Acabo esta espécie de passatempo como comecei, com uma história.
Estávamos a acabar de almoçar com amigos quando os miúdos chegaram dos avós, os meus pais vieram ter connosco e ficaram por ali um pouco. Macaquito estava ansioso para ir para casa, pediu-me por várias vezes para irmos embora, fomos protelando porque a conversa estava boa e a imperial também. A dada altura, pai macaco pediu-lhe que fosse pedir 3 imperiais, habitualmente gosta de fazer recados, desta vez respondeu torto. Olhei para trás e percebi pela postura corporal que a coisa ia correr mal, fui atrás dele e cheguei a tempo de ouvir.
- São 3 imperiais, ó... - ficou-se pelo "Ó" mas o tom de voz foi brusco. Segurei-lhe no braço para que me ouvisse, não o justifiquei mas pedi desculpa ao senhor que, com um sorriso genuíno, me disse que não fazia mal. Levei-o para a mesa e pedi-lhe que me explicasse aquele comportamento, quando o senhor voltou, macaquito pediu desculpa e o senhor reiterou que não era necessário.
Eu sei o que aconteceu, percebi-o imediatamente pela postura corporal cerrada, dedos das mãos retorcidos, entendeu que não iria logo embora quando lhe pedimos que fosse ao balcão, descarregou a frustração no empregado porque não se consegue conter. Ele distingue o certo e o errado mas não consegue controlar a parte emocional da mesma forma que uma criança neurotípica. Nunca admitiria este tipo de comportamento à irmã e ela sabe-o, sabe também o porquê da diferença e aceita-o.
Esta história é igual a muitas outras, diferenças comportamentais que raramente são aceites numa criança de 8 anos, ou mais, que não tenha uma deficiência física visível, a diferença é que nesta história o verdadeiro protagonista foi o empregado que não julgou, percebeu o meu embaraço e aquietou-me com um sorriso.
O autismo não se vê, não anda de cadeira de rodas, não tem um olhar diferente. Os pais e cuidadores de autistas são gente que sente como toda a gente. Têm família, têm amigos e têm vidas para viver fora de 4 paredes, não precisam de julgamentos de pessoas perfeitas, cheias de moral e de ensinamentos bacocos. A consciencialização é importante, a aceitação é primordial.
O vídeo não é meu, podia ser, já me aconteceu... tantas vezes!
Para todos vocês que riscaram este blog ainda mais de azul, obrigada por fazerem a diferença. Linda e Uva sinto-me comovida e lisonjeada. A votação não foi democrática, as opiniões divergiram tanto que a decisão foi ditatorial. O voto de qualidade foi meu e eu decidi que a grande vencedora é a Mironinho.
2 de Abril - Dia Mundial da Consciencialização do Autismo
2 de Abril - Dia Mundial da Consciencialização do Autismo






