sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

1910

Enquanto almoçava com a mais pequena, faço um comentário qualquer sobre o Trump e ela pergunta-me imediatamente por que razão disse o que disse. Prevendo as 31567 perguntas seguintes, digo-lhe que são coisas da politica dos Estados Unidos e que é difícil de explicar.
-Ai, se fosse no tempo do Salazar, não podias dizer essas coisas. Podias ir presa!
-É verdade, macaquita. Mas uma coisa que o 25 de Abril nos trouxe foi a liberdade de expressão. Que é o que nos permite poder dizer um chorrilho de disparates e ninguém nos poder levar preso.
Entretanto contei-lhe umas quantas histórias sobre a ditadura em resposta a uma quantidade de perguntas que me foi fazendo.
-A professora bem me disse para te perguntar sobre o Salazar e o 25 de Abril, tu ainda te lembras?
-Não sou assim tão velha. - respondi-lhe a rir. -Mas sei o que aprendi na escola, o que li e o que algumas pessoas que viveram o 25 de Abril me contaram.
-E o avô, também meteu cravos na espingarda?
-Não mas esteve no Ultramar na guerra e ainda era militar quando se deu o 25 de Abril.
-E a avó?
-A avó não foi à tropa (risos...) mas lembra-se bem da ditadura.
-Então tu nasceste em 1970, não foi?
-Não, nasci em 77.
-E a avó?
-A avó nasceu em 1951.
-Ah pois é, ela ainda é do tempo dos reis!!!

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

A tropa manda desenrascar

Uma das condições inerentes a ser mãe de um miúdo como macaquito, é ter a capacidade de lidar com as situações mais inusitadas, se bem que aqui não tive de fazer nadinha... ainda.
Quando a professora de apoio me ligou logo de manhãzinha a dizer "Está tudo bem mas o Macaquito hoje desorientou-se um pouco, alguém chamou a PSP e uma agente da escola segura veio trazê-lo à escola...", estava longe de alcançar tudo o que se tinha passado na realidade. Perguntei se estava tudo bem com ele, que sim que tinha sido tranquilo mas que ele estava um bocado atrapalhado e preocupado.
Na realidade e depois de uma rigorosa investigação com interrogatório à vítima (ainda não percebi quem é a vítima aqui...) o que aconteceu foi isto:
Macaquitos vão todas as manhãs com uma pessoa amiga que os deixa perto das escolas de ambos, macaquita aguarda com amigos ali perto pois entra meia hora mais tarde e ele segue sozinho, só tem de descer um passeio, 100 metros no máximo, nesse caminho achou que tinha perdido a carteira, na carteira tem o cartão da escola que precisa para entrar, reacção.... entrar em pânico!! Pensou, pensou, pensou e resolveu. Resolveu o quê, perguntam vocês. Resolveu ligar para o 112, afinal era uma emergência.
A pessoa que o atendeu, a quem agradeço, ligou para a PSP que é mesmo ali ao lado da escola dele e eles mandaram um carro da Escola Segura ter com ele e entregaram-no na escola. 
Depois de lhe explicar mil vezes que não estava zangada mas que o problema dele estava longe de ser uma emergência, dei-lhe um abraço e pedi que não repetisse a graça.
Agora só gostava de ter acesso à gravação da chamada do 112, gostava mesmo muito, deve ser hilariante. E também vou ter de ir à PSP, agradecer e pedir desculpa...



Ah! A carteira estava na mochila, junto do telemóvel. Eu mesma a coloquei lá... como faço todos os dias!

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Tal e qual filho, é como carregar uma cruz.

Entra no carro a correr, atira a mochila e o saco de ginástica para o banco de trás e a primeira coisa que me diz é:
- Mãe, preciso de falar contigo... - a voz dele indicava problemas.
- É grave?!
- Errr... bem... eu nem sei.
- Diz lá o que se passa. - tento manter a voz tranquila mas tendo em conta tanta coisa que tem acontecido desde que começou a escola, fico sempre um bocadinho em pânico. - Sabes que estou aqui para te ouvir e ajudar, não sabes?
- É que... É que.... Acho que tenho uma paixoneta pesada por uma colega da minha turma.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Até estava a correr bem

Fomos a uma loja, quando saíamos Macaquito fez questão de me segurar a porta.
- As senhoras primeiro. - disse.
- És um autêntico cavalheiro. - respondi-lhe. Ao mesmo tempo chega uma senhora que espera que eu saia e lhe faz sinal para sair também.
- Não, não minha senhora, pode passar. - e continua segurando a porta. A senhora insiste pois percebe que eu aguardava. Erro crasso!
- Não minha senhora, eu sou um cavalheiro. As senhoras IDOSAS primeiro.

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Não sei se desabei ou se desabafei

Estava ligeiramente irada, ligeiramente é como quem diz, a espumar. Pela primeira vez berrei com macaquito, nem sei se berrar é o termo, acho que foi mais um rugir. 
Foi meio incrédula que, ainda na escola de música, ouvi o relato de como se passou com os colegas, interroguei-o sobre o porquê de tudo aquilo com alguma calma, segurei-me para não me rir na parte em que me dizem que conseguiu ofender todos os colegas mais anafados com tantos adjectivos diferentes que a professora não conseguiu repeti-los todos, já não achei tanta piada ao chorrilho de asneiras que destilou sem olhar a quem. Há que valorizar a riqueza do vocabulário mas não posso permitir que perca as estribeiras, a vergonha e a educação, tudo ao mesmo tempo. Para colmatar a coisa em grande, chegados a casa, abro a mochila para pôr a lavar pois tinha rebentado um pacote de sumo lá dentro e percebo pelo estado em que se encontram os livros, dossier e algum material escolar, que o rebentamento só poderia ter acontecido devido a um embate a não menos de 150 km/h. 
Saltou-me a tampa! Chamei-o ao quarto e dei-lhe o raspanete de uma vida, castiguei-o por duas décadas e ele, sem me responder, logo ele que tem sempre resposta para tudo, esperou uma pausa e um virar de rosto, para fugir de fininho, pé ante pé antes que eu concretizasse alguma das ameaças que me fugiram à boca naquele curto espaço de tempo. 

quinta-feira, 21 de novembro de 2019