Macaquita gosta de caracóis e de ........ ........... .......... cerveja, pronto, já disse. Antes de me crucificarem eu vou explicar como descobri, não que abone muito a meu favor mas sempre dá para perceberem que sou um bocado anormal e tendo isso em conta, serve de atenuante.
Estava eu com os dois rebentos numa esplanada de Porto Côvo, vai que eles me pedem caracóis e eu, como gosto de lhe fazer todas as vontades (mentira, estava a apetecer-me mais que a eles), pedi um prato grande dos ditos bichos, umas águas e uma imperial para mim. Macaquita no auge dos seus 22 meses, olha para a cerveja e pede.
-Mamã, quéo xumo.
-Bebé, não é sumo, é cerveja. Está aqui água.
-Não! Quéo xebeja!
-Tu não gostas, bebe água agora que a mamã pede um sumo.
-Gota gota, quéo xebeja.
E eu, que nem chica-esperta, toca de dar cerveja a provar à criança, apenas porque tinha a certeza de que ela ia odiar o sabor amargo da cerveja, como todas a crianças, não é??! Não, não é! Então não é que aquela parvalhona gostou?!
-Macaquita gota, quéo maix!
-Não gostas nada, é blhéc, não presta!
-Gota muito, quéo xebeja!
E a partir deste momento foi o descalabro total, macaquita pôs-se em pé na cadeira e gritou para quem quisesse ouvir, no dia seguinte havia relatos disso na Ilha do Pessegueiro, consta que se ouviam os gritos por lá.
-QUÉO XEBEJAAAAA! EU GOTO DE XEBEJAAAAAAA!
Escusado será dizer que os sumos amarelos que pedi na tentativa de a enganar, não remediaram nada e passei o resto da tarde a olhar constrangida para as pessoas e a dizer com os olhos que não a conhecia, que aparecera ali e tive pena de a mandar embora. E macaquito, alheio a tudo aquilo, morfava caracóis como se não houvesse amanhã.