Ali entre a uma e as duas da manhã ouço passos, passos pequeninos e sorrateiros. Que nem cão de guarda, levanto a orelha para perceber qual dos dois era, nem esperei dois segundos.
-Mamã, não te preocupes. Vou só fazer chichi e já me deito ao pé de ti. - atira bem alto na porta do meu quarto.
Pensei para mim que se o ignorasse, ele voltava para a cama dele. Claro que me enganei, chegou-se à beira da cama e sussurrou "mamã", fingi dormir. Sem pudor, nem cuidado, trepa por cima de mim e alapa-se no meio da cama, puxa dos cobertores, afinca com os joelhos no meio das minhas costas e boa noite. Não sossega mais de dez minutos seguidos e por volta das seis da manhã, começa a espirrar, dá mais de trinta espirros seguidos, não dormi mais. De manhã disse-lhe que não podia vir a meio da noite para a minha cama, a regra é ao fim de semana e já de dia.
-Como é macaquito, cada um... - não me respondeu. -Estou à espera, cada um...
...
...
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- ... na sua cama. Mas eu estava sozinho e desconfortável.
