quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

No fundo só os gatos importam

-Sabes mãe, ser bombeiro afinal não é assim tão fixe. Acho que já não quero ser bombeiro.
-Então porquê? Andas indeciso outra vez?
-Os bombeiros só salvam gatos... e apagam fogos. Não fazem mais nada fixe. Acho que quero mesmo ser carteiro.
-Humm, carteiro. E o que fazem os carteiros assim tão fixe? - pergunto.
-Ooohhh mãe, entregam o correio. Mas também podem salvar gatos!

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Depois das cenas cómicas na sala de espera e antes da cantoria no corredor de saída

Uma consulta, num consultório enorme com duas valências, de um lado está macaquito a ser visto pelo médico e do lado oposto, um outro menino com os pais a fazer avaliação com as técnicas. Até aqui, tudo normal, o que não acho nada normal mas compreendo tão bem, é o progenitor da outra criança, não ter prestado atenção nenhuma à avaliação do seu próprio filho porque não tirou os olhos de macaquito e ria à gargalhada com todos os disparates que ele foi debitando enquanto o médico tentava fazer da consulta uma coisa séria mas falhando redondamente. 

Tão crédulo

Após uma noite de 4 horas e meia, mal dormidas, seguimos viagem até Lisboa para mais uma consulta, não se cala um minuto e não há sono que resista a tanta tagarelice. Nevoeiro cerrado até Vila Franca, ao chegarmos à zona do aeroporto, o trânsito em pára-arranca, por coincidência começam a dar as notícias do trânsito na rádio. 
-Olha mãe a Inês Lopes Gonçalves deve estar a ver-nos nas câmeras do trânsito.- ainda lhe admiro a capacidade de reconhecer todas as vozes da rádio  mas respondo em tom de gozo.
-Sim, sim, provavelmente está!
Estranho a ausência de resposta, espreito  pelo espelho e vejo macaquito a acenar vigorosamente para a janela.

sábado, 6 de janeiro de 2018

É peixe...

Sempre que me quer dar graxa macaquita elogia as refeições que lhes preparo.
-Este jantar está delicioso, adoro este peixe! É o quê?- pergunta ela referindo-se à espécie.
-É o quê?! Ai macaquita, é bom! - responde o irmão prontamente.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Começo por adiantar um pedido de desculpas aos meus vizinhos

Depois de meses de estudo do Balão do João para violino, vai que o professor de acordeão de macaquito lhe dá a mesma música para estudar. 
A primeira diferença está apenas nas notas musicais, passamos de um MI DO DO RE SI SI... para um SOL MI MI FA RE RE...
A segunda e primordial diferença é que macaquita traz o violino para casa e eu estudo com ela, o que tem contribuído em larga escala para a minha perda de capacidade auditiva. Já macaquito, só toca na aula, em casa estuda as notas comigo, ou seja, cantamos as notas em casa, o que acredito que já tenha contribuído para uma eventual ordem de despejo por parte da demais vizinhança.
Ontem fomos à aula dele, a qual eu assisto (numa metodologia  de "watch and learn") e ele ia com a lição bem sabida mas apesar de se sair sempre melhor do que eu espero quando toca a pôr os deditos nas teclas do acordeão, dou comigo a pensar que ainda temos um longo caminho pela frente. 
No entanto, posso até dizer felizmente, ele tem um professor fantástico que acredita mesmo nele e tem muito de pedagogo. No final da aula, a notícia que macaquito aguardava ansiosamente desde Outubro.
-Bem macaquito, acho que estás quase preparado, mais duas aulas e começas a levar o acordeão para casa.
Pareceria muito mal se deixasse umas caixinhas de tampões para os ouvidos em cada caixa de correio?

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Daqui para a frente

Vejo os meus filhos crescer num instante, faço planos de coisas que quero fazer com eles e assusto-me ao reparar que talvez já não vá a tempo. Parece que tenho os dias a prazo, a infância é demasiado curta e quando todas as possibilidades não passam disso, possibilidades, vai que eles já têm as calças demasiado curtas. De movimentos restringidos nada posso fazer que não seja almejar, por dias melhores, por saúde, dinheiro e felicidade, esta última acaba por ser a mais fácil se não formos demasiado exigentes, fico-me bem com um fado mal cantado ou um violino tocado com a pressa de quem vai apanhar o comboio. Não me assusta a velhice, afinal quando lá chegamos é para o resto da vida, portanto, não há que temer, temo somente que lá chegue antes de cumprir os planos que vou protelando por razões que me ultrapassam e às quais, por mais que me esfalfe, não consigo pôr cobro.
Assim sendo, tudo o que desejo daqui para a frente, é uma camisola mais larga, que me permita mexer e cumprir com as promessas que teimo em não fazer para não lhes falhar.