terça-feira, 3 de abril de 2018

Curto-circuito

Dou comigo a arrancar estrada abaixo, máquina fotográfica às costas e os putos em modo pedinte para passeio pelo campo. Pelo caminho encontramos cavalos, dentro da cerca, aproximam-se como se nos viessem cumprimentar, os miúdos e a avó dão-lhes ervas frescas que apanham do lado de cá e eles deixam-se presentear com festinhas no focinho. E eu, armada em fotógrafa, faço por guardar um punhado de memórias em formato digital. Até aqui tudo bem mas eu sou aquele tipo de pessoa que não vai a lado nenhum que não aconteça uma merda desgraça qualquer, por isso, naquele momento em que estou tão entusiasmada, a tirar a foto, aquela que parece saída das cenas do National Geographic, me esqueço dos 30 mil avisos que tinha feito aos putos e encosto o braço à cerca eléctrica e apanho um choque tão grande que fiquei com o braço dormente e quase posso afirmar que me saíram faíscas pelas orelhas. 




Mas a foto ficou bonita, hein?!  

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Não sejas pedra!


Podia começar por explicar o que é o autismo mas não arrogo esse conhecimento porque cada pessoa com esta perturbação é uma pessoa diferente, em comum os autistas têm apenas o diagnóstico. Explico-vos o que é viver diariamente com uma criança nessa condição, o meu filho cujo autismo é parte do que é e condiciona a forma como se relaciona mas que de forma nenhuma o define.
Sair de casa é uma odisseia, é nunca saber se vai correr bem ou mal porque em casa ele é geralmente tranquilo, acontece que na rua a quantidade de estímulos a que é exposto podem dar azo a reacção fora do comum, como chorar, correr ou gritar. Claro que isto não é assim tão óbvio, porque não é sempre igual, há aqueles dias em que ele está agitado antes de sairmos e a rua funciona como uma espécie de tranquilizante, há os outros dias em que tudo está radioso na tranquilidade do lar e de repente, o céu desaba. Há também as mudanças de humor nos espaço de segundos e sem motivo aparente. Por isso, sair de casa é sempre uma incógnita e um desafio constante à minha capacidade de controlo e gestão de situações caóticas. No nosso canto as coisas são mais fáceis, não porque estas mudanças súbitas não existam mas porque as rotinas, o espaço controlado ajudam-no a regular-se e o não ter 50 pares de olhos a castrar, ajuda-me a mim a regular-me, conseguimos ultrapassar a maioria das "crises" com um abraço a dois.

Podia continuar, mas isso é o que faço aqui todos os dias, claro que privilegio as coisas divertidas, não que a nossa vida seja um mar de rosas mas porque isso é a nossa essência, é o que somos, felizes por estarmos juntos contra todas as pedras que se atravessam no nosso caminho. 
A mensagem que quero deixar hoje, dia mundial da conscientização do autismo, é que não sejam pedras, não atrapalhem o caminho de quem já tem tanto por que lutar. Para nós, que convivemos com o autismo todos os dias, a luz azul está sempre acesa e precisamos que as pessoas se lembrem de nós nos outros dias do ano, que  NÃO TEORIZEM, NÃO JULGUEM, NÃO EXCLUAM...
Sejam pacientes, façam perguntas, respeitem a diferença, criem uma oportunidade de trabalho, ajudem um cuidador ou partilhem um abraço, às vezes é só do que precisamos... de um abraço.


sexta-feira, 30 de março de 2018

Explosão de cor

No meu sonho era tudo tão legítimo, acordei com a sensação de que tudo estava bem. Não estava, não interessa, a primavera trouxe-nos um passeio a quatro e isto.


segunda-feira, 26 de março de 2018

Conveniente

Macaquitos estão nos avós, telefono para matar saudades e tanto um como outro me despacham à velocidade de "900 abraços e 1000 beijinhos". Pudera, com a boca cheia de batatas fritas (que em casa raramente comem), nem quiseram falar grande coisa, quando me apercebi já a minha mãe estava ao telefone para me dizer que dormiram muito bem e se portaram ainda melhor e todas aquelas coisas que os avós dizem mas em que só devemos acreditar a 50%, eu cá creio na parte do dormiram bem.
A meio da conversa comigo, a minha mãe dá um grito:
-Aaai, macaquito, que grande pisadela! - e ouço também o pedido de desculpa a resposta dele do outro lado.
-Não é bonito fazer queixinhas à mamã, avó. A mãe nem gosta...

quarta-feira, 21 de março de 2018

"Chega de tragédias e desgraças"

Ainda não me saiu da cabeça aquele momento, o momento em que, contra todas as minhas expectativas, subiste os degraus daquele palco, te apresentaste e à tua música e desataste a cantar. Confesso, que por mais que acredite em ti, naquele momento uma panóplia de cenas disparatadas me passaram pela cabeça, afinal quantas vezes já me fizeste rir com os teus despropósitos ou as tuas saídas inusitadas?
De repente dou comigo com uma câmara de filmar na mão, cuja bateria me esqueci de verificar e claro, sejamos realistas, estava descarregada mas que também não me serviria de nada com a carga toda pois que as minhas mãos tremiam mais que varas verdes.  Só ali percebi o quão nervosa estava mas rapidamente passei do estado de mãe neurótica ao de mãe arrebatada pela tua postura segura, pela tua voz bonita, pelo teu fado alegre e pelo teu vestuário demasiado composto apesar da gravata demasiado pequena mas azul, ninguém me tira que a vermelha é que ficava bem, e eu nem gosto de camisas e gravatas, mas azul foi a que escolheste, é a que escolhes sempre e fica-te mesmo bem.
Se não te tivesse, juro que só me restava a escapatória de vinho rasca e muito graduado para me fazer tão feliz. Mas esqueço a realidade que são as nossas tragédias presentes e fico-me fascinada pela tua vontade de vencer numa vida que nem sempre te foi generosa mas à qual te agarraste com mãos e pés fincados, deixando para segundo plano as tragédias e as desgraças.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Se o amor desse para medir




                                                                    O nosso teria 1,90m!

quarta-feira, 14 de março de 2018

"Life would be tragic if it weren’t funny."

Escolhi uma frase de Stephen Hawking, não por acaso, é uma homenagem ao homem que superou todas as expectativas, um brilhante exemplo de que as limitações não impedem ninguém de ter uma vida extraordinária ou de ser um contributo para a sociedade.  

A sala era o nosso lugar de eleição, forrámos o chão com tapetes de borracha, os brinquedos com sons e luzes, os livros sensoriais, tudo o que pudesse estimular fazia parte do nosso chão, paredes e móveis. Metade do dia era passado em terapias, as brincadeiras eram terapias, as palavras eram pensadas quase ao milímetro e já nem dávamos conta disso.
Ele nunca desistiu, nós nunca desistimos e continuamos a celebrar cada texto escrito pela mão dele, cada nota tocada no acordeão, cada pequena superação diária da mesma forma que celebrámos as primeiras vezes que se conseguiu sentar quase com dois anos ou o primeiro passo aos três.



Precisam-se de exemplos de superação, brindem-me com eles, mostrem que é possível. Contem-me histórias de solidariedade, de inclusão, de pessoas ou entidades que acreditam que não há limites e que qualquer pessoa independentemente da sua condição pode ter impacto na sociedade. Vamos mostrar que podemos ser uma sociedade justa, que luta pelos direitos da pessoa com deficiência, as barreiras físicas podem ser eliminadas mas de nada valerá se não eliminarmos o preconceito.

segunda-feira, 12 de março de 2018

"Usa a manga do meu pijama"

Naquela metade do coração onde estás, filha... Hoje do lado maior sendo que não há dia certo para o lado de cada um, há sempre variáveis, o que se portou melhor, o que me deu o abraço maior, o que está doente e precisa de um pouco de mais amor ou apenas porque sim. Dizia eu, antes de me perder em variáveis imensuráveis. Naquela metade do coração onde estás hoje, filha, alojou-se uma certa paz, uma certeza de que estou a fazer tudo bem e que posso um dia morrer descansada com a premissa de que criei uma grande mulher. A simplicidade infantil das tuas palavras mescladas com a perspicácia e o discernimento que falta a uma boa dúzia e meia de adultos, atraiçoa-me o bom senso e acabo contigo a limpar-me as lágrimas. És tão grande miúda, vou-me lembrar disso na próxima vez que fizeres disparate.

domingo, 11 de março de 2018

Como se pode viver devagarinho, assim sem pressa de chegar a destino nenhum, diluindo o tempo em coisa nenhuma, alimentando pequenas esperanças que se prolongam nos dias e que nublam os receios inerentes a uma vida cheia de nadas. Receita simples diria, permito-me preencher os vazios, que são tantos, com fantasias de crianças que são sempre de luz, de cor e gomas. É inventar outros sonhos, diferentes dos que tinha quando tudo corria bem, é não ter medo de os perder, os sonhos, nem deixar que a angústia prevaleça. É preencher o silêncio de músicas antigas, antes que este te perfure o juízo. É dançar a três na cozinha, extravasar os demónios com coreografias malucas que arrancam gargalhadas e corrompem as saudades. É esquecer o oportunismo de quem te comeu a carne e agora lança para longe os ossos e acreditar que os sonhos que agora se fazem esperar, se realizarão de mansinho, como um raio de sol que desperta envergonhado mas radioso e que os demónios que te consomem cairão em si de razão e se desvanecerão para te deixar renascer.





quinta-feira, 8 de março de 2018

Ninguém me convidou para jantar...

Eu não ia escrever nada sobre o dia da mulher mas uma pessoa recebe 300 mil mensagens com florzinhas e corações, a dizer coisas como És mulher e mãe, feliz dia da mulher e outras que tais e pergunta-se se é este o papel redutor que continuam a querer atribuir ao dia 8 de Março e a  todas as mulheres que lutaram e lutam pela igualdade de direitos? Sim? Então parem de comemorar!
Bem basta ter um filho que me responde (quando lhe pergunto se sabe o significado deste dia)  que:
-É o dia em que as mulheres vão todas para os restaurantes...

Em oposição aos dias tristes

Apesar da chuva, tenho quase tudo o que preciso para ser feliz, a felicidade são momentos, certo? Este é o momento em que mudamos de estação de rádio e está a dar a música preferida de macaquito.



Vá, pronto, eu sei que podíamos ir ao festival mas não precisam de ser tão generosos nos aplausos...

terça-feira, 6 de março de 2018

...tenho de parar de chover!

Tem chovido muito, tenho chovido muito, prefiro os dias de sol, aqueles que me enxugam as lágrimas assim que vos pego pelas mãos e saímos mundo afora, o nosso mundo é pequenino, apenas a nossa floresta. No nosso mundo pequenino as árvores são mais verdes, a terra mais castanha e o céu é claramente mais azul. Mas tem chovido muito, tenho chovido muito, o nosso mundo pequenino parece longínquo e eu nem sempre vos consigo pegar nas mãos. Na nossa floresta as árvores ainda não têm folhas, a terra transformou-se numa lama profunda, tão profunda que já não cheira a terra molhada e o azul do céu quase é sempre cinzento. Tem chovido tanto, tenho chovido demais, albergo a esperança da primavera que se aproxima, vou pegar-vos nas mãos, vou agarrar-vos num abraço, vou esperar pelo sol dessa primavera que se avizinha, por mais negro que esteja o céu não há tempestade que me subjugue, não há guerra que sempre perdure e não há memória que nunca esvazie. Tem chovido muito...



sexta-feira, 2 de março de 2018

Eu tive dois e custou um "cadito"

-Mamã, quando for crescida vou adoptar uma criança.
-Acho que fazes bem. Só queres adoptar?
-Não queres ser avó?
-Claro que sim. 
-Há muitas crianças que não têm pais, posso adoptar um bebé.
-Sim, claro que podes. É muito bonito pensares assim. - disse-lhe realmente orgulhosa do altruísmo dela.
-Pois, achas que vou deixar que me cortem a barriga ou ter um bebé pelo pipi?! Isso deve doer!

Dramas

Perto das 9 da manhã recebo uma chamada da professora de apoio de macaquito para, que se quisesse e pudesse, acompanhar macaquito e demais colegas à hipoterapia. Era um dois em um, podia vê-lo a montar e podia trazê-lo mais cedo para chegarmos a tempo à terapia ocupacional.
Nem hesitei, meti as rodas ao caminho e fui com eles. Fiquei encantada, nunca tinha visto macaquito a montar e fiquei estupefacta com as coisas que já faz, o desembaraço em cima da égua, a "volta ao mundo" (que consiste em rodar o corpo em cima da sela até ficar de novo sentado para a frente), andar a trote, a postura direita... vim deliciada e de coração cheio.
Assim que desmontou, viemos embora pois ainda tínhamos de ir buscar macaquita. Chegámos à escola bem perto da hora de saída e seguimos para o hospital. Estava tão entusiasmada com tudo o que vi que resolvi partilhar com macaquita.  
-Sabes macaquita, hoje fui ver o mano à hipo. Foi tão giro, ele já não tem medo nenhum.
-Oh! Eu também queria ir, porque não me levaste?
-Então filha, foi na hora das tuas aulas, acabámos de chegar. Era a única forma de chegarmos a tempo à terapia.
-Pois, é sempre assim, nunca posso ir contigo! Fazes coisas com ele e eu nunca posso ir, ele vai para os cavalos e para as terapias e eu tenho de ir para a escola, nunca me levas... - continuou o discurso num tom inflamado sem conseguir disfarçar o que era na realidade, ciúme e birra. Macaquito mantinha-se em silêncio mas claro tinha de intervir e fê-lo, assim que ela fez uma pausa para respirar.
-Pronto, começou o teatro! 

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

A pedido da Palmier

Se a Maman de Palmier conseguir resistir a este pedido tão especial...




( O mais fantástico é macaquito assumir que Palmier é doida o suficiente para ter um burro no apartamento.)

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Que aflição, macaquita.

-Mãe, amanhã tenho de levar fato de treino. Vamos ter educação física.
-À quinta? -  perguntei estranhando o dia.
-Sim, a professora disse que íamos treinar para a prova de aflição.
-Prova de quê? 
-Aflição. Deve ser porque como temos de correr, ficamos muito aflitas.
-Prova de aferição. A-fe-ri-ção, não é aflição.
-Ah! Já percebi. Pois... como temos de correr, podemos cair e ficar feridas. 
Depois de me rir um bocadinho lá expliquei o que quer dizer aferir.



domingo, 18 de fevereiro de 2018

Volta a França, aqui vamos nós!


Pode parecer quase nada, aprendi ao longo de dez anos que há lutas duras, que os sonhos são apenas isso, sonhos. Mas também aprendi a lição, que não há impossíveis. Este puto é a prova disso!



Tinha posto a fasquia nos 18 anos...

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Formalidade e seriedade que ele não brinca em serviço

Um dos professores da escola de música de macaquitos foi ao ATL da escola de macaquitos com umas alunas para tocarem para os miúdos. O professor meteu-se com macaquito que não o reconheceu fora do habitat natural. 
-Como é que sabe que me chamo macaquito?
-Então, conheço-te da escola de música.
-Pode dizer-me o seu nome completo? 
-Claro, sou ...... .......!
-Ah, já sei! Temos uma amiga em comum.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Declamar ou a ironia de amar

Gosto de pessoas que não sabem nada da vida, sei lá, gosto de ignorantes. Talvez me reveja neles, talvez não seja boa a falar das vidas das quais não sei absolutamente nada.
Gosto que me julguem, por aquilo que sou e especialmente por aquilo que não sou, gosto que me julguem por amar pessoas. Por ter coração e ele me aflorar à boca.
Gosto que ponham em causa as minhas capacidades cénicas, aquelas que nem são tão importantes como a minha capacidade de amar mas que me dão muito prazer, gosto que as julguem tão injustamente. Não sou dada a dramatismos, mas gosto de dramatizar e achava que o fazia bem, pelos vistos não, gosto mais de amar e para algumas pessoas amar pode ser uma fraqueza.



(Isto não é um post de São Valentim)


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Felizmente não vivemos em Bragança, é que já diziam os Xutos, são 9 horas de distância!

Os 5 minutos que levamos todos os dias a chegar à escola, são sempre repletos de parvoíce. Na pior das hipóteses porque macaquitos decidem embirrar um com o outro, habitualmente porque macaquito me pede para fazer par com ele na imitação de personagens da rádio ou dos desenhos animados. Como são 5 minutos, acaba por ser um bom exercício de relaxamento. O problema põe-se quando as viagens são maiores, ele não se cala um minuto e não aceita nãos como resposta.

Sinopse da última viagem a Lisboa:

-Mãe, agora eu sou o Bruno Aleixo e tu fazes de Busto.
-Mas eu não sei as falas...
-Eu ajudo, não te preocupes!

15 minutos depois:

-Agora és o revisor do Comboio dos Dinossauros, eu sou o Dudu.
-Ok. - digo eu. - Vou começar. "Túnel do tempo, vamos entrar no túnel do tempo. Próxima paragem: Cretáceo Inferior!"
-Não, ainda não é agora, só quando passamos debaixo das pontes....

10 minutos depois:

-Eu sou o Ryder e tu és o Rocky da Patrulha Pata.
-Ehhhhh, eu não quero ser um cão.
-É só a brincar, vá, tu consegues mãe.
-Ok mas é a última, a partir das portagens há trânsito e eu tenho de me concentrar na estrada. - digo na esperança de me safar mas ele não desiste.

Outros 10 ou 15 minutos:

-Vamos jogar ao Carteiro Paulo, o episódio da lavagem dos carros
-Eu sei lá qual é esse episódio!
-Eu ajudo, as falas que não souberes eu digo baixinho. - de notar que ele sabe as falas de cada personagem, de cada episódio, de cada desenho animado, de cada canal infantil...
-Olha, eu sou o gato. - penso para mim que sendo o gato só tenho de miar, nem tenho de prestar muita atenção às falas.
-Ok, eu sou o Paulo: "Carteiro Paulo, os rolos da lavagem do não-sei-quantos" Tuuu, tuuuuu (som de telefone a chamar). Ah, olá Bento, queres que vá buscar uma encomenda onde?

 (Silêncio da minha parte, afinal sou o gato).

-Bento, Bento, estás a ouvir?

 (Continuo em silêncio)

- Bento? .... .... .....  MÃE, IMPORTAS-TE DE FAZER DE BENTO?
-Mas, mas... eu sou o gato...
-O Kiko só mia, não me digas que não consegues fazer outra fala??!

Eu podia dizer "desisto" mas ele nunca consentiria. Também vos podia contar quase tudo da hora e meia de viagem (excepto as falas) mas não vos quero roubar muito tempo.