Trajei a rigor, tal como solicitou Outro Ente. Só não consigo decidir se me atiro ao mar para salvar Cutxi ou para me juntar a Cuca e a sua tripulação. O mundo da pirataria sempre me seduziu.
quinta-feira, 28 de abril de 2016
Macacadas
A noite passada ouvimos música pimba, Rihanna, Will I Am, the Script e outras coisas que tais, isto a pedido de macaquita que ouviu lá num vídeo de princesas. É complicado, tenho de perceber as letras que ela me canta e depois googlar excertos do que percebo e chegar à música que ela quer no Youtube. No meio da azáfama mostrei-lhe o meu guilty pleasure musical, quando olhei para macaquito, estava de rabo esticado para mim a abanar-se todo, rimos a bandeiras despregadas. Entretanto, como gostámos todos, decidimos que vamos fazer um vídeo a três, a abanar o rabo ao som daquela música. Talvez vos mostre, se correr bem.
quarta-feira, 20 de abril de 2016
Final de tarde
As dúvidas infernizam-lhe a viagem, a ela e a mim que tento responder assertivamente a todas as questões mesmo que não façam sentido nenhum, E às vezes não fazem mas teimo em não a desapontar porque ela acha que sei tudo sobre tudo. Quer saber sobre o arco-íris, explico-lhe da forma mais simples que sei, digo-lhe que o sol ao atravessar as gotas de água da chuva nos mostra as cores da sua luz, pergunta-me se podemos chegar mais perto porque quer agarrá-lo.
Digo-lhe que não, mesmo assim corremos da garagem para o elevador porque lá no cimo, na nossa varanda ele está mais perto que as nuvens e quase se consegue alcançar.
Sabe de cor todas as cores, até o anil mas prefere o violeta.
-Tira muitas fotos mãe porque acho que agora vai aparecer um unicórnio.
A certeza da afirmação faz-me ficar a assistir ao concerto de cores por mais uns momento, suponho que será mais feliz se continuar deslumbrada com figuras mitológicas.
segunda-feira, 18 de abril de 2016
Ninguém sabe tudo
Eu preciso de ajuda, por vezes precisava que alguém me ajudasse com os banhos nos dias que o pai não está em casa. Ou de ter alguém que os fosse buscar à escola certos dias, por certas razões. Uma mão convinha tanto naqueles dias em que o cansaço mental se sobrepõe ao do corpo.
As únicas mãos disponíveis estão à distância de demasiado tempo, então fico-me sem amparo mas com genuíno entusiasmo no meu trabalho de mãe, trabalho esse que acredito fazer muito bem sem conselhos de especialistas e sem leituras de psicólogos e psiquiatras do escaparate da livraria.
Li por aí que os miúdos hoje em dia são mal educados e que há pais que lhes absolvem os comportamentos com gotas de Ritalina, quando se podem resolver comportamentos desviantes com um bom par de palmadas na opinião de uns ou com boas leituras a ver de outros. Eu, não sendo especialista de nada, venho desmistificar. A hiperactividade não pode ser diagnosticada pelos pais e a medicação, aplicada em casos de hiperactividade, não se compra como se de Benuron se tratasse, logo, se a criança que é apenas mal-educada está medicada, ter-se-ia de aplicar um açoite ao médico que a diagnosticou. Quem acha que um livro é a solução é porque vive numa realidade paralela à dos pais com crianças problemáticas, leia-se por problemática criança com problemas, os problemas podem ser tantos e de tantos foros que me escuso a relatá-los todos, falarei apenas da minha experiência pessoal.
Houve uma altura que macaquito, sempre que saia de casa e cruzava uma qualquer porta, largava a chorar, pedia insistentemente para ir embora, gritava e fazia disparates até sairmos de novo. Foi de repente, o autismo não estava ainda diagnosticado, não havia motivo aparente para se comportar daquela maneira e eu não conseguia lidar com aquilo. Nunca lhe dei a bela da palmada, nem berrei com ele no meio da rua porque "a emenda seria pior que o soneto". Normalmente um colo ajudava mas não resolvia. Vi muito revirar de olhos e muito abanar de cabeça mas de todas as vezes que aconteceu, muitas estava com a mais nova de 2 anos ao colo, tinha de pegar nele para que sossegasse e ficar com os dois ao colo e NUNCA ninguém me ofereceu ajuda.
Marquei consulta numa psicóloga que me deu algumas estratégias que ajudaram, nenhuma delas passava por castigá-lo, bater-lhe ou berrar com ele, nem por medicação de género nenhum, nunca foi sequer sugerido. Durante as várias consultas que teve com ela, nenhuma razão foi encontrada para aqueles comportamentos, também nunca me falou em autismo. Apesar da ajuda nas estratégias, aprendi a gerir as birras sozinha, a conviver com elas e com aquilo que os outros pensavam de mim e da educação que dou aos meus filhos. Com tudo isto quero apenas dizer que os médicos são falíveis, os pais também e não há verdades absolutas, pelo menos no que concerne à educação infantil.
As nossas palavras podem ser monstros nas vidas de estranhos e nós dormimos tranquilos a pensar que sabemos tudo.
As nossas palavras podem ser monstros nas vidas de estranhos e nós dormimos tranquilos a pensar que sabemos tudo.
sexta-feira, 15 de abril de 2016
Olho negro
Ontem chegou-me a casa com um "olho à Belenenses", a marca da armação bem vincada no rosto e na pálpebra, perguntei-lhe o que aconteceu. Pôs-se de pé para me explicar.
-Então, ia assim a andar e caí. Com a cara no tapete azul. - e ria-se da sua própria desgraça.
-E as mãos? - perguntei
-Estão aqui. - respondeu mostrando-as.
-Sim, eu sei. Tens de as utilizar para te defenderes quando cais, pô-las à frente para não dares com a cara no chão.
-Mas ninguém me atacou...
Tive de me rir, da forma literal como entende tudo o que lhe dizemos, assim como, da inexperiência na arte de cair já que tem muita experiência na queda, é quase diário.
quarta-feira, 13 de abril de 2016
Os avós
Os avós, aqueles seres de coração cheio de amor e disponibilidade, o mimo para dar e vender, a compreensão das birras e o bom senso... eu disse bom senso?
Faz aí uns dois anos, andávamos a pensar comprar uma bicicleta nova para macaquito mas nem sequer tínhamos comentado nada com ninguém. Entretanto, ele vai passar uns dias aos avós e em conversa ao telefone diz-me que o avô lhe tinha comprado uma bicicleta maior, acho que fiquei mais contente que ele, visto que o dinheiro da bicicleta poderia ser canalizado para outras faltas. Pedi ao miúdo que passasse o telefone ao avô, agradeci muito e pedi-lhe que me mandasse uma foto do puto na bicicleta nova (queria mesmo era ver o tamanho da bicicleta), "sim, pois, mais logo, assim que tiver tempo.... não sei se tenho." Estranhei mas não dei a devida importância àquelas hesitações, até ver isto publicado no FB.
Em estado de choque comentei.
Errrrr, a bicicleta é gira mas ele parece a Beatriz Costa!!!
Liguei imediatamente para a cabeleireira e disse-lhe que macaquito vinha na quarta ao fim do dia e eu me recusava a sair à rua com ele naquele estado. Claro que cortou o cabelo ao miúdo fora de horas e pela primeira vez teve direito a uma carecada, único remédio para aquele trabalho do avô. Não consigo esquecer as palavras dela, entre sorrisos dizia-lhe.
Macaquito, tenho de conhecer o teu avô, trabalho nisto há tantos anos e nunca seria capaz de fazer uma franja tão perfeita!
sábado, 9 de abril de 2016
3 Km
Descobrimos três novos caminhos no nosso passeio preferido, trepámos a três e quando chegámos ao topo, o mundo foi nosso por três segundos.
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