Mostrar mensagens com a etiqueta Desejos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Desejos. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Não bastava ter de fazer um bolo sem glúten

Se calhar não se lembram da história do alaúde, cá em casa ainda nos rimos à conta dela. Contínuo sem entender se ele diz a primeira coisa que lhe vem à cabeça ou se, na verdade, pensa muito sobre a importância dos objectos, o que é certo, é que o aniversário dele está a chegar e eu estou feita num molho de brócolos para lhe satisfazer o pedido deste ano.
-Mãe, domingo levantas-te bem cedo e vais comprar um detetor de metais.

terça-feira, 6 de março de 2018

...tenho de parar de chover!

Tem chovido muito, tenho chovido muito, prefiro os dias de sol, aqueles que me enxugam as lágrimas assim que vos pego pelas mãos e saímos mundo afora, o nosso mundo é pequenino, apenas a nossa floresta. No nosso mundo pequenino as árvores são mais verdes, a terra mais castanha e o céu é claramente mais azul. Mas tem chovido muito, tenho chovido muito, o nosso mundo pequenino parece longínquo e eu nem sempre vos consigo pegar nas mãos. Na nossa floresta as árvores ainda não têm folhas, a terra transformou-se numa lama profunda, tão profunda que já não cheira a terra molhada e o azul do céu quase é sempre cinzento. Tem chovido tanto, tenho chovido demais, albergo a esperança da primavera que se aproxima, vou pegar-vos nas mãos, vou agarrar-vos num abraço, vou esperar pelo sol dessa primavera que se avizinha, por mais negro que esteja o céu não há tempestade que me subjugue, não há guerra que sempre perdure e não há memória que nunca esvazie. Tem chovido muito...



terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Daqui para a frente

Vejo os meus filhos crescer num instante, faço planos de coisas que quero fazer com eles e assusto-me ao reparar que talvez já não vá a tempo. Parece que tenho os dias a prazo, a infância é demasiado curta e quando todas as possibilidades não passam disso, possibilidades, vai que eles já têm as calças demasiado curtas. De movimentos restringidos nada posso fazer que não seja almejar, por dias melhores, por saúde, dinheiro e felicidade, esta última acaba por ser a mais fácil se não formos demasiado exigentes, fico-me bem com um fado mal cantado ou um violino tocado com a pressa de quem vai apanhar o comboio. Não me assusta a velhice, afinal quando lá chegamos é para o resto da vida, portanto, não há que temer, temo somente que lá chegue antes de cumprir os planos que vou protelando por razões que me ultrapassam e às quais, por mais que me esfalfe, não consigo pôr cobro.
Assim sendo, tudo o que desejo daqui para a frente, é uma camisola mais larga, que me permita mexer e cumprir com as promessas que teimo em não fazer para não lhes falhar.