sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

:o )

Julgo que se passou em 2012, em alturas do europeu de futebol, combinei ir ter com uns amigos para vermos um qualquer jogo de Portugal. Como saio tarde, perto da hora do jogo, passei no infantário a buscar os miúdos e fui directamente ao café combinado. Tinha sido dia de ginástica e era Verão pelo que estavam um bocado sujos. Chegando ao pé da malta, referi isso em tom de brincadeira, que não ligassem, que estavam sujos e cheiravam mal pois tinhamos vindo directo da escola e ainda não tinham tomado banho. 
"E trouxeste os putos todos porcos, não tens vergonha?! Não pode estar ao pé deles com o cheiro..." a malta brincava mas macaquito não achou piada.
"Mamã, eu sou porco? Eu não tomei banho por isso sou porco?"
"Macaquito, não faz mal. A mamã também não tomou banho, vá lá, eles estão a brincar."
A coisa passou, o jogo começou, a malta estava entusiasmada e esqueci-me dele por momentos, macaquita ainda não tinha dois anos e não me largava o colo NUNCA. Ele estava habituado àquele café e costumava abancar em qualquer mesa onde lhe dessem conversa ou um telemóvel para brincar.
A dada altura uma amiga minha diz-me que talvez não fosse má ideia ir buscar macaquito às mesas do lado do balcão. 
" Mas porquê? Está a chatear alguém? Porque não o trouxeste?"
"Vai lá, vai, despacha-te!"
Cheguei e deparei-me com o meu filho a passear de mesa em mesa e a dizer:
"A minha mãe é uma porca! A minha mãe é uma porca!"

Inquérito

Fui buscá-los ao infantário/ATL um pouco mais tarde que o costume, como estava uma certa confusão de trânsito, estacionei em contra-mão. Assim que entrámos no carro, macaquito disparou:
"Mamã, porque é que estacionaste ao contrário?"
"Porque vinha com pressa."
"Porque é que estás a virar neste sítio?"
"Porque tinha o carro ao contrário?"
"Tu tens carta para conduzir o Golf da avó?"
"A carta serve para todos os carros, macaquito."
"Podes conduzir um Citroen?"
"Siiiimmmmm, macaquito, só não posso conduzir camiões."
"A avó sabe que tens o carro dela? Porque é que te atrasaste? Porque...."
" Eh pá, chega, mais um bocadinho e vais perguntar quantas vezes fui à casa de banho hoje."
"E limpaste bem o pipi?"


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Onde pára o bebé?

Ontem foi um dia especial, como macaquito ainda estava de férias, passou a tarde comigo no escritório. Ao final do dia apareceu um dos empregados da empresa que foi pai  há cerca de dois meses. Alguém lhe perguntou pela bebé e ele em tom de brincadeira:
"Não sei, não faço ideia por onde anda."
Macaquito olhou para ele com um ar verdadeiramente intrigado.
"Olha, eu vou-te explicar, tens de procurar pela casa toda."

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Espinhas na canja

As horas da refeição nunca são muito pacíficas cá por casa, visto que macaquita, apesar de comer bem, teima em reclamar primeiro de tudo o que lhe é posto no prato. Se é massa, queria batatas, se é peixe, queria carne, os "lagumes" gosta muito mas é na escola porque cá em casa não gosta. O problema é  que pai macaco é homem pouco dado a birras e a paciência  esgota-se muito depressa, fruto de 20 anos a aturar-me, acho!!
Ao fim de semana as refeições são, quase sempre confeccionadas por ele e ontem fez uma canja de galinha que os putos adoram e umas moelas que estavam simplesmente divinais, não obstante, macaquita lá começou a ladainha do costume:
"A canja tem espinhas!!
"Pois, deve ter mas come que as espinhas fazem muito bem à barriga." respondo-lhe num tom de gozo.
"Ahhhhhh mas a carne está picante.... e o arroz está quente.... e misturas-te o molho... e...."
"Macaquita, estás aqui estás a levar uma palmada." diz-lhe o pai já bastante irritado (avanço desde já que nunca passa da ameaça, talvez por isso ela continue a fazer o mesmo número TODOS OS DIAS.)
Macaquito a ver que a coisa estava a começar a azedar, diz isto: 
"Pai, respira fundo..... vá, inspira, expira..... não te preocupes, eu estou aqui para te ajudar!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

A desordem natural das coisas

Tenho por hábito conversar muito com os macaquitos no carro, talvez porque a disponibilidade para lhes dar atenção é maior que em casa, onde há banhos para tomar, refeições para preparar e as brigas do costume, portanto aproveito sempre os momentos de volta a casa para perguntar tudo e mais umas botas.
"Então macaquito, como foi o teu dia? Divertiste-te?"começam os dois a falar ao mesmo tempo, macaquita da ginástica que adora e até já vai com os meninos mais velhos, ele dos cavalos na hipoterapia, as vozes atropelam-se, cada um a falar mais alto e eu sem perceber nada, até que mando um grito.
"Chega, parem, um de cada vez. MACAQUITO, como foi o teu dia?"
Uma fungadela.... um soluço.... um choro em forma de uivo.... macaquita chora desalmadamente.
"O que foi macaquita, porque é que estás a chorar?"
"Porque eu quero falar primeiro, snif, snif."
"Mas eu perguntei primeiro ao mano, falas a seguir."
"Mas porque é que ele é o primeiro, vá, vá, diz lá." sem choro e num tom desafiador.
"Porque eu mando, porque ele é mais velho, olha porque me apetece!! MACAQUITO, conta lá à mamã, vá."  e macaquito conta todas as sua peripécias do dia. 
"Pronto macaquita, conta lá como correu a ginástica."
"Mal!!"
"Então porquê?"
"Porque eu queria falar primeiro!!"


Amanhã é dia de falar de amor...

... Eu falo hoje e para sempre.
"Mãe, tu amas-me?"
"Mais que tudo no mundo!"
"Mais do que a mana?"
"Amo muito os dois"
"Eu também te amo mamã do meu coração!"
Pausa....
.....
.....
.....
.....
"E o pai?"

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Agora mais a sério

Não sei quantas pessoas me lêem, sei que são algumas, para mim basta para a mensagem que pretendo passar. Reúno neste blog o que antes (e agora também mas menos) escrevia no meu cadernito, assim à laia de diário para mais tarde recordar e poder mostrar aos macaquitos quando crescerem.
Escrevo também com a esperança que posso mudar alguma coisa no que diz respeito à diferença, espero que as pessoas entendam que ter um filho especial não é o fim do mundo, é sobretudo uma lição de vida.
Macaquito ainda não percebeu que é diferente dos outros meninos, a irmã também não percebeu que o irmão é diferente dos outros meninos, apenas não percebe porque é que começou a calçar-se e a vestir-se primeiro que ele, visto que ele é muito maior. 
Mas alguns meninos da escola dele, já perceberam muito bem e fazem questão de demonstrar e ele não entende porque lhe chamam deficiente, sabe que é "mau" mas não sabe o significado. Digo-lhe que é a mesma coisa que quando eu lhe chamo "trollito" ou "tarola", para não ligar, que é tudo a brincar.
A primeira vez que senti na pele que o meu filho era diferente, digo sentir porque sentir é diferente de saber ou aceitar, ele tinha 5 anos e não foi uma criança que lhe chamou um qualquer nome "mau", foi uma mãe que teve uma atitude muito feia. Fez-me pensar no porquê, em que altura da vida nos tornamos preconceituosos porque até àquele dia nunca macaquito tinha sido posto de parte por outras crianças, foi um adulto o primeiro a fazê-lo. Limitações todos temos, o preconceito não é inato, então a partir de que idade é que começamos a dar pela diferença? O vídeo que se segue dá-nos umas luzes... 

https://www.youtube.com/watch?v=WB9UvjnYO90&app=desktop