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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Telecomandar a vida

Não sou muito preocupada em ter a casa toda arrumada, aliás, isso só acontece de muito em muito tempo mas se há alguma coisa que detesto são sapatos fora do sítio. Macaquita é useira e vezeira em deixá-los bem no meio da sala, já ele assim que se descalça vai arrumá-los no sítio certo. As férias foram madrastas em muitas rotinas e alguns (dos bons) hábitos já incutidos ficaram algures perdidos na casa dos avós. Hoje, quando chegámos a casa, eles foram para a sala brincar e quando dou por ela tenho uns ténis e uns chinelos de praia, ambos de macaquito, espalhados pela sala. Percebi pela reacção dele, assim que lhe pedi que fosse arrumar, que iria dar direito a uma birra enorme de tão feliz que estava com o carro telecomandado. Então resolvi improvisar:



Fosse eu tão capaz a gerir as minhas próprias frustrações como sou com as dele e tenho a certeza que seria bem mais feliz!

quarta-feira, 12 de abril de 2017

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Hã?

Desde que começou a escrever que macaquita, muitas vezes, escreve em espelho. A educadora dizia que era normal aos 4, 5 anos. Foi também por volta dessa idade que achámos que não ouvia bem devidos aos constantes "quê" e "hã" e de nem sempre compreender o que lhe diziamos, assumia (e assume) palavras parecidas, no entanto, já foi despistado qualquer problema de audição. Está no primeiro ano, é uma aluna excelente em todas as matérias mas os erros que dá, com alguma frequência, são por escrever em espelho e por confundir letras parecidas, a professora diz que é "cabeça no ar" mas eu acho que é mais do que isso. Há uns meses, falei com a neurologista do irmão que me diz que era normal nesta idade mas que se continuasse deveria pedir despiste com terapeuta da fala, o que fiz.
-Macaquita, para a semana vais fazer terapia com a terapeuta do mano.
-Porquê?
-Para percebermos se andas só distraída ou se tens alguma coisa errada nesse cérebro.
-Eu não tenho "cébro"!- tive de me a rir da inocência e honestidade com que me diz aquilo.
-Não é para rir, é a sério. Tu estás sempre a dizer que não tenho nada na cabeça. Isso quer dizer que não tenho "cébro", não é?

sexta-feira, 3 de junho de 2016

O caminho

Ninguém sabe o que lhe vai na cabeça, ainda que fale connosco incessantemente. Eu que lhe conheço as manhas e entranhas e todos os passos que dá, vou entendendo o discurso aparentemente desconexo, na impossibilidade de o entender pergunto-lhe descontraidamente onde foi que viu tal coisa, amiúde a resposta é "nos meus sonhos". 
Permito-lhe que sonhe, se bem que o tenho de acordar demasiadas vezes, arbitram-me que o traga para a realidade, fico-me a pensar o que ganha com isso, se nos leva a algum lado. Se viver num sonho o levar a um fim qualquer, podemos sempre recomeçar. Não o vou condenar a viver uma realidade que é de todos mas talvez não seja o lugar onde se encaixe. 
Se é a minha mão que escolhe para caminhar, vou permitir que escolha também o caminho e no fim sei que estaremos bem, se não estivermos, podemos sempre começar de novo.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O mapa do chichi

As primeiras vezes que falei com o pediatra de macaquito sobre retirar a fralda, ele pedia-me calma e dizia com um ar muito condescendente "Conte lá para os 5 anos". Eu, que não sou pessoa de desmotivar e muito menos de levar à letra tudo o que o pediatra me diz, fui tentando, limpei muito chichi no chão, corri com ele no ar até à casa de banho com chichi em andamento só para que ele terminasse no local correcto, andava com o bacio atrás dele enquanto brincava mas ele nunca lá se sentou ou acertou. Contra tudo e contra todos, aos 3 anos e meio, macaquito descobriu a sanita e largou a fralda, de dia e de noite. E assim foi até entrar no ensino básico.
Fazer chichi na cama é para mim o sinal de que alguma coisa está mal, quando acontece já sei que tenho de fazer investigação, visto a gabardina, pego na lupa e lá vou eu em busca de pistas. Acreditem,  não é tarefa fácil, tenho de procurar aquilo que para ele possa ser confuso ou provocar algum tipo de distúrbio emocional, invalidando todos os conceitos que tenho de normalidade, podem tirar-lhe brinquedos, roubar o lanche ou o material escolar que ele não está nem aí mas o facto de um amigo fazer uma birra na aula porque não quer ler o texto do dia ou a pessoa que habitualmente o vai buscar não ter ido nesse dia por um motivo qualquer, pode confundi-lo e muito. O que é válido para hoje, não tem de ser válido para amanhã, as frustrações podem vir da coisa mais estúpida que possamos imaginar, a maioria das vezes, não chego lá e não chegando à raiz do problema, não consigo resolvê-lo, logo o problema subsiste e o chichi também. 
Chegando ao que interessa, agora tenho um truque, informação preciosa transmitida por uma psicóloga e que com macaquito funcionou SEMPRE. Obviamente, este método serve para qualquer criança, portanto, fica a dica para pais que estejam cansados de lavar lençóis dia sim, dia sim.
Lá em casa chamamos-lhe Mapa do Chichi, na realidade, é uma espécie de calendário. Desenhamos numa folha branca um calendário com os dias da semana (pode ser semanal ou mensal) e um quadrado em branco. Esse calendário é de uso exclusivo de macaquito, quando se levanta de manhã,  a primeira tarefa é desenhar um sol ou uma nuvem chuvosa, conforme tenha sido a sua noite. A palavra chichi está proibida nas conversas, não ralhamos, não mencionamos, quando há chuva durante a noite, mudo-o e ele já sabe que tem de tirar os lençóis e colocá-los dentro da máquina da roupa. Perceber que isso implica trabalho e que esse trabalho não é da mãe ou do pai, dá-lhe motivação para se controlar. Tendo em conta a meta que lhe impusemos, normalmente semanal, se tiver muitos sóis tem uma recompensa (que NUNCA passa por presentes), escolher o jantar ou o sítio onde vamos passear. Se a chuva prevalecer, tiramos-lhe qualquer coisa que goste bastante, horas de televisão, o tempo de jogar no tablet, aumento de tarefas, sem fazer grande alarido.
Não usamos isto diariamente, apenas se houver acidentes vários dias seguidos, começamos sempre com um novo calendário e no caso dele, após um dia ou dois, está resolvido. Até hoje, nunca o punimos, no entanto, (nós, pais) já comemos MacDonalds de castigo algumas vezes à conta do Mapa do Chichi.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Ordens são para cumprir

A terapeuta ocupacional tirou a sessão para uma reavaliação, reavaliação essa que exige a apreciação de vários parâmetros,  cognitivos e motores. Eu estava fora da sala, visto que ele trabalha melhor sem a minha presença quando tem de estar mais concentrado. A dada altura, a terapeuta pedia-lhe que imitasse situações do dia-a-dia para avaliar a praxia ou planeamento motor. Consiste na habilidade de imaginar e conseguir reproduzir situações sem ter objectos que o assistam na tarefa. No caso dele é complicado, é ainda bastante imaturo devido à dificuldade na integração sensorial. Assim, começou por pedir-lhe que lavasse os dentes, que se penteasse, calçasse os sapatos, fizesse uma chamada com o telemóvel, isto tudo reitero, sem qualquer objecto nas mãos. Fui ouvindo tudo o que se passava e conseguia perceber pelas reacções da terapeuta como se estava a sair.
-Agora penteia-te. Muito bem! Agora estás a lavar os dentes. Ok! Agora faz de conta que estás a cortar o pão com uma faca.
-Aaaaahhhhh não! Não e não! Isso não! A minha mãe não me deixa mexer em facas!