Vejo os meus filhos crescer num instante, faço planos de coisas que quero fazer com eles e assusto-me ao reparar que talvez já não vá a tempo. Parece que tenho os dias a prazo, a infância é demasiado curta e quando todas as possibilidades não passam disso, possibilidades, vai que eles já têm as calças demasiado curtas. De movimentos restringidos nada posso fazer que não seja almejar, por dias melhores, por saúde, dinheiro e felicidade, esta última acaba por ser a mais fácil se não formos demasiado exigentes, fico-me bem com um fado mal cantado ou um violino tocado com a pressa de quem vai apanhar o comboio. Não me assusta a velhice, afinal quando lá chegamos é para o resto da vida, portanto, não há que temer, temo somente que lá chegue antes de cumprir os planos que vou protelando por razões que me ultrapassam e às quais, por mais que me esfalfe, não consigo pôr cobro.
Assim sendo, tudo o que desejo daqui para a frente, é uma camisola mais larga, que me permita mexer e cumprir com as promessas que teimo em não fazer para não lhes falhar.