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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Valha-me Deus!

-Mãe, posso ser rosada?
-Rosada?
-Sim, se eu for rosada posso ter mais irmãos, não é?
-Mas rosada como? Não estou a perceber.
-Aiiii, aquela coisa de pôr água na cabeça e depois ser irmã de toda a gente. - diz já meio esbaforida e a falar muito depressa.
-Ahahahahha, a confusão que vai nessa cabeça. Não é rosada, é baptizada e diz-se rezar, não rosar.
-Mas posso,mãe? Ser rezada ou baptizada ou lá o que é isso.
-Podes, quando cresceres e conseguires perceber tudo o que isso implica. Mas uma coisa te garanto, ser baptizada não te vai dar direito a ter mais irmãos. 

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

9X9

Apesar da ansiedade com que esperava pelo primeiro dia de aulas, o querer rever o amigo F., e matar saudades das professoras, eu já sabia o que estava para vir e claro que assim que chegou a casa, chegou com ele a "dor de barriga". A muito custo lá o convenci que teria de voltar de tarde, que era só mais um bocadinho e que mal daria pelo tempo passar. Andamos nisto desde quarta-feira, de manhã vai relativamente tranquilo mas a hora de almoço é um carrossel de emoções para ele e obviamente para mim. Sei que ainda vai demorar algum tempo a entrar na rotina e que até lá o desafio é diário, encho-me de argumentos bacocos, encho-o de mimos e abraços mas nada do que faço parece suficiente para o acalmar. Hoje ao deitar a derradeira tentativa:
-Mamã, amanhã não me obrigues a ir para a escola.
-Claro que não, eu não obrigo ninguém a ir para a escola.
-Então posso ficar contigo em casa?
-Claro mas temos de arranjar qualquer coisa que possamos fazer os dois.
-Olha, ficamos os dois a trabalhar, eu estudo contigo.
-Tudo bem, então amanhã começamos pelas tabuadas que eu acho que já não te lembras muito bem.
...

...

...

-Afinal acho melhor ir à escola, não quero que a professora sinta a minha falta.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Ele é tão literal

Enquanto matávamos saudades ao telefone, macaquito começa a ralhar comigo.
-Sabes mãe, não sei o que andas a fazer, estou sempre a ligar do telefone do avô e tu tens SEMPRE o telefone desligado.
-Não pode ser, deves ter-te enganado a marcar o número, eu tenho SEMPRE o telemóvel ligado.
-Na na na na na, eu marquei bem o número, aparece aquela senhora e diz "o número que ligou não está atribuído" e desliga-se.
-Vês? Se aparece essa senhora é porque marcaste o número mal. Diz lá o número que marcaste.
-9XX XZD XXX
-Pronto, está explicado, não é ZD, é DZ. Isso nem parece teu.
-Ah, pois é mamã. Desculpa... - diz-me com uma voz muito triste.
-Sabes o que me apetece fazer-te agora? Roer-te as duas  orelhas ao mesmo tempo. - digo em tom de brincadeira.
-Oh mãe, não dá. Tu não vês que tenho uma ocupada com o telefone? Se não como é que podia estar a falar contigo?!

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Ciúmes

Toca o telemóvel, do outro lado uma voz cheia de mimo.
-Estou mãe, estou sozinho em casa!
-Sozinho? Onde estão os avós? - pergunto preocupada.
-O avô foi levar a mana ali à rua para ela ir andar com a avó.
-Ah! Ok, então não demora nada. Precisas de alguma coisa?
-Não, estava com saudades e aproveitei para ligar, estás sozinha?
-Sim e com muitas saudades também.
-Olha, não precisas de ligar à hora de jantar.
-Então porquê? - não consegui evitar a gargalhada porque já estava a adivinhar o que me ia dizer.
-Já falámos agora e assim tens mais tempo para descansar.
-Eu não estou cansada e não falei com a mana, talvez seja melhor ligar para lhe dar um beijinho de boa noite.
-Não, não precisas ligar, eu dou-lhe os teus cumprimentos e ligas amanhã pela fresquinha. Vá, adeus, gosto muito de ti. Vou desligar....
E desligou!

terça-feira, 6 de junho de 2017

Quando percebes que já não fazes parte do testamento


É muito bom podermos contar com os avós para ficar com os miúdos quando estão doentes e não podem ir à escola. Sabemos que estão bem entregues, que os avós vão cuidar deles da mesma forma que cuidaram de nós ou mesmo melhor. Sabemos que os vão mimar, que nada lhes vai faltar e que os dias de doença, dores e febres acabam sendo dias de brincadeira, jogos e que provavelmente lhes vão contar os disparates que nós fazíamos quando tínhamos a mesma idade. 

E quando voltam para casa, saudáveis e felizes, acabamos por estar mais tempo na cama deles que o suposto, apenas para matar saudades e para ouvirmos tudo o que têm para contar. 
-Vá Macaquita, já chega, agora tens de dormir.
-Olha, só mais uma coisa...
-Ok, diz lá.
-A avó disse que tu és palerma!

terça-feira, 30 de maio de 2017

Três dias...

Por força de uma valente amigdalite, macaquita ficou uns dias nos avós e macaquito tem estado como prefere, sozinho comigo. Quando chegámos da escola, ele pegou no velho telefone avariado que encontrou no sótão e no qual tem conversas intermináveis com as pessoas de quem sente saudades.
-Estou avô, é só para dizer que a mana fica aí mais três dias... Sim, sim, por causa da febre... Vá, adeus, um beijinho.
-Acho que estás com azar, macaquito, já falei com o avô e a mana está melhor. A avó vem trazê-la hoje. - digo-lhe eu enquanto preparava o lanche.
-A sério, mãeeeeeee? Mas eu não quero que ela venha.
-Pois, eu sei mas a mana não pode faltar mais à escola e eu também tenho saudades dela. Além disso, estiveste dois dias sozinho comigo, com o mimo tooooooodo para ti. 
-Ok, não há problema, ela pode vir. Quando a avó chegar, vou-me embora com ela, vou eu três dias para casa dos avós.


quinta-feira, 25 de maio de 2017

Pelo menos tem consciência

O alarme do telemóvel toca, passo os dedos para desligar, deixo sempre o telemóvel estrategicamente colocado na mesa de cabeceira para que o possa desligar ao primeiro som. No mesmo momento ouço:
-Bom dia mamã, dormiste bem?
-Estás aqui?! Nem dei por ti mas sim dormi bem. 
Saio da cama e despacho-me no banho, enquanto me vestia, ele diz preocupado.
-Mamã, o teu telemóvel fez aquele som de acordar. - e reproduz o som tal e qual - eu desliguei, duas vezes mamã.
-Fizeste bem, devo ter-me enganado a desligar. Obrigada.
-Desculpa se mexi no telefone sem autorização.
-Não faz mal, fizeste bem em desligar.
-Mas desculpa mamã, eu sei que não devo mexer sem pedir...
-Já disse que não faz mal, não vais ficar a manhã toda a bater na mesma tecla, pois não?
Cala-se e fica pensativo, olha em redor durante alguns segundos e de repente:
-Qual tecla mamã, não vejo aqui nada.
-Ahahaah, desculpa é só maneira de falar, "bater na mesma tecla" é estar sempre a dizer a mesma coisa.
-Ah! Já percebi mas não vejo qual é o mal, isso é o que eu faço sempre.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Absurdos

Dou-vos macaquito exactamente como ele é, privilegiando obviamente as histórias divertidas que nos preenchem a maior fatia do nosso dia a dia. Seria redutor falar apenas na sua condição rara ou no seu autismo porque isso é apenas uma pequena parte da criança fantástica que é mas serão com certeza motivos para amá-lo ainda mais. Quão estranho foi sentir que no momento em que saiu de mim e que o olhei pela primeira vez apenas me deleitei com os pormenores, a boca perfeita, o nariz arrebitado e a penugem que lhe cobria a cabeça, não me apaixonei naquele momento, amava o todo há tanto tempo que nem saberia dizer em que ocasião fui tomada por aquele amor e nem os defeitos todos do mundo poderiam quebrar a validade do selo branco que o autentica.
Por tudo isto talvez, em dias como os de hoje, em que faz muitos disparates e recebo queixas poucos habituais à porta da escola, inunda-me uma tristeza e apetece-me castigá-lo e até dar uma palmada mas depois lembro-me que afinal o meu filho não é uma criança como as outras e que precisa de ouvir vinte vezes, ou vinte mil, que não precisa de ser o palhaço da escola para ter atenção das outras crianças. E ao deitar, confesso-lhe mais uma vez o meu amor incondicional, explico-lhe que não precisa de regatear atenção porque a tem de quem importa e formato-o para fazer um pedido de desculpas sincero à professora que tem por ele um amor parecido com o meu.
E depois fico mais uma vez a pensar nas incongruências de ter de formatar uma criança para que ela distinga o certo do errado.  





domingo, 30 de abril de 2017

Falta-me poder de argumentação

Numa das nossas intermináveis conversas apenas com o intuito de protelar a hora de dormir, macaquita começa a falar da avó e do quanto gostaria que ela morasse mais perto de nós.
-Ainda por cima ela é nossa amiga. - dizia.
-Pois é, a avó gosta muito de nós. - respondo-lhe.
-Mas ela tem um problema, tem medo de cobras.
-É normal, as pessoas têm medos, por vezes nem se consegue explicar bem porquê.
-Sim mãe mas ela tem medo da minha cobra de peluche.
-Ok e tu tens medo do escuro, também me parece pateta ter medo do escuro.
-Daaaahhhh, a sério mãe? Eu não tenho medo do escuro de peluche!  

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Suponho que correu mal

Liguei-lhe à noite, atendeu feliz e com o discurso do costume.
-Boa noite mamã, em que posso ajudar?
-Olá macaquito, como estás?
-Estou bem, estou aqui a brincar com os avós aos professores.
-E o que andaste a fazer hoje?
-Olha, estive a trabalhar. - o que quer dizer que esteve a fazer TPC's.
-Então e correu bem? - perguntei sabendo que no dia anterior a coisa não tinha sido muito pacífica.
-Espera! Tenho de ir para trás do cortinado.
-Do cortinado? Não me digas que é para ninguém te ouvir?

...

...
 
-É só para te dar um beijinho e desejar uma noite descansada. - e desligou sem passar o telefone à avó como habitualmente.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Mesmo sem saber, ele disse MESMO que queria

Macaquito chegou da escola, feliz por ser o último dia e também porque trazia um pato, em cartão amarelo, recheado de ovinhos de chocolate. Como ele não gosta de doces, costumo ser presenteada com este tipo de tesouros e já contava com o ovo no... vocês conhecem o provérbio.
-Que lindo pato.
-Foi a Luisa que me ajudou a fazer, tem ovos de chocolate, não os partas.
-Claro que não, os ovos de chocolate não se partem. São para mim ou para a mana?
-Para o pai, claro!
-Como claro? O pai nem gosta de doces.
-Vá não te importes, o pai disse mesmo que queria mesmo aqueles doces. E eu quero dar ao pai porque eu gosto mesmo dele... também gosto de ti....gosto dos dois mas o pato é para ele. 

...

-E é melhor não falarmos mais disto.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Eu bem digo que ela ouve mal

 Na pressa de sair, enquanto pego em casacos e lancheiras, reparo que macaquita ainda está descalça.
-Macaquita, vai-te calçar, temos de ir embora.
-Mamã, calço o quê?
-As Allstar. - responde macaquito.
-Eu não tenho.
-Tens sim, as cor de rosa. - afirma ele.
-São Rosastar, as tuas é que são Azulstar.

 

quarta-feira, 22 de março de 2017

Tenho muitos livros por ler

Fomos buscar macaquita à escola e como chegamos 10 minutos antes da hora, saquei do livro que trago sempre na mala e perguntei-lhe se podia ler ou se queria conversar.
-Podes ler mamã, eu fico a ouvir a música.
20 segundos depois.
-Mãe, podes ler!
-Estou a ler, macaquito.
-Mas não estás a mexer os lábios.
Pela primeira vez percebi que ele ainda não tinha entendido que se pode ler em silêncio, na verdade sempre que leio com eles fazêmo-lo em voz alta, eu leio para eles, eles lêem para mim. 


E pensando bem nisto, constato que em 9 anos poucas foram as vezes que consegui ler os meus livros quando estão comigo em casa, a menos que estejam a dormir...

quinta-feira, 9 de março de 2017

Inversão de papéis

Recebo uma mensagem de uma amiga para irmos beber café, são nove da noite e tinha acabado de deixar em casa um amigo de macaquito que tinha ficado para estudar  connosco. Resolvo ligar porque estava a conduzir e ponho o telemóvel em alta voz. Macaquito ouve a conversa e vai refilando alto porque não quer que eu vá. Depois de combinar tudo com ela passo-lhe o telefone.
-M. não tens nada de convidar a minha mãe para sair, ela já foi contigo na segunda-feira.
-Olha lá Macaquito, a tua mãe é minha às segundas e quartas.
-Não porque às vezes às quartas ela fica em casa.
-Sim, às vezes ela fica contigo mas eu fico sozinha e fico muito triste.
-Mas tu não tens nada de a convidar, eu não quero que ela vá.
-Nem te faz diferença, tu vais dormir agora, nem dás pela falta dela.
-Ok, ela hoje vai. - diz resignado ao perceber que não tem hipótese. - Mas para a próxima quarta não penses que vai ser tão fácil!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Não é o que dizes, é como dizes

Quase, quase em directo:
-Mamã, vou ficar no sofá até de manhã.
-Vais mas é para a cama não tarda nada.
-Mamã, vou ficar no sofá até de manhã.
-Mais cinco minutos e cama.
-Não. Vou ficar no sofá até de manhã.
-Dizes isso outra vez e nem te dou 30 segundos.

...

...

...

-Mamã, ficar no sofá é a minha coisa preferida.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Sonhos cor de rosa

-Mamã, deitas-te aqui ao pé de mim?
-Sim mas só um bocadinho e nada de treta, tens de dormir.
-Eu não consigo dormir, o meu coração está partido.
-Partido? Então porquê, macaquito?
-Por causa desta tosse. 
-Da tosse? O teu coração está óptimo, agora toca a dormir.
-Gostava de ver o meu coração do lado de fora.
-Que parvoíce, o teu coração está muito bem guardado dentro do teu peito, para teu bem.
-Mas eu gostava de ver. De que cor é o meu coração?
-Vermelho, claro. Como o de toda a gente.
-Não, o teu de certeza que é cor de rosa e perfeito, como tu. 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Remas tu!

Ao deitar.
-Mamã, na Austrália já é de dia?
-Sim.
-E em Macau, já é de dia?
-Não sei exactamente a diferença horária mas julgo que deve estar a amanhecer.
-Podemos ir a Macau de carro?
-Poder, podemos mas é muito longe. É uma península no sul da China, a China é muito longe.
-E de comboio? Podemos ir de comboio.
-Deve ser possível mas..
-Espera, ainda não acabei. Podemos ir de avião, podemos ir de helicóptero.
-De avião é a melhor maneira e mais rápido.
-Não! Vamos num barquinho a remos que eu sei que Macau é no mar.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Lista de compras

-Mamã, escrevi ali duas coisas que tens de comprar quando fores ao supermercado. - assim que pude, dei uma espreitadela.
-Queijo com bolor? É para ti, certo?!
-Não, o queijo com bolor tem glúten por isso fica para tu e o pai comerem.
-Obrigadinha, sempre a pensar nos outros.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Sonos

Fomos a uma festa em casa de uns amigos, daquelas festas que metem jantarada e rambóia noite dentro, sabia de antemão que ao levar macaquitos não poderia ficar até tarde pois macaquito não é daqueles miúdos de dormir em qualquer lado. Ele só dorme na cama, não obrigatoriamente a sua mas uma cama. Não dorme no carro, no sofá ou ao colo, consegue ludibriar o " João Pestana" duma maneira que nem eu consigo e habituado que está a deitar-se cedo, quando a coisa passa das 10\11 da noite faz-nos marcação cerrada para voltarmos para casa e claro, eu acabo sempre por ceder.
No dia da festa estava particularmente enérgico e muito social com as outras crianças presentes, o que foi óptimo até ao momento em que todos os putos, incluindo macaquita, caíram redondos pelos sofás. Tentei que fizesse o mesmo mas ele não deu tréguas e brincou sozinho até perto da 1 e meia da manhã. Nessa altura, disse para pai macaco que tínhamos mesmo de ir embora pois ele não ia quebrar e o dia seguinte seria um inferno se estivesse demasiado cansado, o que também se verificou.
A viagem para casa dura cerca de 25 minutos, ao fim de uns quilómetros deixou de falar, o pai estranhando o silêncio, achou que ele tinha adormecido e arriscou baixinho.
-Peewee, estás a dormir?
-Não estou a dormir, estou só de olhos fechados para descansar o cérebro.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Pontos de vista

Tenho andado doente, como tal e apesar da insistência de macaquito, ontem não me apeteceu sair para beber café. Acabou por convencer o pai a ir dar uma volta e a pequena ficou a fazer-me companhia no sofá. Chegaram tarde e a primeira coisa que fez foi ir buscar o termómetro.
-Mamã, deixa-me ver a temperatura.
-Eu não tenho febre agora.
-Vá, deixa-me ver se estás bem.- acedi, pedindo-lhe que entretanto fosse vestir o pijama. Voltou e deitou-se ao meu lado no sofá. 

-Podes ir deitar-te na minha cama um bocadinho?
-Hoje não, o pai vai contigo para a mãe não te pegar nada.

-Então posso dormir com vocês?
-Sabes, aquela cama é de dois lugares, não é de três. 
-Mas pode ser de quatro, dá para mim e para a mana também, cabemos todos.
-Qual é a regra? Cada um na sua cama!- diz-lhe o pai.
-Pai, hoje é o teu dia de sorte. Podes dormir na minha cama que eu durmo com a mamã.