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quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Não é propriamente apropriado

Férias e o do costume, ou seja, a casa da avó. O meu telemóvel toca e vejo o número da minha mãe, prevendo que seria macaquito, atendo com um enorme:
-BOM DIIIIIIIIA!
-NÃO! Não está tudo bem. - diz-me do outro lado como se todos os problemas do mundo fossem culpa minha.
-Pois, estou a ver que não. O que se passa?
-A avó está zangada comigo.
-O que é que fizeste?
-Olha, portei-me mal, pus-me de castigo a mim próprio e agora estou chateado comigo próprio porque estou de castigo e a avó disse que eu podia ficar aqui a amuar o dia todo! 
E que na realidade seria um grande contra-senso desautorizar-se a si próprio e retirar-se do seu próprio castigo. 

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Raramente faço fritos em casa

Macaquita anda teimosa para comer, demora séculos e as refeições são cansativas e pouco proveitosas porque não gosta, não tem fome, tem sono, tem de ir à casa-de-banho ou fazer qualquer coisa tão importante que não pode esperar. Claro que não a deixo tirar o rabo da cadeira enquanto não acaba mas é complicado à hora de almoço porque tem de voltar para a escola a horas. Nos últimos tempos optei por lhe tirar o prato quando chega a hora de ir embora e voltar a dar-lhe o mesmo comer na refeição seguinte. Ontem combinei com o pai que o jantar seria batatas fritas com salsicha e ovos estrelados, um verdadeiro martírio para os crescidos mas a refeição que faz as delícias para os pequenos. 
Chegámos da piscina e ela ajudou-me a descascar batatas, abriu as salsichas e ajudou a fritar cogumelos que adora. Depois da canja, servi-lhe esparguete com carne que sobrara do almoço num prato igual ao que deixara e servi os restantes pratos com a comida que me ajudou a preparar. Não disse nada, comeu tudo e esperou que terminássemos para ver o que sobrava, fiquei na mesa a comer batatas fritas (de castigo) até não sobrar nem uma. Não disse uma palavra, comeu a fruta e seguiu a sua vida.
Hoje, quando a fui buscar à escola perguntou-me o que era o almoço.
-Puré com peixe.
-Puréeee? Puré? Pensava que era batatas fritas.
-Isso foi o jantar ontem, hoje é puré e peixe.
-Pensas que eu não percebi. Eu vou comer o puré todo mas quando for mais velha e fores a minha casa para jantar não te vou dar nada!

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Filas

Enquanto a senhora da recepção da piscina me resolvia uma questão, chega um senhor completamente distraído, provavelmente cheio de pressa e pergunta qualquer coisa. 
- O senhor tem de esperar pela sua vez, agora a senhora está a atender a minha mãe! É assim que se faz, cada um espera pela sua vez.
A senhora da recepção não aguentou e largou-se a rir, eu pedi desculpa e o senhor deu-lhe razão mas ficou meio encavacado. Fosse ele tão bom a cumprir as regras como é a impingi-las aos outros e a minha vida estaria claramente mais facilitada.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Furto quase perfeito

Nos dias em que a Dona A vai a casa dos meus pais ajudar nas limpezas, é habitual que se sente com eles à hora do lanche. Da última vez, enquanto conversavam, o meu pai reparou em macaquito a rir-se sozinho na porta da cozinha com ar de quem estava a preparar alguma. E estava... 
Passado uns minutos, qual não é o espanto de Dona A quando olha para o seu copo de sumo e repara que estava vazio quando ela ainda nem tinha provado. No lugar do sumo estava uma palhinha que macaquito surripiou do copo das palhas no balcão e com a qual, sem ninguém se aperceber, bebeu o sumo da Dona A. Se tivesse tido a esperteza de tirar de lá a palha, haviam de ficar a pensar que o sumo evaporara.


De notar: estes comportamentos não são encorajados, muito pelo contrário mas rimo-nos a valer quando ele não está presente.

terça-feira, 31 de maio de 2016

Insónia

Ali entre a uma e as duas da manhã ouço passos, passos pequeninos e sorrateiros. Que nem cão de guarda, levanto a orelha para perceber qual dos dois era, nem esperei dois segundos.
-Mamã, não te preocupes. Vou só fazer chichi e já me deito ao pé de ti. - atira bem alto na porta do meu quarto.
Pensei para mim que se o ignorasse, ele voltava para a cama dele. Claro que me enganei, chegou-se à beira da cama e sussurrou "mamã", fingi dormir. Sem pudor, nem cuidado, trepa por cima de mim e alapa-se no meio da cama, puxa dos cobertores, afinca com os joelhos no meio das minhas costas e boa noite. Não sossega mais de dez minutos seguidos e por volta das seis da manhã, começa a espirrar, dá mais de trinta espirros seguidos, não dormi mais. De manhã disse-lhe que não podia vir a meio da noite para a minha cama, a regra é ao fim de semana e já de dia.
-Como é macaquito, cada um... -  não me respondeu. -Estou à espera, cada um...

...

...

... 

- ... na sua cama. Mas eu estava sozinho e desconfortável.