quinta-feira, 14 de julho de 2016

Obssessivo? Não!

-Então macaquito, correu bem o passeio?
-Sim, escavei como um cão.
-A avó disse-me que fizeste amigos novos.
-Pois foi e escavei como um cão.
-Mas conta lá, eram meninos da tua idade?
-Sim e maiores e também escavei como um cão. O pai está aí?
-Está, vou passar o telefone.
-Então pá, foste à praia?
-Sim papá e escavei como um cão.
-Como um cão? Ou como uma raposa ou um menino, os meninos também escavam.
-Pois mas eu escavei como um cão.
-E mergulhos?
-A mana fez muitas bombas. E um triplo mortal!
-Ah ah ah Um triplo mortal? E tu?
-Também dei mergulhos e escavei como um cão. Adeus, a mana quer falar.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Praia fluvial com cheiro a mar

Ao telefone:
-Onde é o passeio hoje, macaquita?
-Vamos à praia.
-Boa! Não se esqueçam dos chapéus, óculos de sol e do protector solar.
-A avó já tem ali o que tu mandaste. Sabes? Aquele que cheira a Porto Côvo. 

terça-feira, 12 de julho de 2016

Os patinhos

Há uns dia, o avô partilhou um vídeo de macaquita com quase 2 anos a ter uma conversa informal com uns patos, num lago perto de casa deles onde macaquitos adoram ir passear.
-Quá quá quá, quá quá quá... - repetia macaquita incessantemente até ao momento em que alguns dos patos resolvem levantar voo e aí foi vê-la fugir.
Enquanto via o vídeo lembrei-me de um outro e fui revê-lo. Macaquito ia feliz, carregando nas mãos meio pão de quilo, ou seja, meio quilo de pão para dar aos mesmos patinhos. A avó seguia-o na sua inocência de avó e digo inocência para não lhe chamar ignorância, ela que é uma criança crescida em certas coisas.
Continuando, macaquito corre feliz com o saco do pão, chega ao sítio, tira o pão do saco, coloca o saco em cima de um banco, deixando cair o pão. Nisto ouve-se a voz da avó.
-Espera, a avó ajuda. Vamos partir aos bocadinhos.
Ele, mais rápido, apanha o pão, chega-se ao varandim e catrapuz! Atira o pão inteirinho na direcção dos 3 patos, que imediatamente se deslocaram para um lugar seguro, provavelmente, achando que iam ser mortos à calhoada.
-Oooohhhhhh, não era assim. Devias ter esperado que a avó partisse aos bocadinhos. Agora não tenho mais. - isto num tom demasiado triste e choroso enquanto macaquito olhava para ela assentindo a cabeça só porque sim. Na verdade, para ele, o trabalho estava feito e muito bem feito. A avó senta-se no banco, pega no saco e ali permanece amuada e ele segue com os seus afazeres, como se nada tivesse acontecido.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Tretas, só tretas

Fui buscar a avaliação de macaquita, segundo a professora, é uma menina impecável, porta-se muito bem e está super preparada para ir para o primeiro ano. Só um pequeno senão...
-Ela é muito sensível.
-Sensível como? Chorona? - pergunto eu.
-Não, muito apegada a si. Muito preocupada, não sei se não será um problema. - fiquei a pensar que tivesse a ver com o dia da festa de final de ano em que chorou dilúvios cada vez que olhava para mim. - Sabe, aqui há tempos, numa altura que a senhora esteve doente em casa, passou o dia a dizer-me que tinha de ir para casa tomar conta da mamã porque a mamã precisava muito dela.
Sorri, acenei, disse que não me recordava bem mas que era possível. De seguida saí e ri-me sozinha até ao carro. Nunca estive doente em casa. Não ia dizer que desde que mudou de escola estava constantemente a preparar estratagemas para não ir à escola por detestar estar ali.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Medos

A meio do segundo toque atendeu-me.
-Mãe, não vou cortar o cabelo aí em "casa", vou cortar aqui na avó.
-Bom dia bebé, primeiro bom dia.
-Bom dia mamã, sabes vou à Cláudia cortar o cabelo.
-Fazes bem que está muito calor.
-Mas ela tem caracóis, eu não gosto caracóis e acho que vou chorar.
-Não vais nada chorar, pedes-lhe que ate o cabelo assim já não vês os caracóis dela. Tu já não choras a cortar o cabelo, lembras-te? E a Cláudia tem uns caracóis bem bonitos e tu gostas de caracóis, se te portares muito bem no fim-de-semana vamos comer caracóis.- tento tirar o foco do corte de cabelo que é algo que o deixa em pânico.
-Está bem, eu vou. Olha a mana quer falar contigo, adeus!
Suponho que hoje seja um dia animado, especialmente para a Cláudia...


E talvez para mim se a história se repetir.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Macaquito, o optimista

Ligo várias vezes durante o dia até que que alguém me atenda. Prestes a desistir, o avô lá me atende e explica que foram passear e não levaram o telemóvel, ouço-o sair de casa e entretanto já ouço também o pequeno.
-Então meu vadiola, o que andas a fazer?
-Fui à procura da avó, ela deixou as chaves na rua. Nunca sabe de nada, até podem estar no contentor do lixo, ai que eu vou ter uma conversinha muito séria com esta avó! - fala ininterruptamente até quase perder o fôlego.
Percebo que vem a falar e as descer as escadas ao mesmo tempo, o eco ressoa-me nos ouvidos e a sua voz tremelica. Apesar de ter melhorado o equilíbrio com o reajuste da medicação, mudou de óculos à pouco tempo, é provável que ainda não se sinta seguro. Cai tantas vezes e quando cai magoa-se sempre a sério, apesar de nunca ter caído numas escadas, é o que mais me assusta. Tento não passar para ele as minhas preocupações, no entanto, percebe-me a apreensão mesmo quando não digo nada.
-Espera mãe, tenho de agarrar o corrimão... As escadas são muito altas... Ai ai... Isto às vezes é difícil... Mas não te preocupes, o avô vai ali falar com os conselheiros da visão e fica logo tuuuudo bem!

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Hoje falo da seleção

Vibrou durante hino de bandeira em punho, danou-se comigo quando cantei "contra os canhões, batatas e feijões", viu uns minutos mas entretida lá nos seus afazeres ficou triste quando lhe disse que já estávamos a perder, saltou de alegria com o golo do empate e ao último penálti chorou... 




...assustada com os meus gritos.