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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Eu não comprei bilhete para as sequelas

Terceiro dia de ensino online, comparativamente a Março passado não está pior. Os meios técnicos são melhores, os miúdos estão mais autónomos apesar de muitas vezes me chamarem para ajudar com qualquer coisa, um link que não conseguem aceder, um micro ou headphones que não funciona porque dependendo da aplicação usada pelo professor os controladores mudam, um trabalho que é preciso enviar ou apenas para compreenderem o que é para fazer mas a sala é palco para tudo. Duas secretárias, instrumentos, estantes e afins do articulado de música, tapete para ginástica e único local da casa onde o gato pode estar. O gato é bipolar, ora pede para sair, ora pede para entrar, a mãe caminha em bicos dos pés sempre que precisa de fazer qualquer coisa na sala e juntando as terapias serão todos os dias da semana das 8:15h até às 16h, 17h ou 18h. Os espaços das assíncronas, no horário de cada, são utilizados para adiantar TPC para não acumular coisas de um dia para o outro. (Adoro o palavreado técnico, assíncronas, síncronas, presencial, juntando com #fiqueemcasa, covidário e #vaificartudobem estas são algumas das palavras que serão banidas do meu vocabulário logo que esta trampa acabe!!)
Vamos ver até quando a minha saúde mental permite que eu leve este barco a um porto qualquer, não tem forçosamente de ser "bom". Nesse sentido, pai macaco reforçou o stock de vinho ontem com a seguinte frase:
-Está ali outro pipote de vinho para ti!
-Para mim?! Gosto desse pormenor. - respondi com uma risadinha.
-Claro, eu quase não bebo vinho e só já ali está um litro ou dois. - atira ele cheiinho de razão.
Bendita amiga que sugeriu os pipotes à garrafa, é que é só encostar à torneirinha. Uma pessoa chega ao fim do dia, encosta-se ao balcão da cozinha para fazer o jantar e tem de ter uma companhia.
Estarei por casa até ao final de fevereiro, depois tenho de "abandonar". Se eles não voltarem ao presencial brevemente, é provável que chumbem o ano e eu, meus caros leitores, estou-me bem borrifando! 



quarta-feira, 22 de abril de 2020

Da escola em casa

Ao fim de um mês e tal resolvi parar, atingi o meu limite e só me dei conta quando gritava com os miúdos como se fosse louca. A primeira semana foi insana, como já referi num post anterior, depois de criarmos uma rotina, consegui com algum sacrifício de parte a parte, ir fazendo o que era suposto. 
Depois das férias da Páscoa o que mais temia aconteceu, a escola mudou tudo outra vez, tudo o que consegui alcançar nas semanas anteriores foi para o lixo. A gestão do espaço para conseguir trabalhar com ambos, foi para o lixo. A programação de rotinas e horários, foi para o lixo. O tempo criado para brincadeiras, arte, música fora do contexto escolar, foi para o lixo. 
Decidi, depois de chorar copiosamente, que não desistia sem experimentar e na segunda feira, começámos às 9h e terminámos às 19h10, 10 horas e 10 minutos de fichas, exercícios de educação física, matemática, português, história, tele-escola, etc. Fizemos pausas para comer obviamente, mas não fiz uma única tarefa doméstica. Não pegámos nos instrumentos musicais que era coisa que fazíamos diariamente durante o tempo de aulas. 
Desisti, melhor dizendo, resisti! Falei com os professores de ambos, comprometi-me a continuar a estudar com ambos, a realizar as atividades que são pedidas, a rever conteúdos e ensinar novos conteúdos mas ao nosso ritmo, sem tele-escola, sem obrigação de devolver todas fichas, sem vídeos para tudo e mais umas botas, acima de tudo sem pressão. 
Como mãe tenho um papel importante na vida dos meus filhos, que neste momento passa por substituir os professores, no entanto, nunca concordei com a escola actual, métodos obsoletos, pouco inclusiva e demasiado competitiva. Não vejo assim razão para transformar a minha casa naquilo com que nunca concordei, portanto, da mesma forma que não vou meter o bedelho na sala de aula e resigno-me ao ensino que cada um dos meus filhos recebe quando está na escola, também não vou permitir que a escola venha a minha casa dizer-me o que é melhor para a educação dos meus filhos.
A empatia e compreensão que recebi por parte dos professores, só me leva a crer que estou na direção certa, que tomei a decisão certa. Ouvir destes que estão a tentar chegar às estruturas coordenativas para alertar do risco de exaustão de famílias e professores e que se assim continuar corre-se o risco de tornar inúteis todos os esforços feitos até agora, tirou-me o peso na consciência de poder estar a desistir antes do tempo. 
Não vamos parar de aprender, vamos aprender mais devagar, vamos brincar mais, vamos fazer arte e música, vamos continuar macacos que os humanos estão todos doidos!