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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O mapa do chichi

As primeiras vezes que falei com o pediatra de macaquito sobre retirar a fralda, ele pedia-me calma e dizia com um ar muito condescendente "Conte lá para os 5 anos". Eu, que não sou pessoa de desmotivar e muito menos de levar à letra tudo o que o pediatra me diz, fui tentando, limpei muito chichi no chão, corri com ele no ar até à casa de banho com chichi em andamento só para que ele terminasse no local correcto, andava com o bacio atrás dele enquanto brincava mas ele nunca lá se sentou ou acertou. Contra tudo e contra todos, aos 3 anos e meio, macaquito descobriu a sanita e largou a fralda, de dia e de noite. E assim foi até entrar no ensino básico.
Fazer chichi na cama é para mim o sinal de que alguma coisa está mal, quando acontece já sei que tenho de fazer investigação, visto a gabardina, pego na lupa e lá vou eu em busca de pistas. Acreditem,  não é tarefa fácil, tenho de procurar aquilo que para ele possa ser confuso ou provocar algum tipo de distúrbio emocional, invalidando todos os conceitos que tenho de normalidade, podem tirar-lhe brinquedos, roubar o lanche ou o material escolar que ele não está nem aí mas o facto de um amigo fazer uma birra na aula porque não quer ler o texto do dia ou a pessoa que habitualmente o vai buscar não ter ido nesse dia por um motivo qualquer, pode confundi-lo e muito. O que é válido para hoje, não tem de ser válido para amanhã, as frustrações podem vir da coisa mais estúpida que possamos imaginar, a maioria das vezes, não chego lá e não chegando à raiz do problema, não consigo resolvê-lo, logo o problema subsiste e o chichi também. 
Chegando ao que interessa, agora tenho um truque, informação preciosa transmitida por uma psicóloga e que com macaquito funcionou SEMPRE. Obviamente, este método serve para qualquer criança, portanto, fica a dica para pais que estejam cansados de lavar lençóis dia sim, dia sim.
Lá em casa chamamos-lhe Mapa do Chichi, na realidade, é uma espécie de calendário. Desenhamos numa folha branca um calendário com os dias da semana (pode ser semanal ou mensal) e um quadrado em branco. Esse calendário é de uso exclusivo de macaquito, quando se levanta de manhã,  a primeira tarefa é desenhar um sol ou uma nuvem chuvosa, conforme tenha sido a sua noite. A palavra chichi está proibida nas conversas, não ralhamos, não mencionamos, quando há chuva durante a noite, mudo-o e ele já sabe que tem de tirar os lençóis e colocá-los dentro da máquina da roupa. Perceber que isso implica trabalho e que esse trabalho não é da mãe ou do pai, dá-lhe motivação para se controlar. Tendo em conta a meta que lhe impusemos, normalmente semanal, se tiver muitos sóis tem uma recompensa (que NUNCA passa por presentes), escolher o jantar ou o sítio onde vamos passear. Se a chuva prevalecer, tiramos-lhe qualquer coisa que goste bastante, horas de televisão, o tempo de jogar no tablet, aumento de tarefas, sem fazer grande alarido.
Não usamos isto diariamente, apenas se houver acidentes vários dias seguidos, começamos sempre com um novo calendário e no caso dele, após um dia ou dois, está resolvido. Até hoje, nunca o punimos, no entanto, (nós, pais) já comemos MacDonalds de castigo algumas vezes à conta do Mapa do Chichi.

sábado, 3 de outubro de 2015

Tanta estupidez junta...

Macaquito tem sete anos, sabe o nome do primeiro ministro, do presidente da república, reconhece o Sócrates, o Costa, o Portas, o Relvas (e este já nem dá o arzinho de graça) e mais uns quantos que aparecem diariamente nos telejornais (também sabe o nome dos jornalistas que o apresentam, melhor que eu!). 
Macaquito tem uma memória prodigiosa mas só tem 7 anos.
Isto que vos deixo aqui, revolta-me, estamos a dois dias das eleições:
https://youtu.be/ynpleokhjx4

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Politiquices

Apesar de tentar levar o blog da mesma forma que levo a vida, por vezes tenho de trazer temáticas mais sérias, sim porque a vida de macaco não é só galhofa. Porque os ministros e os seus boys, ou bois o que vos aprouver chamar-lhes, tomam as decisões mas fica para os profissionais a difícil tarefa de as comunicar a quem de direito, fiquei a saber pela terapeuta ocupacional que macaquito vai passar a ter terapia apenas de 15 em 15 dias. Isto porque a outra TO foi embora, não sei se porque se fartou ou porque acabou o contrato e apesar do pedido de outro terapeuta ou estagiários, esse pedido foi recusado, portanto fica um hospital que serve uma enorme população com apenas uma terapeuta. Há demasiadas crianças a precisar e alguém tem de sair prejudicado, neste caso, macaquito é um dos "sorteados". Nas palavras da terapeuta, por quem tenho o maior respeito e admiração, macaquito fez uma grande evolução e vive num contexto familiar que lhe permite apenas dar as orientações necessárias para que ele trabalhe em casa e em contexto escolar, claro que ele precisa de mais e vai sempre precisar mas ela é só uma e mais não pode fazer. E eu também não, a menos que me dedique a assaltar bancos, coisa em que tenho pensado bastante, visto estar na moda e ninguém sair punido.
Que ministérios são estes, que governo é este em que trabalham apenas máquinas calculadoras que não olham a meios para fazer crescer os números?
Depois leio os números da educação especial, apenas meia hora por semana de apoio a crianças com necessidades especiais, as crianças são cada vez mais (43 mil o ano passado para 79 mil este ano), o número de professores não acompanha essa escalada. A falta de seriedade com que Nuno Crato encara esta temática é desmotivadora para quem luta pelo futuro destas crianças, crianças que são apenas problemas administrativos aos olhos deste energúmeno.
Continuarei a correr atrás do futuro dele, pelo menos enquanto as minhas pernas e a minha carteira permitirem, sei que nem todos têm a sorte do meu filho. Custou-me durante muito tempo compreender o porquê de me dizerem que macaquito tinha sorte de ter nascido no seio de uma família como a nossa, que tinha uma mãe que fazia o que poucas eram capazes de fazer, achava que eram palavras da boca, mais tarde percebi que não, que eram palavras do coração, palavras de quem conhece uma realidade que me passava completamente ao lado. Percebi que muitas mães não correm tanto como eu, porque lhes falta a força, o dinheiro, o conhecimento, a formação, sei lá, nestes casos, ninguém se substitui a elas. Estes miúdos também não vão correr, ora se já lhes cortaram as pernas.