quarta-feira, 13 de abril de 2016

Os avós

Os avós, aqueles seres de coração cheio de amor e disponibilidade, o mimo para dar e vender, a compreensão das birras e o bom senso... eu disse bom senso?
Faz aí uns dois anos, andávamos a pensar comprar uma bicicleta nova para macaquito mas nem sequer tínhamos comentado nada com ninguém. Entretanto, ele vai passar uns dias aos avós e em conversa ao telefone diz-me que o avô lhe tinha comprado uma bicicleta maior, acho que fiquei mais contente que ele, visto que o dinheiro da bicicleta poderia ser canalizado para outras faltas. Pedi ao miúdo que passasse o telefone ao avô, agradeci muito e pedi-lhe que me mandasse uma foto do puto na bicicleta nova (queria mesmo era ver o tamanho da bicicleta), "sim, pois, mais logo, assim que tiver tempo.... não sei se tenho." Estranhei mas não dei a devida importância àquelas hesitações, até ver isto publicado no FB.
Em estado de choque comentei.
Errrrr, a bicicleta é gira mas ele parece a Beatriz Costa!!!
Liguei imediatamente para a cabeleireira e disse-lhe que macaquito vinha na quarta ao fim do dia e eu me recusava a sair à rua com ele naquele estado. Claro que cortou o cabelo ao miúdo fora de horas e pela primeira vez teve direito a uma carecada, único remédio para aquele trabalho do avô. Não consigo esquecer as palavras dela, entre sorrisos dizia-lhe.
Macaquito, tenho de conhecer o teu avô, trabalho nisto há tantos anos e nunca seria capaz de fazer uma franja tão perfeita!


sábado, 9 de abril de 2016

3 Km

Descobrimos três novos caminhos no nosso passeio preferido, trepámos a três e quando chegámos ao topo, o mundo foi nosso por três segundos.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Uma desgraça, foi o que foi

Enquanto brincava com a pista de comboios, descuidou-se e deu um...pois!
-Aaaaaa.... vocês não ouviram isto, não foi nada.
-Então macaquito, não pode ser, mau mau.
-Não foi nada, foram os comboios.
-Ah sim?! Os comboios deram um pum?
-Não, descarrilaram!!

terça-feira, 5 de abril de 2016

Uma espécie de passatempo #resultado


Acabo esta espécie de passatempo como comecei, com uma história.
Estávamos a acabar de almoçar com amigos quando os miúdos chegaram dos avós, os meus pais vieram ter connosco e ficaram por  ali um pouco. Macaquito estava ansioso para ir para casa, pediu-me por várias vezes para irmos embora, fomos protelando porque a conversa estava boa e a imperial também. A dada altura, pai macaco pediu-lhe que fosse pedir 3 imperiais, habitualmente gosta de fazer recados, desta vez respondeu torto. Olhei para trás e percebi pela postura corporal que a coisa ia correr mal, fui atrás dele e cheguei a tempo de ouvir.
- São 3 imperiais, ó... - ficou-se pelo "Ó" mas o tom de voz foi brusco. Segurei-lhe no braço para que me ouvisse, não o justifiquei mas pedi desculpa ao senhor que, com um sorriso genuíno, me disse que não fazia mal. Levei-o para a mesa e pedi-lhe que me explicasse aquele comportamento, quando o senhor voltou, macaquito pediu desculpa e o senhor reiterou que não era necessário.
Eu sei o que aconteceu, percebi-o imediatamente pela postura corporal cerrada, dedos das mãos retorcidos, entendeu que não iria logo embora quando lhe pedimos que fosse ao balcão, descarregou a frustração no empregado porque não se consegue conter. Ele distingue o certo e o errado mas não consegue controlar a parte emocional da mesma forma que uma criança neurotípica. Nunca admitiria este tipo de comportamento à irmã e ela sabe-o, sabe também o porquê da diferença e aceita-o.
Esta história é igual a muitas outras, diferenças comportamentais que raramente são aceites numa criança de 8 anos, ou mais, que não tenha uma deficiência física visível, a diferença é que nesta história o verdadeiro protagonista foi o empregado que não julgou, percebeu o meu embaraço e aquietou-me com um sorriso.
O autismo não se vê, não anda de cadeira de rodas, não tem um olhar diferente. Os pais e cuidadores de autistas são gente que sente como toda a gente. Têm família, têm amigos e têm vidas para viver fora de 4 paredes, não precisam de julgamentos de pessoas perfeitas, cheias de moral e de ensinamentos bacocos. A consciencialização é importante, a aceitação é primordial.

O vídeo não é meu, podia ser, já me aconteceu... tantas vezes!

Para todos vocês que riscaram este blog ainda mais de azul, obrigada por fazerem a diferença. Linda e Uva sinto-me comovida e lisonjeada. A votação não foi democrática, as opiniões divergiram tanto que a decisão foi ditatorial. O voto de qualidade foi meu e eu decidi que a grande vencedora é a Mironinho.

2 de Abril - Dia Mundial da Consciencialização do Autismo



segunda-feira, 4 de abril de 2016

Uma espécie de passatempo #8


Vários estudos apontam no sentido de que alguns dos comportamentos desajustados de pessoas no espectro terem relação com uma fraca integração sensorial. A diferença neurológica na capacidade de recepção, organização e processamento da informação através dos estímulos sensoriais, dificulta a capacidade de regulação dos comportamentos, segundo as normas.

A terapia de integração sensorial é fundamental, neste tipo de terapia promovem-se ambientes repletos de estímulos sensoriais onde se permite à criança escolher e experimentar no intuito de que com o tempo esta se consiga auto-regular. 

O "bolinha" da Me mostra-nos uma boa técnica de estimulação do tacto, brincar com areia. Podemos usar também farinha, massas, arroz, grão, feijão, tecidos com várias texturas, incluindo-os nas rotinas e brincadeiras diárias.






2 de Abril - Dia Mundial da Consciencialização do Autismo



sexta-feira, 1 de abril de 2016

Uma espécie de passatempo #7

Um dos sinais que pode ser notado desde muito cedo nas crianças com autismo é que os seus interesses são restritos e os comportamentos repetitivos. Preferem brincadeiras que não os obriguem a interagir muito socialmente e de preferência que envolvam os seus sentidos, que os mantenham em movimento ou que lhes permitam observar movimento. Refutam quase sempre as brincadeiras do faz-de-conta porque essas os obrigam a imaginar ou reproduzir situações e/ou a fazer um planeamento. 
É através dos jogos e da brincadeira que as crianças se desenvolvem em termos cognitivos e psicomotores, é assim que adquirem consciência de si próprios e do mundo à volta, promover a interacção é desenvolver a imaginação, é estimular a criatividade entre crianças e acima de tudo criar cumplicidade. Dado a fraca capacidade de socialização na maioria dos autistas, o papel de todos nós é promover essa interacção, primeiro passo para a aceitação.
Macaquito tem feito grandes progressos ao nível da socialização com crianças mas continua a preferir adultos. 

Aqui entra OutroEnte que nos caracterizou de uma forma que tem tanto de genial como de verdadeira, nas palavras dele "mommy is the best playground!".


2 de Abril - Dia Mundial da Consciencialização do Autismo

Uma espécie de passatempo #6


A Vera é uma miúda muito dedicada a tudo quanto se propõe a fazer, fala muito, tal como eu, portanto a participação dela não seria a mesma sem a sua voz. O facto de tê-la neste abraço e de a ter na minha vida e na de macaquitos, faz de mim uma pessoa mais feliz. As duas tagarelas, que partilham gargalhadas e macacadas, até à exaustão...dos outros. A maioria das vezes, é só disto que os pais de crianças diferentes precisam, que os façam rir, que os façam esquecer que o dia foi duro e que os deixem saber que quando precisam têm ali um ombro amigo.
Emocionei-me com o vídeo, mais ainda com a missiva que o acompanhava. Obrigada por estares desse lado, obrigado por nos ajudares a fazer diferente.





2 de Abril - Dia Mundial da Consciencialização do Autismo