sexta-feira, 5 de junho de 2015

Castigo corporal? Não me parece mas apetece.

Se eu tivesse talento para edição de vídeos, este blog tomaria outras proporções, ainda bem que não tenho que eu gosto dele  assim pequenino. Mas a cena desta manhã seria digna de vídeo, contado nunca tem a mesma piada.
Dona Macaquita muito ciente daquilo que quer e não quer vestir começa por reclamar comigo porque eu escolhi um casaco com botões (ela odeia qualquer roupa que tenha botões), expliquei-lhe que era o que ficava bem naquela roupa, que era de algodão e que teria de levá-lo. Argumentou dizendo que se não lhe tivesse vestido uma camisola sem mangas não precisaria de casaco. Já estava a ficar farta daquela guerra, que é diária e disse-lhe que vestisse o casaco antes de eu me zangar.
-Aiii mãe, já estou a ficar inervada!
-É melhor que te passem os nervos rápido e vistas o casaco que estamos atrasados.
-Ok, eu visto mas não vou usá-lo na escola para os amigos não me verem com botões.
-Rápido que quem está a ficar inervada sou eu.
Macaquito aproxima-se, pega na mochila, abre a porta e diz com ar mais condescendente do mundo:
-Mamã, tu devias ser daquelas mães que batem!!

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Gostas quanto de mim?

Nunca a tua existência fez tanto sentido como no dia em que nasceste, receios infundados de que nunca te conseguisse amar por inteiro, desvaneceram assim que te olhei nos olhos e sorri ao teu sorriso.
Sempre te vi pequenina do tamanho do meu colo, tinha medo que ao cresceres deixasses de lá caber, presumi que estando metade ocupado, a outra metade não te fosse suficiente, por vezes não é. É aí que te mudo para um abraço. Há sempre lugar para ti em mim e é em mim que buscas aconchego a cada lágrima por secar.
Menina tonta, bonita, menina tonta, arisca, o meu coração não esvaziou para se encher de um novo amor, o meu coração alargou para caberes no amor que te sinto.


quarta-feira, 3 de junho de 2015

Vamos passear?

Mãe que é mãe prepara tudo com muito amor sempre que os filhotes vão para uma visita de estudo e era tudo tão fácil até que o glúten e a lactose decidiram ser intolerantes a macaquito. Sim porque ele tolera-os, eles é que lhe fazem a vida negra.
Saio do trabalho a correr para ir buscá-los e "taruz" parte-se o cabo da embraiagem e fico a pé, boleia para ir buscar os putos à escola e voltar a casa, cada vez mais atrasada. Banhos, fazer jantar, tudo sozinha porque pai macaco está na vinha a "comer pó"!!
Depois dos banhos e jantar despacho os putos para a sala "vá, vão lá ver o Disney, sim, desculpem lá mas hoje não dá para macacadas que tenho muito que fazer". Começo por fazer massa de rissóis com farinha de arroz que me dizia alguém que não custa nada e fica tal e qual. Se por tal e qual, falam numa coisa peganhosa que não desagarra do tacho e se cola às mãos, se calhar ficou bom, juntava-lhe uns corantes alimentares e fazia um curso de iniciação ao barro colorido. 
Seguem-se os rolinhos de salsicha sem glúten que ele adorava antes de serem sem glúten, ideia espectacular para levar com este calor, só faltou ter uma  massa decente que, no mínimo, corasse no forno. Sairam umas coisas brancas amorfas mas com certeza deliciosas (sei que não estão a ver mas agora estou a revirar os olhos) .
Para terminar faço aquele bolinho de cenoura que sai sempre tão bem e ele adora, no dia seguinte o bolo seco que me saiu do forno foi direitinho para o caixote do lixo.
Fritar os rissóis e oops, não há óleo. "A sério, não há óleo???!!!" Ligo para pai macaco que me diz que traz óleo quando voltar, só tive de esperar até às 11 da noite. Perto da meia noite tinha tudo pronto, colocado em tupperwares. Ao almoço, de rissóis (uma espécie de rissóis) e arroz, juntei os rolinhos, o bolo "nhec" de cenoura, fruta, iogurtes, sumos e água fresca. Macaquito é um puto que come muito, come de tudo e sem esquisitices.

Fui buscá-lo à hora marcada, a mochila pesava toneladas, ele vinha transpirado, sujo e feliz.
"Vens cheio de lembranças? Esta mochila pesa."
"Tenho uma foto mamã, com uma coruja no braço, queres ver? A coruja era o Soneca e tinha lá uma águia chamada Cusca. E dei o meu gelado ao F. porque aquilo sabia a morango e não era Epá. E tenho um chapéu novo! E um presente para a mana."
Chegar a casa, abrir a mochila e constatar que comeu o almoço e bebeu os sumos a meias com o amigo F., tudo o resto estava intacto dentro das caixinhas.
 Mas a foto estava linda e ele vinha feliz.

E esganado de fome!!

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Dia de algumas crianças

Hoje é o dia mundial de TODAS as crianças. 


Devia ser  todos os dias, para muitos nunca é!

Engraçadinha

Macaquita estava desde quinta feira com umas febres baixinhas que me deixam preocupada, pois sempre que faz febres baixas acaba em bronquiolite ou pneumonia. Ontem, em continuando com febre e não tendo pediatra ao domingo, fui para o hospital onde apanhámos uma tarde de muita espera. 
Ao fim de três horas, o Dr. Niculae lá se predispôs a ver a miúda, depois de auscultada e observada, ficamos a saber que é apenas uma infecção na garganta, coisa menos grave a que estamos também bastante habituados. Enquanto esperávamos que passasse as receitas, macaquita observava e comentava um quadro do consultório com os personagens da Disney em versão bebé.
-Mamã, é o Mickey, o Donald e a Minnie bebé mas não percebo o que é aquela coisa amarela.
-Parece-me um novelo de lã, macaquita.
-Pois, aquilo azul é um pião e está ali um biberão.
-Sim, sim.- respondia-lhe sem prestar grande atenção.
-E estão todos com chucha.- olhei para confirmar e não estavam chuchas nenhumas.
-Com chucha? Onde é que estás a ver chuchas?
-Já não viste, engoliram!
O médico, até ali muito circunspecto e sisudo soltou uma gargalhada e até sairmos do consultório não conseguiu parar de sorrir.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

O pai é que sabe

O meu irmão e o pai de macaquito fazem uns ralis de regularidade histórica a que eu ironicocarinhosamente chamo Provas de Chassos. O gosto pelos chassos velhos foi sendo herdado por quase todos os membros da família, tanto ou tão pouco, que já lá vão uns anos que tenho uma dessas relíquias plantada na minha garagem, só sai para passeios ou quando fico a pé.  Como o meu carro está na oficina, esta semana passeamos de chasso, macaquito delira.

-Mamã, o preto faz piões?
-Não.
-Faz, faz. O pai disse que sim.
-O pai enganou-te.
-Não mãe, o preto é do rali.
-Achas? Não é nada, nem tem número na porta.
-Ai mãe, não sabes nada. Tu não vês que tem as matrículas pretas, as matrículas pretas são dos carros do rali.
Ri-me da analogia.
-Pronto mãe, não te preocupes, tu não sabes nada mas eu estou aqui para te ensinar!
-Ai é? Então fica combinado quando saires com o pai no preto, podem fazer os piões que quiserem, com a mamã não te safas.
-Eu sei, com o pai faço piões e também posso dizer gaja boa!

Serei sapo?

Enche-me de beijos, quando chega, quando vai, quando está e até quando não está, sou a preferida dos beijos dele. Aos outros, no entanto, é um martírio ou a rotina já foi criada ou tem de ser alguém de quem goste muito.
 A terapeuta ocupacional, sabendo disto, costuma provocá-lo, pedir-lhe beijos que usualmente ele refuta mas que compensa com um abraço. Na última sessão, diz-lhe ela:
-Macaquito, já vais embora? Então e o meu beijo?
- Ó C. tu não sabes? Os beijos das outras pessoas deixam-me corado!