quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Quando é que me tornei tão transparente...

Conversávamos deitados na cama dele, foi um dia grande e cansativo, ficam sempre coisas por dizer e é na hora de sono que melhor consigo chegar a ele.
-Mãe, estás bem?
-Sim filho, estou bem.
-É que estás a rir para mim mas a tristeza está a sair dos teus olhos.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Alguém?

Macaquita contava-me impressionada o acidente de mota a que assistiu do recreio da escola, contava com os pormenores todos, veio um carro, acertou no senhor da mota que gritou e depois levantou-se e depois veio uma senhora ajudar e o senhor do carro também saiu mas o senhor da mota não se magoou...Quando percebi que não tinha sido nada de grave, comecei na brincadeira.
-Ainda bem que não fui eu, teria sido bem pior.
-Oh mãe! Isso não se diz. Gostavas de cair de mota?
-Claro que não, por isso é que estou a dizer que ainda bem que não fui eu.
-Coitado do senhor...
-Coitado do senhor do carro, ficou com uma amolgadela.
-Pára de gozar. O senhor podia ter-se magoado.
-Era novo ou velho?
-Sei lá, era da idade dos senhores dos correios.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Ao nível do Albarran no dramatismo

-Que é que estás a fazer?
-A coçar-te as costas, não gostas?
-Gosto! - de seguida faz-me uma festa na cara e dá-me um beijinho no nariz. -Eu adoro ser teu filho e adoro quando tu és minha mãe... Ahhhhh, se tu não fosses minha mãe, eu andava por aí sozinho, sem nada, sem pai, nem mãe, nem irmã, nem família... abandonado!

Uma trabalheira...

Depois de os mandar deitar vezes demais, mudei o canal de televisão e lá foram. Resulta sempre. Deitei-me um pouco na cama de macaquito e de seguida fui aí quarto da pequena que, como sempre, começou a fazer todas as perguntas que ficam pendente durante o dia.
-Vá, chega de perguntas, demoraram 20 minutos a vir para a cama por isso hoje não há mais conversa. - digo-lhe.
-20 minutos? Isso são quantos segundos?
-Quantos segundos tem um minuto?
-60!
-Faz a conta, 60 vezes 20...
-Sim mas e um dia, quantos segundos tem?
-Se um dia tem 24 horas e cada hora são 60 minutos tens de multiplicar 24 vezes 60 para achares os minutos e depois multiplicas esses resultado outra vez por 60 para achares os segundos.
-Essa conta é muito difícil, ajudas-me?
-Então 24x60=1440x60=86400 segundos
-Ehhhhh,  então o ponteiro pequeno tem de dar essas voltas todas?
-Sim. - respondi-lhe a rir. - O ponteiro dos segundos dá 86400 voltas todos os dias.
-Coitado, isso é muito trabalho. Um ponteiro tão pequeno...

terça-feira, 25 de setembro de 2018

A caricatura perfeita

Fomos buscar umas coisitas ao supermercado, assim que entrámos macaquito corre para uma caixa atulhada de peluches do Gang dos Frescos e abraça-os a todos, faz um discurso para cada um deles, alto, muito alto, tão alto que passados uns minutos havia um grupo de pessoas à volta dele a rir de tanto disparate. Continuo as compras naquele corredor e quando acabo lá o convenço a vir embora. Chegados à caixa, explica ao funcionário que adora todos e cada particularidade daqueles bonecos mas vem embora apenas com os pacotinhos de pontos que, eventualmente, lhe poderão dar acesso ao objectivo final.
Sem abrir, segura-os na mão e entrega à irmã assim que voltamos a casa para que seja ela a abrir e colar os pontinhos na caderneta. Vou para a cozinha preparar o almoço e a dada altura, ele grita-me surpreendido da sala:
-Mãeeee, o avô está aqui! - por momentos fico confusa.
-Qual avô? 
-O avô C. - encosto-me ao balcão meio atordoada, penso para mim o que raio estará o puto a ver. Macaquito tem qualquer coisa de extrassensorial que faço por ignorar, muitas vezes consegue ver coisas e adivinhar outras duma forma que nunca consegui entender mas que sempre associei ao facto de ter um cérebro diferente dos demais.
-Não estou a perceber nada, macaquito.
Corre da sala até à cozinha e mostra-me as cartas.
-Está aqui mãe, nas cartas, o avô está aqui nas cartas. - olho para as figuras e as lágrimas quase me saltam. Ele tem toda a razão, o chef do gang poderia muito bem ser o meu pai. O mais engraçado é que o meu pai era o cozinheiro da família e chamávamos-lhe "Chef Silva".

domingo, 23 de setembro de 2018

Merece crédito pelo engenho

Pai macaco resolveu fazer mousse de chocolate, desvalorizando o facto de ter dado cabo da batedeira da última vez que a usou. Claro que as peças continuam no armário aguardando melhores dias para substituição (começo a perceber aquelas pessoas que guardam todos os tarecos, nunca se sabe quando podem fazer a diferença!)
-Então e agora como faço?
-Bates a mousse à mão, antigamente não havia batedeiras. -digo-lhe eu já adivinhando que havia de sobrar para mim. Fui à cozinha, juntei a quantidade de leite necessária e fui mexendo até me doer o braço.
-Vá, agora acaba que já me dói o braço.
Depois de experimentados todos os dispositivos eléctricos disponíveis na cozinha, desde a varinha mágica ao pé de puré e nada satisfazer os seus intentos, dou com ele a fazer isto...



Digam lá que o meu companheiro não é uma pessoa cheia de ideias?