Mostrar mensagens com a etiqueta Rotinas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rotinas. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Prioridades

Macaquito anda, mais uma vez, numa fase de muita ansiedade. Por causa disso, tem tido muita dificuldade em adormecer sozinho e pede sempre companhia até adormecer, normalmente, eu e o pai vamos à cama dele e da irmã à vez, sendo que temos sempre de ir os dois à cama dele.
-Mamã, hoje ficas comigo até adormecer?
-Sim, sabes bem que sim.
-Mas e se o pai quiser vir?
-Não queres que o pai venha um bocadinho?
-Não, mas também não quero que ele fique triste.
-Não fica, não te preocupes com isso.
Já estávamos na conversa há uns bons 10 minutos, quando o pai apareceu para me render.
-Desculpa pai, hoje não dá para vires para aqui. Sabes, tenho a agenda cheia,  se não te importares eu arranjo tempo para ti amanhã, ok?!

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

A difícil arte de mandar

Enroscados na cama dele, conversamos sobre o que nos entreteve durante o dia, ele faz perguntas sobre o meu trabalho e eu sobre a escola e as actividades, até que ele dá a volta à conversa.
-Mãe, a partir de agora sou eu a mandar e tu vais ter de fazer as minhas tarefas.
-Ai é? Então e quais são as tarefas?
-Arrumar os brinquedos e brincar como Audi!
-Parece-me bem mas visto que vamos trocar de papéis, para mandares terás de fazer as minhas tarefas. - digo-lhe expectante.
-Ok e quais são as tuas tarefas?
-Cozinhar, tratar da roupa, limpar a casa, arrumar....
-Cozinhaaaar? Eu não sou gastrónomo! 
-Eu também não mas temos de comer.
-Pronto, está bem. O que é que tenho de fazer amanhã?
-Tens de acordar muito cedo, às 7h e depois tens de preparar o pequeno-almoço para todos, preparar as roupas para ti e para a mana, os lanches e até te deixo conduzir o carro para nos levares à escola.
-O carro? Eu não tenho carta de condução, tontinha. 
-Ok, eu levo o carro e tu tratas do resto.
-Está bem mas não sei se consigo acordar cedo, não tenho despertador.
-Eu ponho o meu despertador aqui quando me for deitar.
-É melhor não, toca muito alto e eu vou-me assustar. - pensei que estivesse arrependido de aceitar as tarefas e que a coisa ficasse por ali. Pensei mal!
De manhã, assim que saio do banho dou com ele a correr para a minha cama e a dizer ao pai que se deixasse estar que ele ia preparar o pequeno-almoço. E assim fez, arranjou leite para todos, bolachas para a irmã, a papa para ele. Acordou a irmã com mimo, tal como eu faço, comeu, arrumou a loiça como conseguiu, perguntou-me o que fazer a seguir e foi-se vestir.
-Mãeeeeeee, dás-me umas calças que eu não chego lá? - vou ao quarto dele e já tinha escolhido e vestido meias e camisolas, enquanto vestia as calças perguntou-me o que fazia a seguir.
-Quando acabares de te vestir podes ir fazer as camas. - olhou para mim com um ar aterrorizado e diz muito chateado.
- Tenho a impressão que sou pau para toda a obra!

segunda-feira, 9 de abril de 2018

O nosso universo

Quis o calendário escolar que hoje recomeçasse a escola após um período de quinze dias de maus hábitos de sono, zero reclusão, zero regras, enfim, quase zero rotinas ao contrário do habitual durante o tempo de aulas. 
Quis o ministério da educação que as crianças voltassem à escola para gaúdio de  alguns pais e verdadeira tortura para outros como eu que desfrutam de uma tranquilidade familiar quase absoluta quando os rebentos estão de férias pois se não há obrigatoriedade de ir dormir cedo, há dias de mimo em casa dos avós, há passeios infindáveis pelo campo, então não há crises existenciais (a não ser na hora de tomar banho, coisa que os meus filhos fariam de bom grado apenas de quinze em quinze dias caso eu o permitisse).
Quis a sociedade que as férias acabassem mas não quis macaquito, portanto hoje, o meu dia e o dele, especialmente o dele, foi um tormento, choro para acordar, choro para o pequeno-almoço, choro para vestir, lavar dentes, calçar, pentear, sair de casa, entrar na escola, choro na hora (e meia) de almoço, choro para entrar de novo na escola e um sorriso de orelha a orelha, assim que me viu à saída das aulas.  
-Têm TPCs? - pergunto ainda o carro.
-Não! - responde macaquita.
-Eu tenho de estudar e acabar um trabalho. - responde ele e eu começo logo a imaginar a próxima sessão de choro.
Ainda durante o lanche vai à mochila, tira o caderno e mostra o que tem para fazer. Estudar o sistema solar e preparar uma apresentação oral. No mesmo momento tive a certeza que conseguia fazer aquilo sem recorrer a psiquiatras.
Ele era o sol e macaquita a terra, movimentos de rotação e translação no meio do quarto, os planetas distribuídos pelo universo que contempla bananas e outras frutas alien, uma barrigada de risota e a matéria sabida na ponta da língua.
É por dias destes que nunca desisto.


quarta-feira, 4 de abril de 2018

"What we've got here is failure to communicate"

Acho que tenho um problema de comunicação, ora se repito a mesma coisa vinte vezes, ou cem, ou mesmo mais. Fico sempre na dúvida se não me está a ouvir ou se não compreendeu ou se pura e simplesmente não está para aí virado, começo a acreditar cada vez mais na última hipótese. Gosto que tome banho sozinho quando temos tempo para isso, no entanto, tenho de ficar do lado de fora a explicar como fazer, ordem a ordem para não baralhar muito.
-Macaquito, ainda não molhaste o cabelo todo. Vá atrás também e agora atrás das orelhas... sim, do outro lado... boa. Agora pousa o chuveiro pega nesse frasco em cima e põe champô. Não, na prateleira de cima, nãaaaaaao, a de cima, sim esse. Só um bocadinho, nãaaao... isso é demais. Metade para o chão, não faz mal, agora esfrega, mais para cima, atrás das orelhas... das duas orelhas... direita.... esquerda.... pronto, está bom. Pega no gel de banho... não, esse é o frasco do champô, o do lado com a tampa azul, isso... despeja um bocadinho. Menos, menos, menos, vais entornar... ok, não faz mal. Esfrega bem, pescoço, braços, debaixo dos braços, rabinho, pilinha...
-Rabinho? Quem tem rabo são os cães, eu tenho cu!

Obrigada pai macaco, depois explicas-me como passar tão bem as mensagens....

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

9X9

Apesar da ansiedade com que esperava pelo primeiro dia de aulas, o querer rever o amigo F., e matar saudades das professoras, eu já sabia o que estava para vir e claro que assim que chegou a casa, chegou com ele a "dor de barriga". A muito custo lá o convenci que teria de voltar de tarde, que era só mais um bocadinho e que mal daria pelo tempo passar. Andamos nisto desde quarta-feira, de manhã vai relativamente tranquilo mas a hora de almoço é um carrossel de emoções para ele e obviamente para mim. Sei que ainda vai demorar algum tempo a entrar na rotina e que até lá o desafio é diário, encho-me de argumentos bacocos, encho-o de mimos e abraços mas nada do que faço parece suficiente para o acalmar. Hoje ao deitar a derradeira tentativa:
-Mamã, amanhã não me obrigues a ir para a escola.
-Claro que não, eu não obrigo ninguém a ir para a escola.
-Então posso ficar contigo em casa?
-Claro mas temos de arranjar qualquer coisa que possamos fazer os dois.
-Olha, ficamos os dois a trabalhar, eu estudo contigo.
-Tudo bem, então amanhã começamos pelas tabuadas que eu acho que já não te lembras muito bem.
...

...

...

-Afinal acho melhor ir à escola, não quero que a professora sinta a minha falta.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Telecomandar a vida

Não sou muito preocupada em ter a casa toda arrumada, aliás, isso só acontece de muito em muito tempo mas se há alguma coisa que detesto são sapatos fora do sítio. Macaquita é useira e vezeira em deixá-los bem no meio da sala, já ele assim que se descalça vai arrumá-los no sítio certo. As férias foram madrastas em muitas rotinas e alguns (dos bons) hábitos já incutidos ficaram algures perdidos na casa dos avós. Hoje, quando chegámos a casa, eles foram para a sala brincar e quando dou por ela tenho uns ténis e uns chinelos de praia, ambos de macaquito, espalhados pela sala. Percebi pela reacção dele, assim que lhe pedi que fosse arrumar, que iria dar direito a uma birra enorme de tão feliz que estava com o carro telecomandado. Então resolvi improvisar:



Fosse eu tão capaz a gerir as minhas próprias frustrações como sou com as dele e tenho a certeza que seria bem mais feliz!

domingo, 9 de julho de 2017

Como os programas de televisão condicionam o nosso dia-a-dia

Brainstorm ao pequeno-almoço.
-Macaquito, o que queres comer?
-Não sei, decide tu.
-Torrada, tosta, papa…
-Vou trancar a resposta papa.

….

….

….

-Papa é a resposta correcta

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Armários, portas, cacifos...

Já lá vão uns meses desde a história do "magnifique" depois da adaptação a essa rotina que foi a de se fechar no armário em casa e falar uma espécie de francês, todos os dias antes de se deitar, outras daí advieram, entre as quais a de se fechar nos cacifos da piscina sempre que vamos às aulas de natação. Aproveita sempre o momento em que arrumo a tralha na mochila para se fechar num cacifo sem fechadura e fazer um pequeno teatro comigo em que ele assume o papel de Monsieur Magnifique, génio malvado que me rapta macaquito e o leva para o deserto ou para o espaço,  apenas depois de eu fazer um monólogo zangado com a porta do armário, lá aparece um macaquito feliz por estar de volta. 
Ora numa das aulas de macaquita, em que tive de o levar também, enquanto eu ajudava a irmã a vestir o fato de banho ele ficou sentado num banco a aguardar. No meio da confusão de um balneário infantil cheio de meninas começo a discernir um tum tum tum pouco habitual, levo dez segundos a processar até que resolvo procurar no lado oposto ao que nos encontramos e para espanto de todas as mães que ali se encontram, sai um rapaz muito esbaforido e atrapalhado de um cacifo que tinha uma fechadura funcional. Desta vez não lhe saiu nada em francês tal foi a aflição que passou quando percebeu que estava trancado.
Passado uns tempos, noutro dia de piscina, no curto caminho que separa o estacionamento da porta principal, deixei de o ver. Corri para dentro do complexo e nada, perguntei a todas as pessoas que ali se encontravam e nada, agarrei no cartão dele, passei nos torniquetes na esperança de que estivesse no balneário à minha espera, entrei e nem sinal dele, paniquei. Voltei atrás e nada, volto ao balneário e chamo por ele e nada, até que de dentro do cacifo (o tal sem fechadura) sai um macaquito todo nu, a falar francês. 
-Conseguiste  despir-te sozinho?! Muito bem, para a próxima vamos tentar isso fora do armário, ok? - foi a única coisa que consegui dizer, sem me rir não vá este disparate tornar-se rotina também.


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Sonos

Fomos a uma festa em casa de uns amigos, daquelas festas que metem jantarada e rambóia noite dentro, sabia de antemão que ao levar macaquitos não poderia ficar até tarde pois macaquito não é daqueles miúdos de dormir em qualquer lado. Ele só dorme na cama, não obrigatoriamente a sua mas uma cama. Não dorme no carro, no sofá ou ao colo, consegue ludibriar o " João Pestana" duma maneira que nem eu consigo e habituado que está a deitar-se cedo, quando a coisa passa das 10\11 da noite faz-nos marcação cerrada para voltarmos para casa e claro, eu acabo sempre por ceder.
No dia da festa estava particularmente enérgico e muito social com as outras crianças presentes, o que foi óptimo até ao momento em que todos os putos, incluindo macaquita, caíram redondos pelos sofás. Tentei que fizesse o mesmo mas ele não deu tréguas e brincou sozinho até perto da 1 e meia da manhã. Nessa altura, disse para pai macaco que tínhamos mesmo de ir embora pois ele não ia quebrar e o dia seguinte seria um inferno se estivesse demasiado cansado, o que também se verificou.
A viagem para casa dura cerca de 25 minutos, ao fim de uns quilómetros deixou de falar, o pai estranhando o silêncio, achou que ele tinha adormecido e arriscou baixinho.
-Peewee, estás a dormir?
-Não estou a dormir, estou só de olhos fechados para descansar o cérebro.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Volte-face

Graças às actividades extra curriculares que os miúdos não frequentam mas que são no meio do horário lectivo, há uns quantos dias por semana que macaquito sai primeiro que a irmã. O que para mim se revelou uma grande chatice, para ele é a oitava maravilha do mundo porque assim tem a mãe só para ele e eu faço questão de o deixar escolher o que fazer nesse tempo, sempre que possível.
-Mamã, podemos ir passear?
-Tens trabalhos?
-Não!
-Onde queres ir?
-Ao castelo!
-Ok, vamos mas tem de ser um passeio rápido.
Fizemos o passeio habitual, que costuma demorar mais de uma hora, em apenas quinze minutos, tendo em conta que todos os caminhos a descer e as escadas são feitos com ele ao colo, quando cheguei ao fim estava pronta para ser amortalhada. Rimos a bandeiras despregadas com todos os disparates que dizíamos e fazíamos, as pessoas que desfrutavam da paisagem por ali, riam-se de nós e das nossas macacadas e no final fomos tirar fotos, a pedido dele, no banco em azulejo onde sempre que lá vamos tiramos fotos a pedido dele.
A caminho do carro diz-me que não quer ir buscar a irmã, que ela fica na escola, discurso habitual sempre que está sozinho comigo. Digo-lhe que temos de ir e começa a chorar e a gritar. Entramos no carro e ele fica cada vez mais nervoso, percebo que se não puser travão naquele momento, vou ter uma "birra" até à hora de deitar.
-Macaquito, a ver se nos entendemos. Pediste-me para vir passear e eu vim contigo sem sequer verificar a mochila porque tenho a certeza que tens trabalhos de casa, demos a volta ao castelo como me pediste apesar de te ter dito que não tínhamos tempo, dói-me a barriga de rir com todas as parvoíces que fizemos e tenho a certeza que a tua também, por isso não acredito que estejas a fazer uma birra por causa da mana. Tenho a certeza que estás super feliz e não sei porque estás a chorar. Estás a ser injusto e vou ficar triste contigo. Como é? Vamos buscar a mana com um sorriso? Ou sim ou sopas!
-Sim Sopas, vamos buscar a mana.
-Tu acabaste de me chamar Sopas?
Novo ataque de riso e um dia perfeito até à hora de deitar.


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Sorriso amarelo

Ontem fui ao talho, até aqui tudo normal, não fosse ter decidido ir depois de ir buscar macaquitos à escola, sabendo de antemão que macaquito sempre que entra no talho do Jaquim, (nome fictício) faz questão de mencionar bem alto que "bom, bom é o talho do Manel", apenas três portas acima e no qual nunca entrei. 
-Macaquito, temos de ir ao talho, só te peço uma coisa: não comeces a falar no outro talho que não é uma coisa muito simpática de se dizer. 
-Sim, mamã, prometo. Não vou dizer nada.
Páro no estacionamento, ponho moedas no parquímetro e quando chego ao talho, estava fechado.
-Estás cheio de sorte, finalmente vais poder ir ao talho do Manel. O Jaquim está fechado, por isso vamos já ali.
Entramos no talho, macaquito faz a apresentação habitual, pergunta o nome ao talhante e fica muito surpreendido quando percebe que Manel é só o nome do talho e não de todas as pessoas que ali trabalham. Fala, fala, fala e pergunta tudo e mais alguma coisa sobre a carne, a decoração, as portas, os outros clientes, deixando o funcionário vermelho de rir com tanto disparate. Quando estamos quase , quase a vir embora, dá a estocada final.
-Sabe, a minha mãe não gosta de vir aqui, vai sempre ao talho do Jaquim mas hoje estava fechado!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Com certeza, Monsieur

Ter um filho no espectro é saber que há coisas muito estúpidas que de um momento para o outro se podem tornar rotina, coisas como cumprimentar cada pessoa de sua maneira mas sempre da mesma maneira, ver televisão de cócoras em cima da mesa da sala, correr despido pela casa antes de entrar no chuveiro. Dou comigo muitas vezes a pedir às pessoas que não o deixem fazer qualquer coisa aparentemente normal, porque sei que a partir do momento que o permitam uma vez, ele vai repetir essa mesma coisa até à exaustão. 
Nos últimos tempos ganhou o hábito de se fechar no roupeiro para descalçar as pantufas e as meias antes de se deitar, fica dois ou três minutos lá dentro a falar sozinho, enquanto eu espero para lhe ler a história. Ontem fechado lá dentro falava francês, ou algo parecido.
-Oh, je suis magnifique, Macaquito magnifique, até te estás a passarrrrrrr.
-Demoras muito, ó magnifíco?- pergunto-lhe cá de fora.
-Oh monsiú, esperra mais um bocadinho que je suis a terrrminarrrr.
Quando finalmente saiu, olhou para mim que aguardava de braços cruzados no meio do quarto.
-Então, eu sou magnífico, ou vais dizer que não?