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domingo, 23 de setembro de 2018

Merece crédito pelo engenho

Pai macaco resolveu fazer mousse de chocolate, desvalorizando o facto de ter dado cabo da batedeira da última vez que a usou. Claro que as peças continuam no armário aguardando melhores dias para substituição (começo a perceber aquelas pessoas que guardam todos os tarecos, nunca se sabe quando podem fazer a diferença!)
-Então e agora como faço?
-Bates a mousse à mão, antigamente não havia batedeiras. -digo-lhe eu já adivinhando que havia de sobrar para mim. Fui à cozinha, juntei a quantidade de leite necessária e fui mexendo até me doer o braço.
-Vá, agora acaba que já me dói o braço.
Depois de experimentados todos os dispositivos eléctricos disponíveis na cozinha, desde a varinha mágica ao pé de puré e nada satisfazer os seus intentos, dou com ele a fazer isto...



Digam lá que o meu companheiro não é uma pessoa cheia de ideias?

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Conselho

Não deixem os vossos filhos aproximarem-se dos vídeos do Bruno Aleixo, correm o risco de eles adorarem aquilo, acordarem um dia de manhã e fazerem a seguinte constatação:
-Mãe, se não conseguir ir para os CTT, quero ser proxeneta!

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Raramente faço fritos em casa

Macaquita anda teimosa para comer, demora séculos e as refeições são cansativas e pouco proveitosas porque não gosta, não tem fome, tem sono, tem de ir à casa-de-banho ou fazer qualquer coisa tão importante que não pode esperar. Claro que não a deixo tirar o rabo da cadeira enquanto não acaba mas é complicado à hora de almoço porque tem de voltar para a escola a horas. Nos últimos tempos optei por lhe tirar o prato quando chega a hora de ir embora e voltar a dar-lhe o mesmo comer na refeição seguinte. Ontem combinei com o pai que o jantar seria batatas fritas com salsicha e ovos estrelados, um verdadeiro martírio para os crescidos mas a refeição que faz as delícias para os pequenos. 
Chegámos da piscina e ela ajudou-me a descascar batatas, abriu as salsichas e ajudou a fritar cogumelos que adora. Depois da canja, servi-lhe esparguete com carne que sobrara do almoço num prato igual ao que deixara e servi os restantes pratos com a comida que me ajudou a preparar. Não disse nada, comeu tudo e esperou que terminássemos para ver o que sobrava, fiquei na mesa a comer batatas fritas (de castigo) até não sobrar nem uma. Não disse uma palavra, comeu a fruta e seguiu a sua vida.
Hoje, quando a fui buscar à escola perguntou-me o que era o almoço.
-Puré com peixe.
-Puréeee? Puré? Pensava que era batatas fritas.
-Isso foi o jantar ontem, hoje é puré e peixe.
-Pensas que eu não percebi. Eu vou comer o puré todo mas quando for mais velha e fores a minha casa para jantar não te vou dar nada!

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Comme il faut

Costumo aceder ao pedido do bolo temático, os cupcakes e convites personalizados, assim como os saquinhos de oferta deixo para as pessoas que têm tempo, dinheiro e paciência a rodos. Este ano o pedido foi para a Patrulha Pata, corri Ceca e Meca e nada, olhem para mim a hiperbolizar mas na verdade, fui a todos os hipermercados, lojas de cake design e até de brinquedos e nada de coisas caninas alusivas ao tema. Sou eu quem faz o bolo por causa das intolerâncias alimentares, logo não dá para ser impresso ou com aquelas tretas em pasta de açúcar que se faz em qualquer pastelaria. 
Puxei pelos dois neurónios que ainda me restam e enquanto ensacava a tralha para irmos para a aldeia, enfiei uma nave espacial no saco, umas bolas de esferovite e uma caixa de guaches na expectativa de inventar qualquer coisa que resultasse.
E não é que correu bem? Nem se lembrou do que tinha pedido e estava radiante com os planetas e um brinquedo que nem percebeu que era dele.



sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O mapa do chichi

As primeiras vezes que falei com o pediatra de macaquito sobre retirar a fralda, ele pedia-me calma e dizia com um ar muito condescendente "Conte lá para os 5 anos". Eu, que não sou pessoa de desmotivar e muito menos de levar à letra tudo o que o pediatra me diz, fui tentando, limpei muito chichi no chão, corri com ele no ar até à casa de banho com chichi em andamento só para que ele terminasse no local correcto, andava com o bacio atrás dele enquanto brincava mas ele nunca lá se sentou ou acertou. Contra tudo e contra todos, aos 3 anos e meio, macaquito descobriu a sanita e largou a fralda, de dia e de noite. E assim foi até entrar no ensino básico.
Fazer chichi na cama é para mim o sinal de que alguma coisa está mal, quando acontece já sei que tenho de fazer investigação, visto a gabardina, pego na lupa e lá vou eu em busca de pistas. Acreditem,  não é tarefa fácil, tenho de procurar aquilo que para ele possa ser confuso ou provocar algum tipo de distúrbio emocional, invalidando todos os conceitos que tenho de normalidade, podem tirar-lhe brinquedos, roubar o lanche ou o material escolar que ele não está nem aí mas o facto de um amigo fazer uma birra na aula porque não quer ler o texto do dia ou a pessoa que habitualmente o vai buscar não ter ido nesse dia por um motivo qualquer, pode confundi-lo e muito. O que é válido para hoje, não tem de ser válido para amanhã, as frustrações podem vir da coisa mais estúpida que possamos imaginar, a maioria das vezes, não chego lá e não chegando à raiz do problema, não consigo resolvê-lo, logo o problema subsiste e o chichi também. 
Chegando ao que interessa, agora tenho um truque, informação preciosa transmitida por uma psicóloga e que com macaquito funcionou SEMPRE. Obviamente, este método serve para qualquer criança, portanto, fica a dica para pais que estejam cansados de lavar lençóis dia sim, dia sim.
Lá em casa chamamos-lhe Mapa do Chichi, na realidade, é uma espécie de calendário. Desenhamos numa folha branca um calendário com os dias da semana (pode ser semanal ou mensal) e um quadrado em branco. Esse calendário é de uso exclusivo de macaquito, quando se levanta de manhã,  a primeira tarefa é desenhar um sol ou uma nuvem chuvosa, conforme tenha sido a sua noite. A palavra chichi está proibida nas conversas, não ralhamos, não mencionamos, quando há chuva durante a noite, mudo-o e ele já sabe que tem de tirar os lençóis e colocá-los dentro da máquina da roupa. Perceber que isso implica trabalho e que esse trabalho não é da mãe ou do pai, dá-lhe motivação para se controlar. Tendo em conta a meta que lhe impusemos, normalmente semanal, se tiver muitos sóis tem uma recompensa (que NUNCA passa por presentes), escolher o jantar ou o sítio onde vamos passear. Se a chuva prevalecer, tiramos-lhe qualquer coisa que goste bastante, horas de televisão, o tempo de jogar no tablet, aumento de tarefas, sem fazer grande alarido.
Não usamos isto diariamente, apenas se houver acidentes vários dias seguidos, começamos sempre com um novo calendário e no caso dele, após um dia ou dois, está resolvido. Até hoje, nunca o punimos, no entanto, (nós, pais) já comemos MacDonalds de castigo algumas vezes à conta do Mapa do Chichi.