quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Na minha casa são sempre moedas

A dois dias do Natal o segundo incisivo de macaquita estava prestes a cair, ao contrário de macaquito, todo o processo se tem desenrolado naturalmente, nada de quedas, nada cabeçadas. Cada dente, um milhão de perguntas sobre fadas. De que tamanho será a fada? Não pode ser demasiado pequena ou não aguentará o peso do dente. Será que a fada vem se por acaso dente cair na noite de natal? 
Essa nem eu sei responder e a pergunta dá azo a mais um rol de histórias, invenções e questões pertinentes. Será que o mundo do pai natal se mistura com o mundo das fadas? Ou seja, imaginando que a fada vem ao mesmo tempo que o pai natal será que ambos vão deixar presentes? Afinal é tudo magia, no entanto, não sabemos se eles se conhecem e acima de tudo se se misturam. Cá por casa é uma experiência nova para todos, portanto ninguém arrisca a atar o fio para soltar aquele nico que ainda prende o dente à gengiva. Optamos por esperar pelo dia 25.
Logo pela manhã, a madrinha de macaquito faz as honras e a petiza delira, sorriso de orelha a orelha, ao olhar para ela só me lembro da Fossa das Marianas de tão enorme que está falha. No meio de todo o bulício natalício, quando chega a hora de ir dormir esqueço-me completamente do dente, ela não! Aparece-me de manhã desconsolada com o dente na mão. Lá invento que a fada não fez a troca visto que a tia Maria se foi deitar ao pé dela e as fadas não trocam dentes com adultos presentes. Concordamos que o melhor é levar o dente para casa dos avós e experimentar a colocar de novo debaixo da almofada.
Ligo à noite para falar com os dois, quando chega a vez dela:
-Olha mamã, já sei o nome da fada. - diz-me entusiasmada.
-Fada? Qual fada? - pergunto eu sem me lembrar de toda a confusão anterior.
-A fada dos dentes. Chama-se Moragui. - pronuncia a palavra como sendo aguda, acentuando o "gui".
-Moragui? Como é que sabes?
-A fada escreveu o nome dela.
-Escreveu onde? - pergunto cada vez mais confusa e a pensar que parvoíce teria o meu pai inventado desta vez, visto que ele consegue ser pior que eu no que toca a inventar histórias.
-Na nota que me deixou. Ela levou o dente e deixou uma nota de 5€ mas assinou o nome dela!




segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Querido Pai Natal...

Macaquita resolveu deixar um recado ao Pai Natal antes de partir de férias para casa dos avós, não vá dar-se o caso de ele chegar aqui e dar com o nariz na porta do recuperador (vulgo lareira).
(Não sei se lhe deixe também um copinho de leite e umas bolachinhas pela viagem perdida, se lhe deixe outra missiva a dizer que, caso ainda tenha combustível para as renas, vale bem o esforço da viagem já que na outra casa há azevias de grão.)


A antecedência com que a garota escreveu o recado leva-me a crer que tem muita fé em si própria, talvez lhe refira oportunamente  todas as vezes que se portou mal desde o dia 8 ou então enumero apenas as 5 mais flagrantes do resto do ano...

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Ser loira... #post 52361845253365

Macaquita teve a sua estreia na orquestra de cordas, apesar da tenra idade dos músicos, a coisa até correu muito bem. Tirei um montão de fotos e partilhei duas, uma pessoa muito querida dos dois mas especialmente especial de macaquito, comentou "Falta o acordeonista." Enquanto respondia, ria-me dos comentários e macaquita pergunta porque é que me estava a rir e eu mostro-lhe o comentário.
-Falta o quê?
-O acordeonista. -respondo achando que ela não tinha conseguido ler. 
-O quê?
-A sério, macaquita?! Quem é o acordeonista?
-O que acorda as cordas????

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Eu já tinha dito que ele fala muitas línguas mas e sotaques?!

Nos últimos dias, quando vou buscar macaquitos ao ATL, tenho encontrado uma mãe que não conheço, não sei o nome mas com quem sou sempre "obrigada" a trocar umas palavras de cortesia devido à empatia que macaquito sente por todas as pessoas adultas que lhe dêem dois dedos de conversa. Hoje, mais uma vez, já vinhamos a chegar ao carro quando macaquito se aproxima dela.
-Ah, olá mãe do X, como está tudo a correr na vossa casa?
-Oi, tudo bem? Está tudo bem na nossa casa e na sua casa? - responde-lhe a senhora meio espantada, meio divertida. Fala com o sotaque brasileiro que percebo pela primeira vez.
-Está tudo bem. Sabe? A mãe da Y também é brasileira. - diz ele, talvez achando que o Brasil é uma pequena aldeia e que quem de lá vem tem obrigatoriamente de se conhecer.
-Quem? Não tou vendo quem seja. - responde-lhe a senhora delicadamente mas claramente sem perceber o intuito da conversa que no fundo não tem objectivo nenhum, além da conversa da treta. Eu tento explicar e ela afinal até sabe.
-Ah, já sei de quem você tá falando. Aquela mãe da menina moreninha...
-Sim, sim, é essa. -diz macaquito -Vá até amanhã, uma noite descansada.
Já com uma perna dentro do carro, grita para a senhora com um sotaque brasileiro irrepreensível.
-Mãe do X, você é muito especial! - e de seguida olha para mim - Vês mãe, falei brasileiro.
-Pois foi filho, falaste mesmo... 
Não fosse já de noite e até teria conseguido perceber quem ficou mais ruborizada se eu, se a senhora.


segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

TV vs Realidade

Macaquita filmou um anúncio de publicidade, quando foi gravar não contámos a quase ninguém, incluindo macaquito. Hoje vimos na TV pela primeira vez, macaquito encheu a irmã de elogios. Passado uma meia hora, sozinho comigo puxou o assunto.
-Mas gostaste? A mana esteve bem não achas?
-Sim, sim. Mas porque é que ela foi abraçar aquela senhora? Ela nem a conhece!

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Mãe de dois

Tenho tanto em mim, tantas coisas para te dar e o tempo escasseia ou talvez passe a correr. Se pudesse, ou soubesse como, mandava prolongar os dias, apenas para te dar mais tempo, tempo que não tenho e que sei que te falta. Dois dias, souberam a pouco, mesmo que por momentos tivéssemos parado o tempo. Obrigo-te a crescer depressa demais, sei que o vou lamentar um dia mas sei que há-de sempre haver um tempo, em que o meu tempo é todo teu. Valha-nos este amor enorme, que pára os ponteiros do relógio, regressamos a um passado que nunca tivemos e somos mãe e filha no singular.


terça-feira, 21 de novembro de 2017

Composição sem título

Era uma vez um urso pardo corajoso que vivia numa casa cheia de ursos medrosos. Um dia ia a passear e viu um rapaz pendurado na varanda.
-Socorro! Os cavalos estão a atacar.- gritou o rapaz.
-Vou já salvar-te. -disse o urso.
O urso repara numa girafa que vai a passar, abanou-a com a pata e ela fica zangada:
-Urso, por que é que fizeste isso?
-Não te queria assustar, depressa, traz-me aquele trampolim. - diz o urso para a girafa.
O urso põe o trampolim debaixo da janela e diz:
-Podes saltar, eu estou aqui.
Ele salta, bate no trampolim e cai nos braços da mãe que vinha a chegar da França.
O urso salvou o dia.
FIM





Como poderão ver pelas imagens, este é um trabalho onde é suposto organizar ideias antes de iniciar a composição. Tendo em conta a confusão que vai naquela cabeça e o facto de ele não ter pensado 10 segundos sequer para cada frase antes de começar a escrever o texto, acho que merece um 20 pela forma como conseguiu interligar todos os personagens e a missão em si.
E o que nos divertimos enquanto o fazia, ele escrevia as falas e depois "obrigava-me" a repeti-las em tom teatral para depois nos rirmos os dois à gargalhada. 
Há trabalhos de casa que são gratificantes mesmo que nos roubem meia tarde de um fim de semana.