali perto pois entra meia hora mais tarde e ele segue sozinho, só tem de descer um passeio, 100 metros no máximo, nesse caminho achou que tinha perdido a carteira, na carteira tem o cartão da escola que precisa para entrar, reacção.... entrar em pânico!! Pensou, pensou, pensou e resolveu. Resolveu o quê, perguntam vocês. Resolveu ligar para o 112, afinal era uma emergência.
A pessoa que o atendeu, a quem agradeço, ligou para a PSP que é mesmo ali ao lado da escola dele e eles mandaram um carro da Escola Segura ter com ele e entregaram-no na escola. 
Depois de lhe explicar mil vezes que não estava zangada mas que o problema dele estava longe de ser uma emergência, dei-lhe um abraço e pedi que não repetisse a graça.
Agora só gostava de ter acesso à gravação da chamada do 112, gostava mesmo muito, deve ser hilariante. E também vou ter de ir à PSP, agradecer e pedir desculpa...



Ah! A carteira estava na mochila, junto do telemóvel. Eu mesma a coloquei lá... como faço todos os dias!